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Trump diz que pode fazer "qualquer coisa que quiser" com Cuba

16 mar 2026 - 18h09
(atualizado às 20h45)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ‌intensificou sua retórica contra Cuba nesta segunda-feira, dizendo que esperava ter a "honra" de "tomar Cuba de alguma forma" e que "posso fazer o que quiser" com o país.

As declarações ameaçadoras foram feitas no momento em que Cuba e os Estados Unidos iniciaram conversações com o objetivo de melhorar suas relações, em grande parte adversas, que atingiram um de seus momentos ⁠mais contenciosos nos 67 anos desde que Fidel Castro derrubou o que era um aliado ‌próximo dos EUA.

"Acredito que terei... a honra de tomar Cuba. Essa é uma grande honra. Tomar Cuba de alguma forma", disse Trump aos repórteres enquanto a ilha enfrenta ‌uma crise econômica sem precedentes, exacerbada por um ‌bloqueio de petróleo que os EUA impuseram depois de capturar o ex-presidente venezuelano ⁠Nicolás Maduro.

"Quero dizer, se eu a libero, se eu a tomo. Acho que posso fazer o que quiser com ela. Vocês querem saber a verdade", disse Trump aos repórteres em um evento de autógrafos no Salão Oval.

Após a fala de Trump, o New York Times informou que a destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel é um dos principais ‌objetivos dos EUA nas negociações bilaterais. Citando quatro pessoas familiarizadas com as conversações, o Times ‌disse que os norte-americanos sinalizaram ⁠aos negociadores cubanos que ⁠Díaz-Canel deve sair, mas estão deixando os próximos passos a cargo dos cubanos.

Tradicionalmente, Cuba rejeita qualquer ⁠interferência em seus assuntos internos e considera qualquer ‌proposta nesse sentido um obstáculo ‌para qualquer acordo.

Díaz-Canel, 65 anos, que sucedeu o falecido Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro como presidente em 2018, disse na sexta-feira que esperava que as negociações com os Estados Unidos ocorressem "sob os princípios de igualdade e respeito pelos ⁠sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação".

Mas Trump, depois de remover Maduro do poder e se juntar a Israel para atacar o Irã, cogitou abertamente que Cuba seria "a próxima". Ele intensificou a pressão ao interromper todas as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar impor tarifas a ‌qualquer país que venda petróleo para Cuba.

Como resultado, Cuba diz que não recebe um carregamento de petróleo há três meses e que o país impôs um severo racionamento ⁠de energia, resultando em interrupções prolongadas de energia. Grande parte de sua economia foi paralisada.

Nesta segunda-feira, a rede elétrica de Cuba entrou em colapso, deixando o país de 10 milhões de pessoas sem energia.

No domingo, Trump disse aos repórteres a bordo do Air Force One: "Estamos conversando com Cuba, mas vamos resolver o Irã antes de Cuba".

Embora mais de uma dúzia de presidentes dos EUA, ao longo de décadas, tenham se oposto ao governo comunista de Cuba e criticado seu histórico de direitos humanos, Washington honrou sua promessa de não invadir Cuba ou apoiar uma invasão como parte do acordo com a União Soviética para resolver a crise dos mísseis de 1962.

A Casa Branca ainda não detalhou a base legal para qualquer possível intervenção em Cuba.

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