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Após enchentes devastadoras no Himalaia, Nepal pede 'compensação climática' a nações poluidoras

Após as enchentes devastadoras que deixaram mais de mil mortos no Nepal, equipes de resgate seguem trabalhando na tentativa de localizar sobreviventes. Em meio ao caos, a indignação cresce na capital Katmandu contra os países que mais emitem gases poluentes, uma vez que as mudanças climáticas são a provável causa do desastre, embora isso ainda precise ser confirmado por cientistas. Nesta quarta-feira (2), os ministro nepalês das Relações Exteriores, Shisir Khanal, reforçou o pedido por uma "compensação".

2 set 2026 - 13h04
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Resumo
Após o colapso de uma geleira no Himalaia deixar mais de 1.200 mortos e milhares de desaparecidos em enchentes devastadoras, o governo e a juventude do Nepal passaram a exigir compensação financeira dos maiores poluidores mundiais, como China, EUA e Índia. As autoridades nepalesas mudaram sua postura diplomática para cobrar justiça climática e reparação moral e jurídica, argumentando que o país tem emissões de carbono insignificantes, mas sofre o impacto mais grave de uma crise que não provocou.

Juliette Chaignon, correspondente da RFI em Katmandu

À frente dos protestos na esfera civil, muitos jovens exigem que os maiores poluidores assumam a responsabilidade. Eles argumentam que o Nepal é um dos países com as menores emissões de carbono per capita do mundo — um índice insignificante se comparado ao das nações industrializadas da América do Norte ou da Europa.

"Não é justo. Justiça precisa ser feita", diz indignado o advogado de 31 anos, Aayush, que vive no bairro estudantil de Katmandu.

"Como país em desenvolvimento, o Nepal não tem os recursos, a força de trabalho, a resiliência econômica para enfrentar tais crises", complementa Suraj Raj Pandey, 29 anos. Suraj e seus amigos fazem viagens frequentes a áreas afetadas para levar alimentos doados pelos moradores de Katmandu.

"Precisamos reduzir emissões de carbono"

De acordo com a plataforma de pesquisa Climate Watch, China, Estados Unidos, Índia e os países-membros da União Europeia estão entre os que mais emitem CO2 no planeta. Diante disso, a juventude nepalesa reivindica que essas nações paguem reparações financeiras ao Nepal pelo valor real do dano causado.

"Todos os países que emitem grandes quantidades de carbono devem ser responsabilizados. Afinal, não são eles que estão sofrendo", afirma Aayush. "O que precisamos é reduzir as emissões de carbono, conter as inundações e impedir o recuo das geleiras. Isso é o que mais importa — mais do que nos enviar doações depois que já estamos contando nossos mortos".

O número de mortes por conta da enchente chegou a 1.204, com 4.216 pessoas ainda desaparecidas. O desastre ocorreu em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira na região do Himalaia, na fronteira com a China, desencadeou uma gigantesca onda de água e detritos que atingiu cidades, vales e infraestruturas próximas.

"Estamos mudando nossa abordagem diplomática"

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, fala durante uma entrevista à AFP em Katmandu.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, fala durante uma entrevista à AFP em Katmandu.
Foto: RFI

Em entrevista ao canal local Kantipur TV nesta quarta-feira (2), o ministro nepalês das Relações Exteriores, Shisir Khanal, reforçou a ideia de uma reparação aos danos climáticos e disse que o governo está oficialmente adotando essa abordagem.

"As emissões de gases de efeito estufa do Nepal são praticamente insignificantes. No entanto, estamos pagando o preço mais alto por uma crise global que não criamos", argumenta Khanal.

"Estamos mudando nossa abordagem diplomática de 'ajuda' para 'justiça e compensação'. Não se trata de caridade; trata-se de responsabilidade jurídica e moral. Os grandes emissores industriais, como a China, maior emissora do mundo, seguida pelos Estados Unidos em segundo lugar e pela Índia em terceiro, têm a responsabilidade histórica de compensar nações vulneráveis como o Nepal", concluiu Khanal.

Ele acrescenta que o Ministério das Finanças "enviou uma carta de solicitação formal de compensação climática aos nossos parceiros internacionais".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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