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Trump afirma que canadense Bombardier não poderá vender nos EUA sem fabricar no país

7 set 2026 - 16h07
(atualizado em 8/9/2026 às 09h17)
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Resumo
Donald Trump declarou que a fabricante canadense Bombardier só poderá vender nos Estados Unidos se produzir no país, intensificando a disputa comercial com o Canadá. Especialistas questionam a viabilidade da ameaça, já que as aeronaves cumprem o acordo USMCA e possuem motores norte-americanos. Além disso, a indústria aeroespacial é integrada, e a própria Bombardier já emprega 3.500 pessoas e opera fábricas nos EUA, seu principal mercado, onde está metade de sua frota global de clientes.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que a ‌fabricante de aeronaves canadense Bombardier não teria mais permissão para vender nos Estados Unidos, a menos que começasse a fabricar no país.

"NÃO HAVERÁ MAIS VENDAS DA BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS! Seus produtos não são bons o suficiente!", disse Trump em uma postagem no Truth Social.

"Se querem nosso Mercado, precisam fabricar aqui e parar de tratar os Estados Unidos como um 'cofrinho'", disse ele.

A postagem de Trump, ⁠que surge em meio a uma crescente disputa comercial entre Washington e Ottawa, foi a mais recente ‌investida em sua campanha para pressionar empresas estrangeiras e nacionais a fabricar mais produtos nos EUA.

O Canadá deve implementar uma onda de tarifas de retaliação contra os Estados Unidos na terça-feira.

A ‌Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário ‌sobre como Trump implementaria a medida ou quais providências tomaria para impedir as entregas de ⁠jatos da Bombardier que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA.

Os jatos da fabricante também estão em conformidade com o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) que Trump ajudou a implementar.

Richard Aboulafia, analista do setor aeroespacial norte-americano, afirmou não acreditar que clientes de jatos executivos cancelariam pedidos à Bombardier, nem ver como Trump poderia impedir a venda dessas aeronaves.

Aboulafia ressaltou que ‌a maioria dos jatos particulares da Bombardier utiliza motores norte-americanos, fabricados tanto pela Honeywell Aerospace quanto pela ‌GE Aerospace.

O setor aeroespacial saiu ⁠praticamente ileso da guerra tarifária ⁠de Trump, com o fluxo de peças e aeronaves não tendo sido afetado pelas tarifas. Segundo a Aerospace ⁠Industries Association, associação comercial dos EUA, o setor aeroespacial ‌e de defesa do país registra ‌um superávit comercial de US$109,2 bilhões, com um aumento de 25% nas exportações em termos anuais em 2025.

Assim como o setor automotivo dos EUA, que depende da produção de peças em seu vizinho do norte, a indústria aeroespacial é altamente integrada em escala global.

A Bombardier, ⁠sediada em Montreal e rival da fabricante americana de jatos executivos Gulfstream Aerospace, conta com uma força de trabalho de 3.500 pessoas nos EUA e uma rede de 2.800 fornecedores no país, além de fábricas e centros de serviço em território norte-americano. A empresa está inaugurando seu sexto centro de serviço nos EUA e produz as asas ‌de seu principal jato, o Global 8000, no Texas.

A Bombardier já possui uma divisão de defesa com uma fábrica nos EUA, no Kansas, onde prepara aeronaves para missões especiais. Cerca de metade ⁠da frota de 5.100 aeronaves operadas por clientes da Bombardier está localizada nos EUA.

A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Em janeiro, Trump afirmou que os EUA estavam revogando a certificação dos jatos executivos Bombardier Global Express e ameaçou aplicar tarifas de importação de 50% sobre todas as aeronaves fabricadas no Canadá até que o órgão regulador do país certificasse uma série de aviões produzidos pela rival norte-americana Gulfstream. Nenhuma das duas medidas ocorreu, mas, no mês seguinte, o Canadá certificou vários aviões da Gulfstream.

A Bombardier anunciou em 1º de setembro que adquiriria uma fábrica canadense da fornecedora Mitsubishi Heavy Industries, que fabrica asas para as aeronaves Global 5500 e 6500 da fabricante de jatos particulares.

Em julho, a Bombardier informou que sua receita trimestral cresceu 6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, atingindo US$2,15 bilhões, impulsionada pela forte demanda por serviços de pós-venda.

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