Turquia prende suspeitos e enfrenta protestos de professores após tiroteios em escolas
A polícia turca anunciou nesta quinta-feira (16) que emitiu mandados de prisão contra dezenas de pessoas acusadas de perturbar a ordem pública ao publicarem mensagens de apoio a dois tiroteios ocorridos recentemente em escolas do país. Enquanto isso, milhares de professores foram às ruas para protestar contra o ministro da Educação.
Um dia após um massacre que deixou nove mortos em uma escola em Kahramanmaraş, no sul da Turquia, a polícia informou em comunicado que "foram emitidos mandados de prisão contra 83 pessoas envolvidas em publicações e atividades que glorificam crimes e criminosos, afetando negativamente a ordem pública". O texto acrescenta que processos judiciais foram abertos contra elas.
Muito emocionados, familiares e amigos participaram dos enterros de oito crianças de 10 e 11 anos e de um professor de 55 anos. Os caixões estavam cobertos com a bandeira da Turquia.
Nesta quinta-feira, mais de 3.500 professores protestaram em Ancara, atendendo à convocação de diversos sindicatos. Eles exigem a renúncia do ministro da Educação.
"Manchas de sangue na minha profissão" e "Onde você estava quando nossas crianças estavam morrendo?" foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes, mobilizados após os dois ataques que chocaram o país.
Na quarta-feira (15), um estudante de 14 anos do oitavo ano entrou na escola portando cinco armas e sete carregadores e abriu fogo de forma indiscriminada. Pelo menos nove pessoas morreram - entre elas, oito estudantes - e outras 13 ficaram feridas. O jovem também morreu no local.
Na terça-feira (14), um adolescente nascido em 2007, ex-aluno de uma escola de formação profissional em Sanliurfa, no sudeste da Anatólia, feriu 16 pessoas antes de tirar a própria vida dentro do colégio.
Tiroteios em escolas, no entanto, são raros na Turquia. O país realiza nesta quinta-feira uma cerimônia de homenagem aos oito alunos e ao professor morto no ataque de Kahramanmaraş.
Perfil do atirador de Kahramanmaraş
Segundo a polícia turca, o adolescente de 14 anos autor do massacre em Kahramanmaraş usava em seu perfil no WhatsApp uma imagem que fazia referência a Elliot Rodger, autor de um massacre na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2014. Em um vídeo divulgado à época, Rodger justificou o ataque como uma "punição" às mulheres que o teriam rejeitado.
O Ministério Público de Kahramanmaraş informou que o adolescente planejava um ataque de grande escala, de acordo com um arquivo datado de 11 de abril de 2026 encontrado em seu computador.
O atirador era filho de um ex-policial. "Suspeitamos que ele possa ter pegado as armas do pai", disse o governador de Kahramanmaraş, Mukerrem Unluer. O pai do adolescente foi detido pela polícia.
Esse tipo de incidente é relativamente raro na Turquia, onde, segundo estimativas de uma fundação local, circulam dezenas de milhões de armas de fogo, a maioria de forma ilegal.
Com AFP
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