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Vaticano alerta para 'novas formas de desumanização'

Parolin destacou que humanidade vive 'momento marcado por transformações'

25 mai 2026 - 08h43
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A primeira encíclica do papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas, foi apresentada nesta segunda-feira (25), no Vaticano, como um forte apelo à defesa da dignidade humana diante dos impactos da inteligência artificial e das transformações tecnológicas contemporâneas.

    Durante o evento, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que a humanidade vive um "momento marcado por transformações rápidas, profundas e repletas de responsabilidades", exigindo vigilância contra "novas formas de desumanização".

    Segundo Parolin, o documento insere-se na tradição da Doutrina Social da Igreja e retoma o legado da encíclica Rerum Novarum, publicada pelo papa Leão XIII há 135 anos.

    Para o secretário de Estado do Vaticano, a Igreja é novamente chamada a discernir as "novas coisas" da história, desta vez diante do avanço acelerado da inteligência artificial e das tecnologias digitais.

    "A técnica não pode ser medida apenas pela sua eficácia ou pela rapidez dos seus resultados; ela exige ser reconduzida à verdade da pessoa, à justiça da vida em comum e ao bem de todos os povos da Terra", afirmou Parolin.

    O cardeal alertou ainda para a crescente "assimetria entre poder técnico e sabedoria moral", destacando que a velocidade do progresso tecnológico pode superar a capacidade das instituições e da própria consciência humana de orientá-lo de forma ética.

    A encíclica descreve a humanidade como "magnífica e ferida". O texto denuncia guerras, novas formas de escravidão, o aumento da indiferença e da crueldade, mas, ao mesmo tempo, reafirma a capacidade humana de gerar solidariedade, beleza e fraternidade.

    Durante a apresentação, o cardeal Michael Czerny destacou três conceitos centrais do documento: "engenhosidade, consciência e cuidado". Para ele, a inteligência artificial representa uma grande conquista humana, mas exige discernimento e responsabilidade para evitar o aprofundamento das desigualdades sociais e da exclusão.

    "A direção depende das nossas escolhas", afirmou Czerny, ressaltando que a IA pode tanto contribuir para uma convivência mais justa quanto concentrar poder e ampliar injustiças.

    Ele também enfatizou a necessidade de uma nova educação digital capaz de formar pessoas críticas, livres e conscientes em ambientes cada vez mais automatizados.

    Já o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Victor Manuel Fernández, relacionou a mensagem da encíclica ao cenário atual de guerras, violência e perda de valores humanos. Segundo ele, o Papa dialoga com uma humanidade marcada pela dor, mas ainda capaz de produzir exemplos extraordinários de compaixão e justiça.

    Fernández citou referências presentes no texto, como a Guernica, de Pablo Picasso, a Nona Sinfonia, de Beethoven, e o filme "A Lista de Schindler", além de figuras históricas como Martin Luther King Jr., Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá.

    O cardeal também criticou correntes transhumanistas e propostas de "pós-humanismo" que defendem a superação da condição humana por meio da tecnologia. De acordo com ele, a encíclica reafirma o valor do limite humano, da compaixão e das relações interpessoais.

    Ao encerrar a apresentação, Parolin afirmou que a mensagem central da encíclica é preservar a liberdade humana em um mundo cada vez mais moldado pela automação. "Precisamos aprender a usar ferramentas poderosas sem sermos dominados por elas", declarou.

    A publicação de Magnifica Humanitas marca a primeira grande reflexão doutrinária do pontificado de Leão XIV, posicionando a Santa Sé no centro do debate global sobre o poder da inteligência artificial, ética, tecnologia e dignidade humana.

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Ansa - Brasil
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