UE retoma negociações de adesão da Ucrânia após queda de Orbán e acordo sobre minoria húngara
A União Europeia deu nessa quarta-feira (4) o passo mais significativo em meses no processo de adesão da Ucrânia ao bloco, ao concordar em retomar negociações que estavam paralisadas pelo veto da Hungria. A mudança ocorre após a saída de Viktor Orbán do governo e a chegada do reformista Péter Magyar ao poder em Budapeste. O novo premiê anunciou um acordo com Kiev sobre os direitos da minoria húngara da Transcarpátia, destravando o impasse.
Com informações de Pierre Benazet, correspondente da RFI em Bruxelas
A União Europeia decidiu reabrir o processo para a adesão da Ucrânia, destravando um processo que estava congelado havia meses por causa do veto imposto pelo então primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. A mudança de posição de Budapeste ocorre após a chegada ao poder de Péter Magyar, político reformista que assumiu o governo com a promessa de reconstruir pontes com Bruxelas.
A decisão foi tomada pelos 27 embaixadores da UE em Bruxelas e representa o avanço mais concreto desde que a candidatura ucraniana foi formalmente aberta, há quatro anos. Até agora, o único movimento relevante havia sido a abertura de uma conferência intergovernamental prevista para junho de 2025, sem progressos adicionais. A Moldávia, cuja candidatura está vinculada à da Ucrânia, também será beneficiada pela retomada das negociações.
O gesto húngaro foi decisivo. Mais cedo, o governo de Magyar anunciou ter chegado a um acordo com Kiev sobre a proteção dos direitos da minoria húngara que vive na Transcarpátia, região mais ocidental da Ucrânia. O tema vinha sendo usado por Orbán como justificativa para bloquear qualquer avanço no processo de adesão, especialmente após a invasão russa de 2022, quando o premiê intensificou o discurso de defesa dos húngaros que vivem fora do país.
A mudança de governo em Budapeste alterou o cenário político. Magyar, que tenta reposicionar a Hungria dentro da UE, busca também recuperar o acesso a € 16 bilhões em fundos europeus congelados por violações do Estado de Direito durante a gestão Orbán. O aceno à Ucrânia é visto em Bruxelas como parte desse esforço para reconstruir a confiança junto aos parceiros europeus.
Tensão militar com Moscou
Para Kiev, o avanço chega em um momento de forte tensão militar com Moscou, após ataques de drones atingirem a região de São Petersburgo. A reabertura das negociações é interpretada como um sinal político importante de apoio europeu, num contexto em que a Ucrânia tenta manter o fluxo de ajuda militar e financeira enquanto enfrenta dificuldades no front.
Diplomatas em Bruxelas afirmam que a retomada das conversas não significa aceleração automática do processo, que envolve dezenas de capítulos técnicos e reformas profundas. Ainda assim, o desbloqueio do veto húngaro elimina o principal obstáculo político imediato e permite que a UE avance em etapas que estavam paradas desde o ano passado.
A Moldávia, que também aguarda avanços, deve acompanhar o ritmo da Ucrânia, já que as duas candidaturas são tratadas de forma conjunta. Para ambos os países, a perspectiva de adesão é vista como um contrapeso estratégico à influência russa na região.
Com a decisão desta quarta-feira, a UE tenta mostrar unidade em um momento de instabilidade no leste europeu. A expectativa agora é que os próximos meses sejam dedicados à abertura formal das negociações, enquanto Kiev e Chisinau trabalham para cumprir as exigências técnicas impostas pelo bloco.
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