Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Sobrevivente do massacre de Utoya diz que atirador fracassou

1 ago 2011 - 12h43
(atualizado às 13h36)
Compartilhar

Ivar Benjamin Oesteboe, um norueguês de 16 anos que sobreviveu aos atentados do dia 22 de julho, divulgou nesta segunda-feira uma carta aberta ao autor confesso dos ataques, o ultradireitista Anders Behring Breivik, afirmando que ele havia conseguido justamente o contrário do que pretendia. "Você precisa saber que fracassou", declarou o adolescente, que sobreviveu "por pura sorte" ao tiroteio no acampamento da juventude social-democrata, em uma carta divulgada pelo jornal Dagbladet e vários sites.

"Talvez você pense que ganhou, que destroçou o partido social-democrata e o povo de todo o mundo que defende a sociedade multicultural ao matar meus amigos e companheiros", escreveu Oesteboe. No entanto, o autor da carta explica a Breivik que com seus atentados conseguiu "unir o mundo" - agora "mais do que nunca" - e transformar em "heróis" os jovens da juventude social-democrata.

"Se uma pessoa sozinha conseguiu mostrar ao mundo todo esse ódio, imagina quanto amor podemos demonstrar todos nós juntos", continuou o jovem norueguês. "Você matou meus amigos, mas não acabou com nossa causa, nossas opiniões e nosso direito de nos expressar. Você não pode nos ferir, somos maiores. Não respondemos ao mal com mal, como você faria. Combatemos o mal com o bem. E ganhamos", concluiu Oesteboe.

Sua carta foi publicada no mesmo dia em que o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, aplaudiu a coragem de "toda Noruega" por defender a democracia e seus valores após os atentados. O país inteiro demonstrou sua capacidade de "encontrar o caminho correto" no meio da tragédia, enfatizou Stoltenberg, em um ato em lembrança das vítimas.

Em sintonia com essa abertura e respeito, o primeiro-ministro quer evitar uma "caça às bruxas" ideológica e reiterou que todas as opiniões têm lugar na democracia, mas não a violência. Além disso, Stoltenberg declarou o 21 de agosto como dia nacional para homenagear as vítimas do duplo atentado.

No último dia 22 de julho, Breivik explodiu um carro-bomba no distrito governamental de Oslo matando oito pessoas e depois invadiu a tiros a ilha de Utoeya, onde assassinou outras 69 pessoas, em sua maioria jovens e adolescentes. Segundo relatou o autor confesso em seu "manifesto", os ataques foram dirigidos contra o Partido Trabalhista (AP) norueguês por ter "traído" o país "importando muçulmanos em massa".

Tragédia na Noruega
A Noruega viveu na última sexta-feira, dia 22, a maior tragédia do país desde a Segunda Guerra Mundial. Dois atentados deixaram, até o momento, um saldo de 77 mortos. As autoridades chegaram a divulgar que 93 pessoas tinham morrido nos ataques, mas revisaram os dados e informaram um novo balanço na segunda, dia 25. Primeiro, uma bomba explodiu no centro da capital, Oslo, na região onde estão localizados vários prédios governamentais, inclusive o escritório do premiê, Jens Stoltenber. Oito pessoas morreram, mas a polícia admite que possa haver corpos não resgatados nos prédios.

A segunda tragédia aconteceu na ilha de Utoya, próxima à capital. Lá, Anders Behring Breivik, um homem de 32 anos vestido com uniforme da polícia, abriu fogo contra jovens reunidos em um acampamento de verão. Ao menos 69 morreram, a maioria pelos tiros disparados. Alguns outros morreram afogados após tentarem fugir nadando. Anders foi detido logo depois, pela polícia, e admitiu o crime. O atirador, que é ligado à extrema-direita e publicou um manifesto na internet chamando à violência contra muçulmanos e comunistas, também tem envolvimento no ataque em Oslo.

EFE   
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra