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Turquia: um ano após prisão, começa julgamento do prefeito de Istambul, principal opositor de Erdogan

O julgamento do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, detido há um ano, começou nesta segunda-feira (9) na Turquia. O principal adversário do presidente Recep Tayyip Erdogan é acusado de envolvimento em um amplo esquema de corrupção. A oposição, porém, afirma que o objetivo do processo é sabotar as chances de Imamoglu de desafiar o presidente.

9 mar 2026 - 11h54
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Anne Andlauer, correspondente da RFI em Ancara

Pancartes d'Ekrem Imamoglu (C), emprisonné à Istanbul, et d'autres employés municipaux détenus lors du congrès extraordinaire du parti d'opposition turc, le CHP, à Ankara, le 21 septembre 2025.
Pancartes d'Ekrem Imamoglu (C), emprisonné à Istanbul, et d'autres employés municipaux détenus lors du congrès extraordinaire du parti d'opposition turc, le CHP, à Ankara, le 21 septembre 2025.
Foto: AFP - ADEM ALTAN / RFI

Preso em 19 de março de 2025 e detido desde então, Imamoglu iniciou sua audiência no Tribunal Distrital de Silivri, em Istambul, às 11h05 (5h05 em Brasília). A sessão foi suspensa após apenas 15 minutos, devido a uma altercação verbal entre o prefeito, seus advogados e o juiz, segundo a conta Istanbul em Julgamento, na rede social X, administrada por sua equipe.

O juiz negou o pedido de Imamoglu para falar e adiou a audiência para as 13h30, após ordenar que o tribunal fosse esvaziado. No início da manhã, pessoas presentes na sala aplaudiram quando Imamoglu e dezenas de outros réus entraram no local.

O prefeito da maior cidade da Turquia foi detido no mesmo dia em que foi indicado como candidato da principal legenda de oposição, o social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP), para a próxima eleição presidencial. Acusado de 142 crimes que podem resultar em até 2.430 anos de prisão, ele é considerado um dos poucos políticos capazes de derrotar Erdogan na eleição prevista para 2028.

Aos 54 anos, Imamoglu enfrenta uma verdadeira maratona jurídica. Ele responde ao que a imprensa pró-governo vem chamando há meses, com entusiasmo, de "o caso de corrupção do século". A acusação, com mais de 3.700 páginas, o descreve como fundador e líder de uma "organização criminosa" responsável por desviar cerca de 160 bilhões de liras turcas (aproximadamente R$ 19 bilhões).

As acusações incluem corrupção ativa e passiva, extorsão, fraude em licitações e contra instituições públicas e lavagem de dinheiro.

Julgamento extraordinário 

Mais de 400 pessoas, além do prefeito, são acusadas no processo, que pode se estender por vários anos. Diante do número de réus e da complexidade das acusações, o tribunal prevê uma duração de 4.600 dias — doze anos e meio. Um tribunal com capacidade para 3.000 pessoas está em construção ao lado da prisão de Marmara, onde Imamoglu está detido. Enquanto não fica pronto, o julgamento ocorre em um tribunal menor, também adjacente ao presídio, mas deve ser transferido assim que a nova estrutura for concluída.

Segundo a promotoria de Istambul, Imamoglu teria agido para "assumir o controle" do CHP e "arrecadar fundos para concorrer à próxima eleição presidencial". Mas, desde o início, o opositor denuncia o caso como um "julgamento político".

O prefeito afirma que o processo é uma farsa baseada principalmente em depoimentos de "testemunhas anônimas" ou de empresários e funcionários "arrependidos" que concordaram em testemunhar em troca da retirada das acusações contra eles. Ele declara ter cometido apenas um crime: ser capaz de derrotar Recep Tayyip Erdogan nas próximas eleições.

Candidatura para 2028 em risco

Imamoglu, que venceu a eleição para prefeito de Istambul em 2019, após 25 anos de domínio político de Erdogan na cidade, havia anunciado sua candidatura à eleição presidencial de 2028 pouco antes de ser preso. Dias depois, mesmo estando preso, ele venceu as primárias de seu partido com 15 milhões de votos.

Hoje, porém, sua participação na disputa está seriamente comprometida. Além de estar preso e enfrentar inúmeras investigações e processos — cerca de 15 até o momento —, seu diploma universitário foi revogado um dia antes de sua prisão, sob alegações de irregularidades, o que o impede legalmente de concorrer ao cargo mais alto do país.

Na semana passada, em entrevista ao serviço em turco da BBC, Imamoglu afirmou que "apoiaria qualquer candidato que salvasse a democracia turca". Foi sua primeira admissão clara da improbabilidade de sua candidatura neste momento.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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