Trump recua e adia novo ataque contra Irã para dar tempo a acordo
Presidente disse ter acatado pedido de Teerã, que negou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou e disse ter desistido de ordenar um ataque de grandes proporções contra o Irã, após diversas ameaças de realizar um bombardeio massivo para forçar a República Islâmica a liberar a navegação no Estreito de Ormuz.
"Os EUA estão totalmente armados e prontos para agir contra a República Islâmica do Irã, com níveis de poder e força militar não vistos desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, acabamos de receber um pedido do Irã e de outros países do Oriente Médio para adiar qualquer ataque, visto que as diretrizes de um acordo foram acertadas", disse o mandatário na plataforma Truth Social.
"Isso incluiria a abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear do Irã. Com base nessa solicitação, concordei ? visando ao benefício futuro do mundo e, da mesma forma, à sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero ? em cancelar o ataque, condicionado à possibilidade de se chegar rapidamente a um acordo", acrescentou Trump, destacando que Israel também acatou a decisão.
"Mãos à obra, todos vocês, e façam isso acontecer", concluiu o presidente. Em resposta, a agência de notícias iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, garantiu que o país não chegou a nenhum acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz. O veículo cita uma fonte da equipe de negociadores de Teerã, que afirmou que a rota marítima continuará fechada enquanto durarem as "ações hostis" dos EUA.
A agência Mehr, por sua vez, ouviu de fontes militares que as falas de Trump são "uma mentira" e que o Irã não pediu que Washington adiasse novos ataques.
Já o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, disse que a República Islâmica está "pronta para proteger sua soberania, integridade territorial e segurança nacional", em conversa por telefone com seu homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud.
"Qualquer ação hostil por parte dos Estados Unidos e de Israel, ou a cumplicidade dos países da região, encontrará uma resposta proporcional do Irã", acrescentou. Há pouco mais de uma semana, o presidente americano alertou que considerava a possibilidade de autorizar "um ataque massivo, maior do que qualquer outro antes", contra o Irã.
O cessar-fogo assinado em meados de junho foi encerrado pelo próprio Trump cerca de um mês depois, após os EUA acusarem Teerã de atacar navios petroleiros no Estreito de Ormuz.
Desde então, as forças americanas vêm realizando constantes bombardeios na região, enquanto a República Islâmica tem respondido com mísseis e drones em direção a alvos de Washington no Oriente Médio.
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