Alemanha tem 2º ataque à rede elétrica em menos de 24h
A Alemanha investiga dois possíveis ataques coordenados de sabotagem à sua rede elétrica em menos de 24 horas, ocorridos em Brandemburgo e perto de Colônia. Criminosos usaram artefatos pirotécnicos para lançar cabos condutores contra linhas de transmissão, forçando o desligamento temporário de usinas a carvão, sem causar apagões gerais. As autoridades apuram a autoria com foco em extremismo de esquerda ou ações de potências estrangeiras, em meio a temores de guerra híbrida contra o país.
Material condutor de eletricidade foi lançado sobre linhas de transmissão perto de subestação nos arredores de Colônia, horas depois de um incidente semelhante em Brandemburgo. Autoridades falam em sabotagem.Dois episódios de danos à rede elétrica da Alemanha ocorridos em menos 24 horas em duas regiões distintas do país deixaram as autoridades em alerta e despertaram temores de um apagão de grandes proporções.
Na terça-feira (01/09), horas depois de explosivos terem sido encontrados pela manhã em uma subestação em Brandemburgo, no Leste alemão, a polícia na Renânia do Norte-Vestfália, no Oeste, foi acionada à noite por causa da suspeita de um ataque a uma subestação elétrica na localidade de Bergheim, perto de Colônia.
O curto-circuito forçou o desligamento da rede de várias unidades de usinas termelétricas a carvão, mas, assim como ocorreu em Brandemburgo, não chegou a provocar a interrupção do abastecimento. O Ministério Público de Colônia investiga o caso.
"Há uma suspeita inicial de sabotagem contra a ordem constitucional", declarou o ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul.
Segundo ele, as investigações seguem duas linhas principais: sabotagem coordenada por um Estado estrangeiro e extremismo de esquerda. No momento, nenhuma dessas hipóteses pode ser descartada.
"Isso foi intencional, foi um crime", enfatizou Reul. "Quem faz algo assim está atacando o nosso país."
Os responsáveis pelo curto-circuito teriam lançado material condutor de eletricidade, possivelmente cabos, sobre uma linha aérea de transmissão, provocando o curto-circuito.
Segundo os investigadores, foram encontrados seis dispositivos de lançamento num milharal perto da subestação. Há indícios de que esses dispositivos estejam relacionados ao crime.
O diretor-chefe da polícia criminal, Michael Esser, disse que tudo indica que eles foram construídos para lançar um fio sobre as linhas de energia utilizando artefatos pirotécnicos. Ele classificou o caso como atentado.
Na avaliação do promotor-chefe responsável pelas investigações, Ulrich Bremer, os dispositivos encontrados constituem um "forte indício da prática de um crime intencional".
Como consequência do incidente, diversos blocos geradores de usinas foram desligados, colocando em risco o fornecimento de serviços essenciais à população.
Fortes clarões
A polícia foi acionada na noite de terça-feira, por volta das 20h, para atender a uma ocorrência na subestação da empresa Amprion, em Bergheim. Testemunhas relataram ter visto fortes clarões de luz. O curto-circuito afetou várias linhas de transmissão.
Segundo a ministra da Energia da Renânia do Norte-Vestfália, Mona Neubaur, o incidente provocou a paralisação de cinco unidades geradoras a partir de carvão linhito da empresa RWE Power.
Como consequência da pane, cinco blocos de usinas termelétricas da RWE saíram do sistema em duas localidades, Bergheim e Grevenbroich. No momento do incidente, essas unidades forneciam cerca de 3 mil megawatts (MW) de potência à rede elétrica, comunicou a RWE Power.
Várias linhas de transmissão deixaram de funcionar após o curto-circuito, mas não houve interrupções no fornecimento geral de energia.
De acordo com a RWE Power, já na manhã seguinte uma das cinco unidades afetadas voltou a operar. Outras duas deveriam ser reconectadas à rede ao longo do dia. Também estavam em andamento os trabalhos para reativar as duas unidades restantes.
Incidente semelhante em Brandemburgo
As investigações em Colônia consideram a possibilidade de uma ligação com um incidente recente no estado de Brandemburgo, no leste da Alemanha.
Lá, após uma ocorrência numa subestação próxima à usina termelétrica de Jänschwalde, também estão em curso investigações por suspeita de sabotagem.
Na terça-feira, desconhecidos tentaram provocar curtos-circuitos em linhas de transmissão de altíssima tensão e, segundo as autoridades, conseguiram fazê-lo em dois casos.
Segundo as autoridades, na manhã de terça-feira um cabo foi lançado por meio de um projétil contra uma linha de transmissão numa subestação próxima à usina termelétrica a carvão de Jänschwalde, criando uma conexão condutora com o solo que provocou uma breve interrupção no fornecimento de energia.
De acordo com os primeiros resultados da investigação, há semelhanças nos dois episódios. Em ambos os casos foram encontrados aparentes artefatos pirotécnicos, afirmou Esser.
A polícia do estado de Brandemburgo comunicou nesta quarta-feira que está investigando a possível formação de uma organização terrorista em conexão com um ataque à usina elétrica e à subestação.
O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, declarou que "tivemos muita sorte" de apenas um entre mais de uma dúzia de "objetos semelhantes a foguetes equipados com carga propulsora" ter atingido o alvo.
Redmann não descartou uma eventual responsabilidade de "potências estrangeiras" pelo ataque. O governo federal alemão tem acusado a Rússia de conduzir uma guerra híbrida, por meio de ciberataques, influência política, espionagem e ataques com drones.
Investigadores intensificam cooperação
Um outro incidente semelhante ocorreu em junho, na cidade de Reutlingen, no estado de Baden-Württemberg. Na ocasião, um incêndio numa subestação elétrica deixou aproximadamente 7.600 edifícios e cerca de 40 mil pessoas temporariamente sem energia. As autoridades acreditam que o incêndio tenha sido criminoso, mas ainda não há suspeitos identificados.
Os investigadores dos três estados estão trocando informações. Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (LKA) de Baden-Württemberg, há um intercâmbio de informações com as autoridades responsáveis pelas investigações em Brandemburgo e na Renânia do Norte-Vestfália.
as/ra (ARD, DW, Lusa, Reuters)
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