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Turquia detém cartunistas por charge que parece retratar Moisés e Maomé

30 jun 2025 - 20h20
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Autoridades turcas detiveram nesta segunda-feira três cartunistas por causa de uma charge publicada pela revista semanal Leman que parecia retratar os profetas Moisés e Maomé (Muhammad, no original) apertando as mãos no céu, enquanto mísseis voavam abaixo em uma cena que lembrava uma guerra.

A charge, amplamente vista como um comentário sobre a harmonia religiosa em contraste com o conflito na Terra, atraiu forte condenação de autoridades governamentais e conservadores religiosos.

O ministro do Interior, Ali Yerlikaya, compartilhou um vídeo no X mostrando policiais detendo o cartunista Dogan Pehlevan e arrastando-o pelas escadas de um prédio com as mãos algemadas atrás das costas.

"Mais uma vez, amaldiçoo aqueles que tentam semear a discórdia desenhando caricaturas de nosso Profeta Maomé", escreveu Yerlikaya.

"O indivíduo que desenhou essa imagem vil, D.P., foi detido e levado sob custódia. Essas pessoas sem vergonha serão responsabilizadas perante a lei."

Mais tarde, Yerlikaya postou dois outros vídeos, mostrando dois outros homens sendo deitados no chão e retirados à força de suas casas, enquanto policiais os arrastavam para vans -- um deles andando descalço.

O ministro da Justiça, Yilmaz Tunc, disse que uma investigação foi iniciada com base no Artigo 216 do Código Penal Turco, que criminaliza o incitamento ao ódio e à inimizade, e que ordens de detenção foram emitidas para quatro pessoas no total.

Em seu comunicado no X, a revista Leman pediu desculpas aos leitores que se sentiram ofendidos e disse que a charge havia sido mal interpretada.

Ela disse que Pehlevan procurou destacar "o sofrimento de um homem muçulmano morto em ataques israelenses" e que não havia intenção de insultar o Islã ou seu profeta.

"O nome Muhammad está entre os mais usados no mundo pelos muçulmanos em homenagem ao Profeta. A caricatura não retrata o Profeta e não foi desenhada para zombar dos valores religiosos", disse a revista, chamando algumas interpretações de "deliberadamente maliciosas".

A Leman também pediu às autoridades judiciais que agissem contra o que chamou de campanha de difamação e pediu às forças de segurança que protegessem a liberdade de expressão.

No início da noite, imagens de vídeo nas mídias sociais mostraram um grupo de manifestantes marchando em direção ao prédio do escritório da Leman no centro de Istambul, gritando slogans e chutando as portas de entrada.

O ranking da Turquia em termos de liberdade de expressão é consistentemente baixo, refletindo restrições significativas à mídia e ao discurso público. A organização Repórteres Sem Fronteiras classifica a Turquia em 158º lugar entre 180 países em seu Índice de Liberdade de Imprensa de 2024.

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