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Rubio diz que conversas "históricas" entre Israel e Líbano deveriam chegar a acordo sobre estrutura para paz

14 abr 2026 - 15h04
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O secretário de ‌Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi o anfitrião de uma rara reunião entre embaixadores de Israel e Líbano em Washington nesta terça-feira, dizendo que esperava que os dois países concordassem com uma estrutura para um processo de paz, mesmo com Israel pressionando sua guerra contra o Hezbollah.

Os dois países entraram em suas primeiras negociações diretas desde 1983 com agendas conflitantes, com Israel descartando a discussão de um cessar-fogo e exigindo que Beirute desarme o Hezbollah, alinhado ao Irã.

Mas a presença de Rubio, o principal diplomata e ⁠conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, sinalizou o desejo de Washington de ver progresso.

MOMENTO CRÍTICO NA CRISE DO ORIENTE MÉDIO

A reunião ‌ocorre em um momento crítico da crise no Oriente Médio, uma semana após o início de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.

O Irã afirma que a campanha de Israel contra o Hezbollah no Líbano deve ser incluída em qualquer acordo ‌para encerrar a guerra mais ampla, complicando as negociações mediadas pelo Paquistão com ‌o objetivo de evitar maiores consequências econômicas.

O conflito que começou com os ataques israelenses e norte-americanos ao Irã em 28 ⁠de fevereiro levou à maior interrupção do fornecimento de petróleo da história, pressionando Trump a encontrar uma saída.

Rubio abriu a reunião entre o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, e sua colega libanesa, Nada Hamadeh Moawad, dizendo que esperava que as conversações pudessem iniciar um processo para encerrar permanentemente o conflito no Líbano e impedir que o Hezbollah, que ele chamou de "representante terrorista do Irã", ameaçasse Israel.

A reunião marcou um raro encontro entre representantes de governos que permaneceram tecnicamente em estado de guerra desde a criação de ‌Israel em 1948.

"Este é um processo, não um evento. É mais do que apenas um dia. Isso levará tempo, mas acreditamos que vale ‌a pena esse esforço, e é um ⁠encontro histórico que esperamos desenvolver. E ⁠a esperança hoje é que possamos delinear a estrutura sobre a qual uma paz permanente e duradoura possa ser desenvolvida", disse Rubio.

Rubio foi o ⁠anfitrião das conversações desta terça-feira em meio a perguntas sobre sua falta de ‌participação pessoal nas conversações com o Irã, ‌com o presidente republicano enviando o vice-presidente JD Vance a Islamabad no fim de semana para liderar as negociações dos EUA.

Rubio estava com Trump na Flórida assistindo a um evento de artes marciais mistas enquanto Vance anunciava no Paquistão que as negociações com os iranianos haviam sido concluídas sem nenhum avanço.

O conselheiro do Departamento de Estado Michael Needham, o embaixador dos ⁠EUA na Organização das Nações Unidas, Mike Waltz, e o embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, amigo pessoal de Trump, também estavam participando das negociações nesta terça-feira.

LÍBANO BUSCA CESSAR-FOGO

O presidente libanês, Joseph Aoun, disse em uma declaração no X, quando a reunião começou, que esperava que ela "marcasse o início do fim do sofrimento do povo libanês em geral e dos sulistas em particular".

O governo libanês liderado por Aoun e pelo primeiro-ministro, Nawaf Salam, pediu negociações com Israel, ‌apesar das objeções do Hezbollah, refletindo o agravamento das tensões entre o grupo muçulmano xiita e seus oponentes.

O Hezbollah abriu fogo em apoio a Teerã em 2 de março, provocando uma ofensiva israelense que matou mais de 2.000 pessoas e forçou 1,2 ⁠milhão a deixar suas casas, de acordo com as autoridades libanesas.

Autoridades libanesas disseram que Moawad só tem autoridade para discutir um cessar-fogo na reunião desta terça-feira.

Mas o porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, disse que Israel não discutiria um cessar-fogo.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse a repórteres em Jerusalém, antes da reunião, que as conversações se concentrariam no desarmamento do Hezbollah, que, segundo ele, deve ocorrer antes que Israel e o Líbano possam assinar qualquer acordo de paz e normalizar as relações.

Ele disse que o Hezbollah era um problema para a segurança de Israel e para a soberania do Líbano que precisava ser resolvido para que as relações entrassem em uma fase diferente. "Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado do Líbano", disse ele.

O Estado libanês tem buscado desarmar o Hezbollah pacificamente desde a guerra entre a milícia e Israel em 2024. Qualquer medida do Líbano para desarmá-lo à força corre o risco de desencadear um conflito em um país devastado pela guerra civil de 1975 a 1990. As medidas tomadas contra o Hezbollah por um governo apoiado pelo Ocidente em 2008 provocaram uma curta guerra civil.

O atual governo baniu a ala militar do Hezbollah depois que ele abriu fogo contra Israel no mês passado.

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