Rubio reitera fala de Trump, defende direito à defesa de Israel e aposta em acordo com Irã
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reafirmou nesta segunda-feira (25) que Israel "sempre" terá o direito de se defender, mesmo em caso de acordo entre Washington e Teerã. "Todos os países do mundo têm esse direito. Se o Hezbollah estiver prestes a lançar mísseis contra eles, Israel tem o direito de reagir", declarou Marco Rubio a jornalistas em Nova Délhi, em sua primeira visita oficial à Índia.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou neste domingo (24) que Donald Trump reiterou "o direito" do país de combater no Líbano, onde o Exército israelense tem como alvo o Hezbollah, apoiado pelo Irã. A afirmação foi feita durante um telefonema entre os dois líderes. Rubio reafirmou nesta segunda que os EUA estão próximos de um acordo "sólido" com o Irã, reiterando declarações de Donald Trump.
"Temos o que acredito ser algo bastante sólido sobre a mesa no que diz respeito à capacidade deles de abrir o Estreito de Ormuz, mas também de entrar em negociações sobre o programa nuclear iraniano", declarou Rubio. "Pensávamos ter notícias ontem à noite, talvez hoje (segunda-feira); não me adiantaria muito sobre isso", acrescentou.
Mas, apesar do progresso nas negociações, Trump pede cautela. "Pedi aos meus representantes que não se apressem em concluir um acordo, pois o tempo joga a nosso favor", escreveu ele em sua plataforma Truth Social. Ele acrescentou também que o bloqueio imposto por seu país aos portos iranianos permanecerá em vigor "até que um acordo seja concluído, certificado e assinado".
"Como o presidente disse, ele não está com pressa, não vai concluir um acordo ruim e não assinará um acordo ruim", enfatizou Marco Rubio nesta segunda. Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril entre o Irã e os Estados Unidos, mas a economia mundial continua sendo afetada pelo bloqueio quase total do Estreito de Ormuz, imposto por iniciativa do Irã há quase três meses.
Segundo a mídia americana, o acordo em preparação entre Teerã e Washington permitiria que navios voltassem a atravessar Ormuz, por onde transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo antes do conflito.
Flexibilização de medidas
Segundo a CBS News, que cita fontes próximas das negociações, a proposta mais recente também incluiria o descongelamento de alguns ativos iranianos mantidos em bancos no exterior.
"No entanto, apesar das discussões iniciadas hoje (domingo), os Estados Unidos continuam a bloquear algumas cláusulas do acordo, especialmente a questão da liberação dos ativos iranianos congelados, e esses pontos permanecem, neste momento, sem solução", informou a agência de notícias Tasnim no fim do dia.
Segundo a agência iraniana Fars, as sanções contra o petróleo, o gás e outros produtos petroquímicos também seriam suspensas durante a continuidade das negociações e permitiriam que o Irã exportasse essas produções, essenciais para sua economia.
O acordo discutido, porém, não envolve a questão nuclear. "As negociações sobre o nuclear são questões altamente técnicas. Não se pode resolver uma questão nuclear em 72 horas sobre a mesa", declarou Marco Rubio ao The New York Times.
Após a reabertura do Estreito de Ormuz, "iniciaremos, de acordo com modalidades acordadas, negociações muito sérias sobre o enriquecimento, o urânio altamente enriquecido e o compromisso deles de nunca adquirir armas nucleares", disse ele, mencionando um prazo de "60 dias".
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou no domingo ter concordado com Trump que qualquer acordo final com o Irã deveria "eliminar completamente a ameaça nuclear", segundo comunicado após uma conversa telefônica entre os dois aliados no sábado à noite.
O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, mediador nessas negociações, reforçou no domingo a hipótese de uma resolução do conflito em várias etapas, ao declarar esperar "receber muito em breve a próxima sessão de negociações". Uma primeira reunião ocorreu em Islamabad em 11 de abril, sem resultados.
O líder do Hezbollah, Naïm Qassem, declarou esperar que o acordo entre Washington e Teerã incluísse seu país. Mas o dirigente do movimento xiita também rejeitou mais uma vez negociações diretas do governo libanês com Israel — cuja quarta rodada está prevista para o início de junho em Washington. Ele reiterou que um eventual desarmamento de sua organização, exigido pelas autoridades libanesas, concretizaria um "projeto israelense".
Com agências
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