Sem apoio da China, G20 aprova texto sobre Estreito de Ormuz
Documento do grupo também menciona 'distorções comerciais'
Ministros das Finanças do G20 aprovaram, em cúpula nos EUA, uma declaração que defende a navegação livre e segura no Estreito de Ormuz para conter interrupções no comércio global de energia. O texto, que também critica distorções econômicas e a dependência de exportações, foi rejeitado apenas pela China, que lamentou a decisão. Já os EUA minimizaram o impasse, destacando que 19 países apoiaram a medida e ressaltando a importância do diálogo mantido com a Rússia durante o encontro.
Os ministros das Finanças do G20, com exceção da China, concordaram, em uma declaração divulgada ao fim da cúpula em Asheville, nos Estados Unidos, sobre a necessidade de uma "navegação livre, segura e previsível" no Estreito de Ormuz.
Apesar das objeções de Pequim ao tema, o comunicado da presidência do grupo mencionou preocupação com as "interrupções contínuas no comércio de energia". O texto ainda enfatiza que a "navegação livre, segura e previsível pelo Estreito de Ormuz e em nível global, bem como a resolução de guerras e conflitos em curso, são essenciais para sustentar um crescimento duradouro".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, expressou "profundo pesar" pela nota divulgada e afirmou que o gigante asiático "atribui grande importância ao papel do G20 como o principal fórum de cooperação econômica internacional".
Alguns parágrafos do documento, que não contou com a aprovação da China, mencionam a necessidade de "corrigir distorções" e "reduzir a dependência excessiva das exportações", pontos que estão entre as principais críticas feitas pelos EUA à política econômica chinesa.
O porta-voz acrescentou que Pequim tem participado "ativa e construtivamente" das discussões sobre questões fundamentais por meio de diversos canais desde que os Estados Unidos assumiram a liderança do G20 para 2026. Segundo ele, o objetivo é aprofundar a coordenação de políticas macroeconômicas, melhorar a governança econômica global e fomentar o crescimento da economia mundial.
Já Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou que os dias de se contentar com um crescimento medíocre chegaram ao fim. O americano também destacou a importância de manter o diálogo com a Rússia, em meio à controversa presença do ministro das Finanças de Moscou, Anton Siluanov, na cúpula de Asheville.
"Gostaria de ressaltar que 19 dos 20 países concordaram [com o texto final], portanto, não houve impacto. Sei que alguns europeus ficaram com uma impressão negativa, mas acredito que manter o diálogo é crucial", avaliou Bessent. .
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