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Venezuela vive drama sem fim com quase 4 mil mortos e milhares de desaparecidos

Cidadãos denunciam preços abusivos para alugar escavadeiras e outros maquinários

10 jul 2026 - 14h41
(atualizado às 15h06)
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O número de mortos no terremoto na Venezuela vem crescendo de forma lenta, mas inexorável. Os corpos encontrados já somam quase quatro mil, e há mais de 16 mil feridos. No entanto, esse é um registro tragicamente provisório, muito distante do definitivo. A grande maioria das vítimas ainda se encontra sob montanhas de escombros e mais de um milhão de toneladas de detritos que ainda ocupam as ruas do estado de La Guaira, a região mais atingida pelos tremores de terra de 24 de junho.

Cidadãos denunciam preços abusivos para alugar escavadeiras e outros maquinários
Cidadãos denunciam preços abusivos para alugar escavadeiras e outros maquinários
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A estimativa que mais preocupa é justamente a dos desaparecidos: o governo venezuelano, desde as primeiras horas após o terremoto, nunca divulgou um número oficial. A oposição criou um site, que funciona como uma espécie de banco de dados, para reunir os nomes das pessoas desaparecidas. A Organização das Nações Unidas (ONU), por sua vez, divulgou uma primeira estimativa alarmante, indicando que 50 mil pessoas podem ter perdido a vida em razão dos dois terremotos ocorridos há mais de duas semanas. Outras análises mencionam 30 mil, mas isso não altera significativamente a dimensão da catástrofe.

E, como uma tragédia dentro da tragédia, houve denúncias de que, nos dias mais intensos dos resgates, surgiu uma espécie de "negócio da dor". Segundo o veículo RunRunes, portal venezuelano de jornalismo investigativo e defesa dos direitos humanos, "a emergência em La Guaira teve um preço". Em suma, diante da escassez de equipamentos adequados para remover os escombros, quem tinha dinheiro podia ter esperança de resgatar seus parentes; quem não tinha, precisou esperar.

De acordo com alguns cálculos, para alugar uma escavadeira cobravam US$ 350 por dia; por outros maquinários pesados, entre US$ 600 e US$ 700, apenas para remover os escombros, sem contar o salário do operador, água e comida. Em La Guaira, a situação chegou a um ponto em que saiu do controle: o site cita pessoas que teriam pago até US$ 1,2 mil por dia na esperança de salvar seus entes queridos.

Enquanto isso, continuam os esforços para ajudar os desabrigados, que não têm mais nada e precisam de tudo. Até o momento, chegaram mais de duas mil toneladas de ajuda de 28 países diferentes. No entanto, a preocupação agora é com a possível propagação de epidemias. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) alertou que a emergência sanitária "ainda não acabou de forma alguma".

Embora um surto de cólera esteja descartado, no momento, em território venezuelano, foi dado o alerta para a possível propagação do sarampo e de doenças respiratórias, diarreicas e cutâneas. .

Ansa - Brasil
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