Líderes da UE se mobilizam para reduzir tensões em guerra no Irã
Costa e Von der Leyen querem facilitar retorno iraniano às negociações
Em uma série de declarações e reuniões com líderes da região do Golfo, os principais representantes da União Europeia demonstraram, nesta segunda-feira (9), compromisso com a diplomacia, a segurança marítima e a assistência humanitária diante da escalada de tensão no Oriente Médio.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiteraram que a UE é uma parceira de longa data e confiável para a região nestes momentos difíceis, estando pronta para facilitar todas as formas possíveis de ajuda para reduzir a tensão e permitir o retorno do Irã à mesa de negociações.
"Embora a ordem internacional baseada em regras esteja sob pressão, acreditamos firmemente que o diálogo e a diplomacia são os únicos caminhos viáveis", afirmaram em declaração conjunta.
Além da diplomacia, os líderes destacaram a importância das operações marítimas Aspides e Atalanta, voltadas à proteção de rotas estratégicas e à prevenção de interrupções nas cadeias de abastecimento.
Segundo a UE, a operação Aspides já protegeu 606 navios mercantes e apoiou a passagem segura de mais de mil outros, com possibilidade de reforço conforme a situação evoluir.
O bloco também expressou preocupação com a crise no Líbano, enfatizando a necessidade de respeitar a soberania do país e proteger os civis. Von der Leyen anunciou a mobilização de recursos para prestar assistência a cerca de 130 mil pessoas, com o primeiro voo programado para amanhã.
Sobre o recente anúncio de um novo líder supremo no Irã, a União Europeia afirmou que cabe ao povo iraniano decidir quem assumirá o poder.
O porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, criticou o regime por violações do direito internacional, do Plano de Ação Conjunta e do Tratado de Não Proliferação, além de abusos de direitos humanos durante protestos internos.
Ele reforçou que a UE continuará protegendo sua segurança, impedindo o desenvolvimento de armas nucleares pelo país e combatendo a proliferação de mísseis balísticos e a atual crise na região.
Já o comissário de Comércio da União Europeia, Valdis Dombrovskis, alertou para o risco de um "choque de estagflação substancial" caso o conflito se prolongue.
De acordo com ele, se o conflito durar mais de duas semanas e causar interrupções no transporte marítimo em Ormuz ou ataques à infraestrutura no Golfo, poderá provocar "preços de energia mais altos, que alimentariam a inflação, efeitos negativos na confiança, interrupções nas cadeias de suprimentos" e restrições ao financiamento.