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"Violação", diz Palestina sobre escritório em Jerusalém

Chancelaria palestina consultará seu embaixador no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, para saber que medida tomar

1 abr 2019
07h49
atualizado às 07h55
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RAMALLAH - A chancelaria palestina afirmou neste domingo (31) que consultará seu embaixador no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, para tomar as decisões apropriadas após o presidente Jair Bolsonaro anunciar, ao lado do premiê israelense, Binyamin Netaniahu, a abertura de um escritório de negócios em Jerusalém.

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
Foto: Debbie Hill / Reuters

"(A abertura da representação) é uma violação flagrante ao povo palestino e seus direitos, bem como uma aprovação à pressão americana e israelense", afirmou o chanceler Riad Malki, segundo a agência palestina de notícias Wafa.

Malki disse que a medida tem como objetivo "perpetuar a ocupação, as atividades de assentamentos e a anexação da parte ocupada de Jerusalém", além de "impor à força" a lei israelense na região.

O ministro também reafirmou que os palestinos consideram Jerusalém como parte do território palestino ocupado por Israel na Guerra dos Seis dias, em 1967, e que essas ações "não darão à ocupação (Israel) direitos sobre Jerusalém Oriental e seus arredores".

Nova relação com Israel

Bolsonaro anunciou neste domingo a abertura de uma representação do país em Jerusalém. A decisão, segundo o governo brasileiro, significa que a mudança da embaixada de Tel-Aviv foi temporariamente descartada, mas ainda é analisada.

O escritório brasileiro de negócios, no entanto, não terá status de Embaixada, esclareceu o porta-voz da Presidência da República, Otávio Santana do Rêgo Barros. "Não tem status diplomático", afirmou. "Vai tratar das questões de comércio, ciência e tecnologia como foi apresentado a vocês pela declaração", continuou.

Embora tenha sido menos do que Netanyahu desejava, o premiê israelense parece ter saído satisfeito. "É um primeiro passo para que a embaixada chegue a Jerusalém", disse.

Rêgo Barros também não descartou a possibilidade de Bolsonaro fazer uma visita à Cisjordânia. "Todos os países que têm relação diplomática com o Brasil (podem ser visitados)", disse o porta-voz sem citar nominalmente a Cisjordânia, e dizendo ser necessário algumas algumas condições para a concretização.

"Temos relação diplomática com vários países. É óbvio que temos a possibilidade de visitá-los (palestinos) quando convidados e quando houver interesse da nossa parte. Isso vale para todos os países com quem temos relação diplomática", enfatizou durante entrevista ao final da agenda de atividades da comitiva presidencial em Israel.

Estadão
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