Revisão do Pentágono sobre Otan prepara opções sobre tropas dos EUA na Europa
Uma análise do Pentágono apresentará até novembro opções sobre a presença militar dos EUA na Europa, gerando receio na Otan sobre possíveis cortes no contingente de 80 mil soldados. A revisão, motivada por frustrações do governo Trump com o baixo apoio de aliados a operações como a contra o Irã e com gastos de defesa, avaliará a cooperação em bases e sobrevoos. O objetivo de Washington é reduzir recursos no continente e exigir que os países europeus assumam maior responsabilidade militar.
Uma análise do Pentágono sobre o posicionamento das tropas norte-americanas na Europa apresentará pelo menos quatro conjuntos de opções ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, até 6 de novembro, bem antes do prazo final de dezembro para a conclusão da análise, conforme um documento ao qual a Reuters teve acesso.
Os aliados da Otan temem que a revisão de seis meses, anunciada em junho, leve a cortes em grande escala nas cerca de 80 mil forças norte-americanas espalhadas pela Europa e penalize os países que, na opinião do presidente Donald Trump, não apoiaram a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os "Termos de Referência" do Pentágono, que ainda não haviam sido detalhados, explicam as etapas que a revisão interna seguirá e alguns dos critérios que serão utilizados para avaliar as decisões dos EUA sobre a localização de bases em toda a Europa.
Uma revelação importante no documento é um plano para que o general de mais alto escalão dos EUA na Europa participe de uma reunião de orientação sobre a decisão com o chefe de política do Pentágono, Elbridge Colby, até 18 de setembro, de acordo com o documento.
Essa reunião será fundamental, segundo o documento, para discutir as opções a serem apresentadas a Hegseth.
CETICISMO SOBRE REVISÃO DOS EUA
Espera-se que Colby converse com os embaixadores da Otan sobre a revisão nesta quinta-feira, na sede da aliança em Bruxelas.
Questionada sobre os Termos de Referência, uma autoridade de alto escalão do Pentágono disse que o fato de um leque de opções ser elaborado, em detalhes, ressalta a seriedade do processo.
"Queremos poder discutir os prós e os contras de uma variedade de diferentes níveis ou disposições de força", disse a autoridade à Reuters.
Não está claro, no entanto, se os detalhes convencerão as autoridades europeias céticas em relação ao processo de revisão. Os europeus afirmam, em particular, estar preocupados com a possibilidade de a decisão de Washington já estar praticamente tomada.
O governo Trump há muito sinaliza que pretende reduzir os recursos militares que dedica à Europa, em meio à expectativa de que os aliados da Otan assumam uma parcela maior do ônus do que têm assumido historicamente.
Trump também se mostrou indignado com o fato de os aliados europeus da Otan terem, há muito tempo, contado com as garantias de segurança dos EUA, ao mesmo tempo em que ofereciam apoio inadequado à guerra contra o Irã. Entre as acusações está o fato de alguns aliados não terem concedido acesso a bases e sobrevoo para aeronaves de guerra dos EUA, ou terem demorado demais para fazer isso.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, demonstrou certa compreensão pela decepção de Trump, mas afirmou que a grande maioria dos europeus tem sido prestativa.
O funcionário do Pentágono disse que o governo Trump deixou claro que "estamos fazendo a transição para fornecer apoio essencial, porém mais limitado, com os aliados assumindo a liderança".
"O presidente Trump também tem se mostrado, com toda razão e de forma clara, frustrado com o comportamento de certos aliados nos últimos meses. Portanto, há claramente pelo menos algum sinal de demanda por opções que nos levem a (reduzir) nossos níveis de força na Europa", disse o funcionário, sob condição de anonimato para discutir o assunto.
Ainda assim, o funcionário disse que a revisão buscava "oferecer um leque de opções, desde onde estamos até onde quer que" a revisão nos leve.
HEGSETH REPREENDE ALGUNS ALIADOS
Ao anunciar a revisão em junho, Hegseth repreendeu alguns aliados da Otan e afirmou que a revisão garantiria que "o acesso, as bases e o sobrevoo das Forças Armadas dos EUA fossem claramente delineados".
Os Termos de Referência vão além.
Além de exigir direitos confiáveis de acesso, instalações e sobrevoo dos EUA -- conhecidos como ABO -- nos países aliados da Otan, eles examinam "arquiteturas e infraestruturas espaciais, cibernéticas e de inteligência que possibilitam a projeção de poder global dos EUA", afirma o documento.
O Pentágono ampliou a definição de ABO para garantir que os EUA levem em conta todos os tipos de apoio que os aliados da Otan fornecem, disse a autoridade de alto escalão.
Os Termos de Referência também abordam outras formas pelas quais os aliados serão avaliados e parecem estar em consonância com declarações anteriores de autoridades de alto escalão dos EUA.
O documento afirma que o Pentágono buscará determinar se os aliados têm um caminho viável para cumprir suas promessas de gastos com a Otan e preencher lacunas nas forças de crise da Otan -- conhecidas como Modelo de Forças da Otan -- após os cortes anunciados pelos EUA no início deste ano.
A Reuters noticiou que um questionário dos EUA foi enviado aos aliados para orientar a revisão. Ele abrange questões que vão desde gastos com defesa até estratégia, aquisições e apoio às prioridades da política externa dos EUA.
"O país impôs alguma restrição ao acesso, às bases e ao sobrevoo (ABO) dos EUA? Em caso afirmativo, por quê? Estão dispostos a reduzir ou eliminar tais restrições?", perguntaram os EUA em seu questionário.
"O país se opôs publicamente a regulamentações ou outras medidas destinadas a inibir ou reduzir a cooperação industrial de defesa transatlântica? Se sim, de que forma? Se não, estaria disposto a fazê-lo?", dizia outra pergunta.
As respostas devem ser enviadas até sexta-feira.
"Estamos trabalhando muito, muito intensamente, e o prazo é relativamente curto", disse o funcionário. "Muitas análises prévias servirão de base para isso, o que deve nos permitir agir mais rapidamente da nossa parte."
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