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Resgates continuam no Nepal; China suspende operações diante de risco de nova avalanche

A China suspendeu temporariamente nesta sexta-feira (28) os trabalhos de resgate na região autônoma do Tibete, devido a um risco de nova tragédia no Himalaia. Uma devastadora avalanche de água, lama, rochas e gelo atingiu a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete na quarta-feira, deixando um rastro de destruição que já soma pelo menos 472 mortos e mais de 1.400 desaparecidos.

28 ago 2026 - 07h10
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Resumo
O colapso de uma geleira causou inundações devastadoras no Nepal e no Tibete, destruindo vilarejos e projetos hidrelétricos, além de deixar centenas de moradores e turistas desaparecidos. Enquanto o Nepal usa helicópteros no resgate de trabalhadores ilhados, a China suspendeu as buscas em Gyirong devido ao risco de novo rompimento de barragem de detritos. Considerado o desastre mais letal na região desde 2015, o evento reforça os alertas sobre o impacto do aquecimento global no Himalaia.

O fenômeno destruiu vilarejos inteiros e arrastou estradas, pontes e instalações de projetos hidrelétricos. Entre os desaparecidos estão moradores, peregrinos e turistas estrangeiros de países como Índia, Ucrânia, Malásia, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Militares do Exército carregam um morador resgatado em um acampamento militar após as enchentes repentinas, na cidade de Battar Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 28 de agosto de 2026.
Militares do Exército carregam um morador resgatado em um acampamento militar após as enchentes repentinas, na cidade de Battar Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 28 de agosto de 2026.
Foto: AFP - PRABIN RANABHAT / RFI

No Tibete, a situação se agravou com a suspensão temporária das operações de resgate em Gyirong. A decisão foi tomada depois que as autoridades identificaram uma grande retenção de água formada pela acumulação de detritos em altitude. O volume pode chegar a 3 milhões de metros cúbicos nos próximos dias, enquanto as chuvas contínuas elevam o nível da água e aumentam o risco de rompimento.

Segundo as autoridades chinesas, a água já começou a transbordar em direção a Gyirong. Um eventual rompimento da barreira poderia provocar uma nova inundação de grandes proporções nas áreas situadas rio abaixo. Diante do risco, as equipes de emergência receberam ordem para interromper os trabalhos e permanecer em áreas seguras.

Imagens de câmeras de segurança registraram a força da primeira onda, que atingiu o posto fronteiriço de Gyirong e, em poucos segundos, engoliu construções e pessoas. Cerca de 700 bombeiros, apoiados por drones e cães de busca, foram mobilizados na região.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou que fossem utilizados todos os recursos disponíveis para localizar e resgatar os desaparecidos. Segundo as autoridades chinesas, 260 dos desaparecidos no Tibete são estrangeiros. Mais de mil moradores e turistas já haviam sido retirados da área atingida.

No Nepal, as operações de socorro enfrentam condições igualmente difíceis, agravadas pelo relevo montanhoso, pelas chuvas e pela destruição da infraestrutura. O exército mobilizou helicópteros para tentar retirar mais de uma centena de trabalhadores presos em um túnel de um projeto de barragem hidrelétrica no rio Trishuli. Cerca de 350 trabalhadores e moradores já haviam sido deslocados da região.

Um dos trabalhadores resgatados relatou que conseguiu sobreviver porque estava dentro de um dos túneis quando a onda de água e lama atingiu o canteiro de obras. Segundo ele, havia pelo menos 400 trabalhadores no local.

Colapso de geleira

A origem exata do desastre ainda está sendo investigada, mas os primeiros dados apontam para o colapso de uma geleira e o desmoronamento de uma grande porção da montanha. A violência do fenômeno foi suficiente para gerar ondas sísmicas inicialmente registradas como um terremoto de magnitude 5,2.

Segundo especialistas, a massa de gelo, rochas e detritos teria bloqueado temporariamente o curso de um rio, formando uma barragem natural. Quando essa barreira cedeu, uma enorme quantidade de água e sedimentos avançou pelo vale em alta velocidade, incorporando ainda mais material ao longo do percurso.

O glaciologista Etienne Berthier afirmou à AFP que o desabamento de um bloco inteiro da montanha, que carregou consigo uma geleira, ajudou a explicar a dimensão da catástrofe. O gelo contribuiu para tornar a massa de detritos mais fluida, aumentando a velocidade e o poder destrutivo da corrente.

Mudanças climáticas

Ainda são necessários estudos para determinar qual foi exatamente a contribuição do aquecimento global para o desastre. Especialistas, porém, alertam que o aumento das temperaturas pode desestabilizar geleiras, lagos glaciais e solos permanentemente congelados nas regiões de alta montanha.

Uma das hipóteses inicialmente consideradas foi a de uma descarga súbita de um lago glacial, conhecida como GLOF (glacial lake outburst flood). Esse tipo de fenômeno ocorre quando uma grande quantidade de água acumulada é liberada de forma repentina, podendo provocar inundações extremamente destrutivas.

O risco é particularmente elevado na região do Himalaia, onde milhões de pessoas vivem nas bacias hidrográficas e onde a expansão de usinas hidrelétricas e estruturas turísticas aumenta a exposição das populações a deslizamentos e inundações.

O desastre é apontado como o mais letal no Nepal desde o terremoto de 2015, que deixou cerca de 9 mil mortos. As grandes inundações de 1993, por sua vez, provocaram mais de 1.300 mortes.

Com AFP

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