Nepal monitora dois lagos; risco de enchentes deve persistir até que sejam totalmente esvaziados, diz autoridade
Nepal e China atribuíram a enchente ao colapso de uma geleira que empurrou rochas, gelo, lama e detritos para os sistemas fluviais
As autoridades do Nepal estão monitorando dois lagos a montante após um deles transbordar, alertando que o risco de enchentes persistirá até que ambos esvaziem totalmente. O acompanhamento atual é feito por imagens de satélite limitadas, mas o governo planeja mobilizar helicópteros para instalar sensores e câmeras a jusante, inclusive perto da cidade fronteiriça de Timure.
O Nepal está monitorando dois lagos a montante da zona de inundação, um dos quais começou a transbordar na sexta-feira, 28, informou representante da Autoridade de Gestão de Desastres do Nepal.
O risco de enchentes permanecerá até que os dois lagos tenham escoado totalmente, acrescentou.
As autoridades nepalesas estão contando com imagens de satélite para acompanhar as condições, embora o monitoramento seja limitado pela disponibilidade das imagens, disse o representante.
O Nepal planeja instalar câmeras e sensores a jusante, inclusive perto da cidade fronteiriça de Timure, e está avaliando opções de implantação por meio de helicópteros, afirmou ele.
As operações de busca e resgate ainda estão em andamento nos vales e encostas repletos de detritos, com cerca de 1.000 pessoas ainda desaparecidas após a enchente de quarta-feira que atingiu as regiões fronteiriças do Nepal e do Tibete, da China.
Ambos os países atribuíram a enchente ao colapso de uma geleira que empurrou rochas, gelo, lama e detritos para os sistemas fluviais nas montanhas.
A autoridade de desastres do Nepal emitiu um comunicado na quinta-feira, 27, alertando que um lago formado por detritos que bloqueiam um rio no local da enchente está subindo e corre o risco de transbordar.
"Solicita-se aos moradores das margens mais baixas... passageiros, equipes de resgate envolvidas nas operações e todas as pessoas envolvidas que tomem cuidado redobrado e permaneçam em locais seguros, longe das margens do rio e de áreas de risco", afirmou a autoridade.
A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem fluir para um lago já represado em seu lado da fronteira nos próximos três dias, criando um alto risco de rompimento, com pico de vazão previsto para por volta de 1º de setembro.
A formação de um lago de barragem foi registrada em imagens aéreas por uma equipe de resgate chinesa na quinta-feira, informou a emissora estatal CGTN.
As imagens mostravam grandes volumes de água barrenta se acumulando em uma bacia sem saída visível. A água já havia submergido arbustos e árvores e parecia exercer pressão contra uma barreira de detritos e pedras.
A previsão de chuvas para a próxima semana agravará a ameaça, informou a mídia estatal chinesa, citando o Ministério de Recursos Hídricos da China.
"O volume de água continua aumentando, assim como o risco", disse Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do Ministério de Recursos Hídricos, à emissora estatal CCTV.
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