Ratko Mladic chega ao centro penitenciário holandês em Haia
31 mai2011 - 16h42
(atualizado às 17h57)
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O ex-chefe militar dos sérvio-bósnios, Ratko Mladic, já foi levado, na noite desta terça-feira, ao alojamento penitenciário do Tribunal Penal Internacional para a extinta Iugoslávia (TPII) em Haia, depois de extraditado pela Sérvia e ter permanecido foragido por 16 anos, anunciou o tribunal em comunicado. "Maldic, detido no dia 26 de maio, já está no centro penitenciário das Nações Unidas em Haia", informou o TPII, criado pelas Nações Unidas em 1993.
Carro em que acredita-se que esteja o general Ratko Mladic se aproxima da prisão holandesa de Scheveningen
Foto: Reuters
Horas antes, a justiça sérvia havia rejeitado o recurso de apelação apresentado por Mladic contra a sua transferência para o TPII. "Mladic é acusado de crimes contra a Humanidade e graves violações do Direito Humanitário. Ao decidir a transferência, a Sérvia cumpriu sua obrigação internacional e moral", acrescentou a ministra. "Trata-se de uma mensagem de reconciliação na região", insistiu a ministra.
Termina assim a longa fuga do ex-chefe militar que durante anos escapou da justiça internacional, até ser detido quinta-feira na Sérvia em uma aldeia situada a cerca de 100 km de Belgrado. O procedimento judicial de sua transferência para Haia foi bruscamente acelerado nesta terça-feira, quando a Alta Corte de Belgrado rejeitou a apelação.
Sinal de que sua partida era iminente, Ratko Mladic foi levado nesta terça-feira de madrugada para visitar o túmulo de sua filha no cemitério de Topcider, em Belgrado, atendendo a um pedido que ele mesmo havia feito ao ser detido. Ana Mladic, estudante de Medicina, se suicidou em 1994 aos 23 anos. Segundo a imprensa, a jovem não suportava mais ver seu pai acusado das atrocidades cometidas durante a guerra da Bósnia (1992-1995).
Depois da visita, havia rosas e um círio sobre o túmulo. Na segunda-feira, Mladic também teria conseguido ver seus netos pela primeira vez desde sua detenção. A defesa sustentava que seu estado de saúde "alarmante" não permitia que fosse enviado para Haia para ser julgado, mas os juízes da Alta Corte rejeitaram o argumento.
A chegada de sua mulher, Bosiljka, com uma grande mala azul e a saída em alta velocidade de um comboio de veículos do tribunal sérvio para os crimes de guerra, por volta das 14h40 GMT (11h40 de Brasília), dissiparam as últimas dúvidas sobre a partida do general. Mladic é acusado pelo TPII de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade por seu suposto papel durante a guerra da Bósnia (1992-1995), principalmente pelo massacre de cerca de 8 mil pessoas em Srebrenica (Bósnia) em 1995, o maior já cometido na Europa depois do final da Segunda Guerra Mundial.
Também deve responder em particular pelo cerco a Sarajevo que provocou a morte de cerca de 10 mil pessoas. Mladic pode ser condenado à prisão perpétua. A detenção de Ratko Mladic provocou reações dos ultranacionalistas sérvios, na Sérvia e na Bósnia, com uma manifestação de 10 mil a 15 mil pessoas no domingo à noite em Belgrado.
Os sérvios da Bósnia denunciaram a Sérvia, nesta terça-feira em Banja Luka, capital da República Srpska, atacando em particular o presidente sérvio Boris Tadic por ter ordenado a prisão de seu ex-chefe militar e chamando a Sérvia de "madrasta".
Em dezembro de 1995, o general Radko Mladic faz saudação militar durante uma cerimônia, em Vlasenica
Foto: Reuters
Em foto de abril de 1995, o general Radko Mladic aparece ao lado do então líder sérvio Radovan Karadzic
Foto: Reuters
Em foto de 1996, o general Ratko Mladic sorri durante cerimônia de aniversário do Exército bósnio-sérvio, em Han Pijesak
Foto: AP
O comandante militar Ratko Mladic e o líder Radovan Karadzic, em foto sem data especificada
Foto: AP
O comandante militar Radko Mladic, em foto tirada em 1993, em Pale
Foto: Reuters
O comandante militar Ratko Mladic em 1995, durante visita a tropas em Vlasenica
Foto: AP
O general Radko Mladic chega a reunião no aeroporto de Sarajevo, em 6 de agosto de 1993
Foto: Reuters
O comandante militar Ratko Mladic viaja de helicóptero na região da cidade bósnia de Zepa, em julho de 1995
Foto: Reuters
O presidente sérvio, Boris Tadic, faz pronunciamento em Belgrado e confirma a prisão de Ratko Mladic
Foto: AP
O comissário europeu de Ampliação, Stefan Fule, faz pronunciamento e anuncia a prisão de Ratko Mladic, em Bruxelas
Foto: EFE
Policial faz guarda em frente em frente à Corte Especial para Crimes de Guerra, em Belgrado
Foto: EFE
Equipes de imprensa esperam em frente à prisão de Scheveningen, na Holanda, para onde o ex-general será levado
Foto: EFE
Foto: Terra
Foto divulgada pelo jornal sérvio Politika sem data especificada mostra o ex-general Ratko Mladic
Foto: Politika / AFP
A prisão do ex-general servo-bósnio Ratko Mladic foi destaque nos principais jornais do país
Foto: Reuters
Na cidade bósnia de Banja Luka, parece carrega a frase "Ratko Mladic herói", exaltando o ex-comandante acusado da morte de quase 8 mil pessoas
Foto: AP
Bosiljka, mulher de Ratko Mladic, chega à Corte de Belgrado com o advogado Milos Saljic
Foto: AP
Darko Mladic (dir.), filho do ex-comandante Ratko, fala a jornalistas após deixar a Corte Especial de Belgrado
Foto: AP
Ratko Mladic vivia escondido nesta casa, na vila de Lazarevo, localizada na cidade de Zrenjanin, no norte da Sérvia
Foto: AP
Bosiljka Mladic, mulher do ex-comandante sérvio, na saída da Corte Especial de Belgrado
Foto: AP
Separador dia 28 de maio
Foto: Terra
Policiais protegem o prédio da Corte Especial, em Belgrado. Mladic, 69 anos, um dos criminosos de guerra mais procurados do mundo, foi preso na última quinta-feira, após 16 anos foragido
Foto: AP
Policiais fortemente armados isolaram os arredores da corte de Belgrado na manhã desta terça-feira
Foto: AP
Equipes de TV se posicionam em frente aos portões de um centro de detenção em Haia, para onde Mladic deve ser transferido
Foto: AP
Comboio deixa a corte de Belgrado levando Ratko Mladic, que será extraditado, para o aeroporto
Foto: AFP
Avião em que acredita-se que esteja Ratko Mladic pousa no aeroporto de Roterdã, na Holanda
Foto: Reuters
Helicóptero que estaria carregando o general Ratko Mladic decola do aeroporto de Rotterdam rumo à prisão
Foto: AP
Carro em que acredita-se que esteja o general Ratko Mladic se aproxima da prisão holandesa de Scheveningen
Foto: Reuters
Ratko Mladic coça o pescoço antes de se recusar a responder às perguntas da promotoria no início do longo processo de Haia
Foto: Reuters
Em Srebrenica, na Bósnia, mulheres acompanham o início do julgamento de Mladic; na parede, fotos das vítimas do massacre
Foto: AP
Ratko Mladic toma água durante o primeiro dia do julgamento na Holanda
Foto: Reuters
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