Russia bombardeia Kiev e deixa pelo menos 20 mortos
Capital ucraniana sofreu ataque mais massivo desde início da guerra
Um novo ataque de mísseis e drones da Rússia contra Kiev, capital da Ucrânia, deixou pelo menos 20 pessoas mortas e mais de 80 feridas na madrugada desta quarta-feira (2).
O bombardeio, descrito pelas autoridades ucranianas como o "mais massivo" contra a cidade desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, atingiu áreas residenciais, um hotel no centro e um edifício onde estava alojada a equipe do Parlamento Europeu.
De acordo com o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, o número de feridos chegou a 86, sendo que 70 foram hospitalizados. As operações de resgate seguem em andamento em vários pontos da capital, especialmente em um prédio residencial de múltiplos andares que desabou parcialmente.
Em resposta à tragédia, Klitschko decretou luto oficial para esta sexta-feira (3) em memória das vítimas.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou o ataque como "terror" e afirmou que pediu aos Estados Unidos uma licença para que o país possa produzir os mísseis do sistema de defesa aérea americano Patriot em seu território.
"As entregas de defesa aérea são uma prioridade absoluta e crítica. Contamos também com uma decisão dos EUA sobre as licenças para os Patriots e outras formas de cooperação", declarou o mandatário em publicação nas redes sociais.
A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou que as palavras de condenação não são suficientes para parar a Rússia e anunciou que proporá novas sanções contra entidades que sustentam a indústria militar do país.
"Quanto mais Moscou ataca civis, mais sanções devem ser impostas. Continuaremos a aumentar o custo da operação até que a Rússia entenda que não pode vencer", escreveu a estoniana.
Em meio à destruição, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, expressou alívio pelo fato de a delegação do Legislativo da UE em Kiev estar a salvo, embora o prédio onde estava hospedada tenha sido atingido. "Meu pensamento vai a todos que perderam entes queridos, aos feridos e a todos que, mais uma vez, foram forçados a passar a noite sob ataque", afirmou em publicação no X.
Em Berlim, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha condenou a "brutalidade" do ataque e disse que o presidente Vladimir Putin "não demonstra qualquer disposição para negociar, recorrendo ao terror com mísseis e drones contra a população".
O Ministério da Defesa da Rússia justificou a ofensiva como uma retaliação a ataques ucranianos contra estruturas civis em território russo. Segundo a pasta, foram atingidas empresas do complexo militar-industrial ucraniano, infraestruturas energéticas e aeroportos militares nas regiões de Dnipropetrovsk, Poltava, Cherkasy, Chernihiv e Kiev.
Moscou afirmou ainda ter alvejado uma fábrica de componentes eletrônicos para mísseis de longo alcance Flamingo, utilizados pelas forças ucranianas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também garantiu que a Rússia continuará "aumentando a pressão sobre o regime de Kiev" para alcançar seus objetivos militares.
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