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Trump destitui Kristi Noem e indica senador Mullin para chefiar Segurança Interna

5 mar 2026 - 15h55
(atualizado às 17h39)
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Kristi Noem, que supervisionou a agressiva repressão à imigração liderada pelo presidente Donald Trump e ‌enfrentou críticas bipartidárias em audiências nesta semana, deixará seu cargo de chefe da Segurança Interna (DHS) no final do mês.

Trump vai nomear o senador de Oklahoma Markwayne Mullin para substituí-la, disse ele em sua plataforma Truth Social, uma medida que exige a confirmação do Senado.

Noem, ex-governadora de Dakota do Sul, tornou-se uma das integrantes do gabinete de Trump de maior destaque com publicações nas mídias sociais que retratavam os imigrantes em termos duros, destacando casos de supostos criminosos e usando linguagem virulenta.

Ela foi criticada em janeiro quando rapidamente rotulou dois cidadãos norte-americanos baleados fatalmente por ⁠agentes federais de imigração em Minneapolis como tendo cometido "terrorismo doméstico". Os vídeos que surgiram após as mortes desmentiram a afirmação de Noem e de ‌outras autoridades de Trump de que os dois mortos -- Renee Good e Alex Pretti -- eram agressores violentos.

A reação pública às mortes levou o governo Trump a adotar uma abordagem mais direcionada à fiscalização da imigração em Minnesota, depois de meses de varreduras em cidades norte-americanas que levaram ‌a confrontos violentos com moradores que se opunham à repressão.

Os democratas da Câmara dos ‌Deputados dos EUA pediram o impeachment de Noem e pelo menos dois republicanos no Congresso pediram que ela perdesse o cargo ⁠após os incidentes. Durante as audiências no Congresso esta semana, os democratas e alguns republicanos criticaram Noem por sua abordagem à repressão à imigração e ao gerenciamento do DHS, incluindo a preocupação com uma campanha publicitária de US$220 milhões que dava forte destaque a Noem.

Trump disse à Reuters nesta quinta-feira que não aprovou a campanha publicitária.

"Nunca soube de nada sobre isso", disse ele em uma entrevista por telefone.

Os anúncios destacavam Noem, incluindo uma cena dela a cavalo no Monte Rushmore, em seu Estado natal, Dakota do Sul.

Em uma das audiências no Congresso esta semana, o senador ‌republicano John Kennedy perguntou a Noem se Trump havia aprovado os comerciais.

"O presidente aprovou com antecedência que você gastasse US$220 milhões em anúncios de TV ‌em todo o país nos quais você ⁠aparece com destaque?" Kennedy perguntou a Noem.

"Sim, ⁠senhor. Passamos pelos processos legais e fizemos tudo corretamente", respondeu ela.

FORTE ADESÃO À ABORDAGEM DE IMIGRAÇÃO LINHA-DURA DE TRUMP

A mudança na equipe levanta questões sobre se ⁠o governo Trump poderia tentar intensificar seu esforço de deportação em massa ou se ‌recuaria para uma abordagem mais direcionada. Sob a ‌liderança de Noem, agentes de imigração mascarados surgiram em Los Angeles, Chicago e na capital Washington vasculhando bairros e estacionamentos da Home Depot em busca de possíveis infratores de imigração.

Mullin, que passou uma década na Câmara dos Deputados antes de se tornar senador em 2023, também apoia a agenda de imigração linha-dura de Trump. Para se tornar secretário do DHS, Mullin precisa da confirmação do ⁠Senado.

A popularidade da política de imigração de Trump caiu à medida que os agentes detiveram cidadãos norte-americanos e lançaram gás lacrimogêneo nas ruas em uma tentativa de aumentar as deportações, que no ano passado ficaram aquém da meta do governo de 1 milhão por ano.

Embora Noem, 54 anos, tenha atuado como uma importante defensora da agenda de Trump, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, um assessor de longa data de Trump, controla a política de imigração de Trump.

Noem foi rapidamente confirmada ‌para liderar o Departamento de Segurança Interna, com 260.000 funcionários, em janeiro de 2025, depois que Trump assumiu o cargo. Nas mídias sociais, ela se referiu aos imigrantes condenados por crimes como "canalhas", mesmo quando o número de não criminosos presos pelas autoridades de imigração aumentou ⁠sob Trump.

Ela participou de operações de fiscalização da imigração na cidade de Nova York e visitou uma prisão de segurança máxima em El Salvador, onde imigrantes venezuelanos deportados pelo governo Trump estavam sendo mantidos sem acusações ou acesso a advogados.

O número de imigrantes pegos tentando atravessar ilegalmente a fronteira entre os EUA e o México despencou sob as políticas restritivas de Trump, uma queda acentuada após os altos níveis de imigração ilegal durante o governo do ex-presidente Joe Biden, um democrata.

Noem, refletindo a agenda de Trump, também tomou medidas para cortar os programas de imigração legal e aumentar o controle. Ela encerrou vários programas de Status Protegido Temporário que forneciam permissões de trabalho a centenas de milhares de imigrantes da Venezuela, Haiti e outras nações, atraindo desafios legais.

Depois que um imigrante afegão foi acusado de atacar membros da Guarda Nacional em Washington, Noem disse que recomendou a Trump que fizesse "uma proibição total de viagens para todos os países que estão inundando nossa nação com assassinos, sanguessugas e viciados em direitos".

Os críticos disseram que Noem demonizava os imigrantes e promovia uma estratégia de aplicação da lei de imigração que tinha como alvo imigrantes não criminosos, trabalhadores e famílias.

Durante o mandato de Noem, o número de mortes em detenções de imigrantes aumentou para um recorde de duas décadas, enquanto a equipe dos escritórios de supervisão do DHS foi reduzida drasticamente.

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