RFI lança redação em armênio 100% digital focada nos jovens e no combate à desinformação
Uma redação em língua armênia abre suas portas na Rádio França Internacional em Paris nesta segunda-feira (25). Composta por oito jornalistas, especialistas do país do Cáucaso, a equipe deve se concentrar principalmente na produção de conteúdos digitais voltados à juventude da Armênia. Com a novidade, a RFI passa a contar com 18 línguas em seu quadro de redações internacionais, do qual a redação em português do Brasil faz parte.
A redação armênia, inaugurada nesta segunda-feira, reforça a presença internacional da France Médias Monde. No centro da atualidade do Cáucaso, nos últimos anos, por causa do conflito com o Azerbaijão em torno de Nagorno-Karabakh, a Armênia será palco, nos próximos dias, de eleições legislativas decisivas. Assim como na Hungria no mês passado, um dos principais temas da campanha é a possibilidade de aproximação com a União Europeia, à qual a Rússia se opõe frontalmente.
Esses são alguns dos temas que a nova redação da RFI pretende abordar, em um momento em que o país enfrenta uma queda repentina da liberdade de imprensa. Classificada na 80ª posição do ranking da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em 2018, a Armênia havia melhorado gradualmente após a chegada ao poder do ex-jornalista Nikol Pashinian. Depois de subir para a 34ª posição em 2025 - nove posições atrás da França - o país recuou para o 50º lugar neste ano.
Nesse contexto, e diante do afastamento da juventude armênia dos veículos tradicionais, a redação armênia da RFI quer ser "100% digital" e investir em plataformas como Instagram, Facebook e TikTok, explica a editora-chefe Astrig Agopian.
"A juventude armênia, como a maioria dos jovens no mundo hoje, é hiperconectada. Os meios de comunicação tradicionais foram deixados de lado. Portanto, se quisermos falar com esse público, precisamos passar pelas redes sociais", acrescenta a editora-chefe.
O principal objetivo é "falar com os jovens, produzindo formatos inovadores para informar, contar a atualidade e verificar fatos", diversificando os formatos e contando também com correspondentes no país. A ideia é dar voz aos armênios, realizar reportagens e entrevistas em campo e cobrir as eleições legislativas em tempo real. A jornalista Lilit Shahverdyan será enviada especialmente ao país no fim de maio, uma "benção dos céus", comemora a jovem jornalista natural de Nagorno-Karabakh.
Eleições e combate à desinformação
Primeiro grande teste da nova redação, as eleições legislativas são alvo de campanhas de desinformação vindas da Rússia. Diante desse cenário, e do grande volume de informações falsas nas redes sociais, a redação armênia da RFI pretende fazer da checagem de fatos uma de suas principais prioridades.
A desinformação, seja local ou fruto de estratégias de interferência estrangeira, pode se espalhar rapidamente entre um público "nem sempre preparado para perceber que se trata de informação falsa, já que o ambiente midiático é relativamente frágil", explica Astrig Agopian.
"O que queremos oferecer é, antes de tudo, verificação dos fatos, além de ferramentas para identificar as fake news nesse contexto"
Trata-se de uma maneira de contribuir para o fortalecimento do senso crítico da juventude - e da população armênia em geral, ao mesmo tempo em que consolida a presença da RFI na região. Radicada na França há 16 anos, Tsovinar Banuchyan, integrante da redação responsável principalmente pela produção de vídeos, vê nisso também uma forma de "permanecer próxima da Armênia". "É realmente o paraíso", comemora a doutora em ciência e tecnologia das artes.
"Falar com os cidadãos da República da Armênia"
Outro ponto importante: a produção será realizada exclusivamente em armênio oriental. "É um dos dialetos da língua armênia e é a língua oficial da República da Armênia", explica Astrig Agopian.
Dos cerca de 12 milhões de armênios no mundo, apenas 3 milhões vivem atualmente na Armênia. O genocídio armênio no início do século 20 levou a um êxodo massivo da população, que fugia dos massacres.
Longe do país de origem, essas comunidades passaram por evoluções linguísticas, o que gerou diferenças entre os dialetos oriental e ocidental. "Não é necessariamente a língua falada em toda a diáspora. Nosso objetivo, que explica a escolha do armênio oriental, é realmente falar com os cidadãos da República da Armênia", reforça a editora-chefe.
Apesar dessas diferenças, ela afirma que os dialetos permanecem mutuamente compreensíveis. "Esperamos também ser acompanhados pelos armênios da diáspora", conclui.
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