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Diretor da OMS diz que resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater surto no Congo

2 set 2026 - 13h46
(atualizado às 14h02)
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Resumo
O surto de Ebola na República Democrática do Congo já causou mais de 3.000 mortes, tornando-se o mais letal da história do país. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou que a resposta precisa ser ampliada com urgência, pois cadeias de transmissão desconhecidas e sepultamentos inseguros mantêm o avanço do vírus. Para conter a crise, a agência busca US$ 1,3 bilhão para custear leitos e suprimentos, enquanto acelera ensaios clínicos de novos tratamentos e vacinas contra a cepa Bundibugyo.

O diretor-geral da Organização Mundial da ‌Saúde afirmou nesta quarta-feira que a resposta ao Ebola precisa ser ampliada para combater o surto na República Democrática do Congo, já que o rastreamento das cadeias de transmissão ainda representa um desafio.

"Até que todas as cadeias sejam identificadas e interrompidas, a epidemia continuará e seguirá representando uma ameaça para a RDC, seus vizinhos e a região como ⁠um todo", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a repórteres em Genebra.

O número ‌de mortes no surto de Ebola no Congo ultrapassou 3.000, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira, à medida que a pior epidemia do país continua a se ‌espalhar pelo nordeste.

O surto, causado pela cepa Bundibugyo do ‌Ebola, tornou-se o maior e mais letal da história do Congo, superando a ⁠epidemia de 2018-2020.

Agora, ele fica atrás apenas do surto da África Ocidental de 2014-2016, que infectou mais de 28.600 pessoas e matou mais de 11.000 na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Mas agora há esperança de possíveis avanços nos tratamentos e na vacinação. A OMS pretende iniciar testes clínicos de eficácia de vacinas potenciais no próximo mês ou em ‌novembro, e os testes de tratamentos já estão em andamento.

É NECESSÁRIO FINANCIAMENTO PARA MAIS LEITOS

No entanto, ‌Tedros afirmou que muitas mortes ⁠ocorreram entre pessoas ⁠que não constavam da lista de contatos conhecidos.

"Isso significa que existem cadeias de transmissão das quais não ⁠temos conhecimento", disse ele, acrescentando que muitos dos ‌que morreram ainda estavam sendo ‌enterrados de forma insegura, o que está alimentando a transmissão.

Ele instou a comunidade internacional a aumentar e acelerar o financiamento para o plano de resposta ao Ebola liderado pelo governo congolês, que busca US$1,3 bilhão.

Embora a OMS tenha conseguido enviar 320 ⁠toneladas de suprimentos e aumentado a capacidade de testagem para 3.000 testes por dia, ela precisa de mais financiamento para ajudar a sustentar sua resposta — inclusive para aumentar a capacidade de leitos nos centros de tratamento do Ebola.

Luca Fontana, oficial técnico de saúde e logística técnica da OMS, afirmou que ‌um centro de tratamento com 1.500 leitos custa US$15 milhões por mês.

"Sabemos que estamos fazendo esse pedido em um momento em que o financiamento para assistência humanitária diminuiu", disse ⁠Tedros. "Mas, como sabemos por surtos anteriores de Ebola, podemos controlar essa epidemia se decidirmos fazê-lo."

ENSAIOS CLÍNICOS

Mais de 300 pacientes com Ebola foram incluídos em um ensaio clínico envolvendo dois tratamentos, disse Tedros.

Também estão em andamento ensaios com o medicamento antiviral obeldesivir em pessoas consideradas contatos de alto risco de casos de Ebola, para avaliar se ele é eficaz na prevenção da doença após a exposição ao vírus.

Duas novas vacinas contra o vírus Bundibugyo estão em testes de segurança no Reino Unido e no Canadá. Não se sabe se uma vacina aprovada contra o vírus Ebola do Zaire seria eficaz contra o vírus Bundibugyo; por isso, são necessários ensaios clínicos de eficácia, informou a OMS.

"A OMS está trabalhando com parceiros para levar todas as três vacinas aos ensaios de eficácia na RDC, com início em outubro ou novembro", disse Tedros.

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