Tribunal alemão concede liminar ao AfD e suspende rótulo de "extremista" atribuído pela agência de espionagem
Um tribunal alemão concedeu ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD) uma liminar nesta quinta-feira, ordenando que a agência de inteligência doméstica não o classificasse como "extremista" por enquanto, enquanto se aguarda uma decisão final sobre o caso.
O partido, que havia recorrido contra a recomendação emitida pela agência BfV no ano passado, disse que a decisão foi "um sucesso significativo para o Estado de Direito e a justiça democrática".
O colíder da AfD, Tino Chrupalla, que afirmou que a recomendação tinha sido usada para desacreditar o partido antes de uma série de eleições estaduais este ano, acrescentou que iria examinar a decisão do Tribunal Administrativo de Colônia.
"Este é o primeiro passo, vencemos aqui e devemos comemorar isso como um sucesso por enquanto", disse ele aos repórteres, negando que o partido se opusesse à ordem constitucional democrática da Alemanha.
A liminar é válida até que o tribunal decida sobre o mérito do caso, mas não está claro quando isso ocorrerá.
A decisão do tribunal afirmou que ainda havia uma "forte suspeita" de esforços por parte de integrantes do AfD para ir contra as proteções constitucionais, incluindo a liberdade religiosa. Mas afirmou que não havia provas suficientes de que isso fosse verdade para o partido como um todo.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que ainda não havia uma decisão final, mas afirmou que a decisão do tribunal considerou "certeza suficiente de que esforços dirigidos contra a ordem democrática básica estão sendo desenvolvidos dentro do AfD".
A decisão da BfV, conhecida formalmente como Escritório Federal para a Proteção da Constituição, baseou-se nas conclusões de um relatório de especialistas de 1.100 páginas que destacou vários comentários de autoridades do partido caracterizados como racistas ou islamofóbicos.
A recomendação de "atividades extremistas de direita confirmadas" abriu caminho para que o AfD, o principal partido da oposição no Parlamento, passasse a ser vigiado mais de perto pelos serviços de segurança.
A decisão da agência de classificar o AfD, de extrema-direita, como extremista em maio produziu reações acentuadas ao longo das linhas divisórias da política alemã, com alguns parlamentares pedindo que o AfD fosse proibido e o partido classificando isso como um ataque à democracia.
Isso também provocou fortes críticas do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo às autoridades alemãs que revertessem sua decisão.
Dobrindt disse que a BfV continuaria a defender seu caso no processo, mas descartou a possibilidade de proibição do partido, afirmando que a melhor maneira de combater o AfD era proporcionando um bom governo.