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Quase 1.000 crianças foram vítimas de abuso em três dioceses de Massachusetts, segundo apuração de inquérito estadual

30 set 2026 - 20h35
(atualizado às 21h38)
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Resumo
Um inquérito da Procuradoria-Geral de Massachusetts revelou que mais de 270 clérigos abusaram de quase mil crianças ao longo de décadas em três dioceses católicas do estado. O documento aponta que as lideranças encobriram os crimes para proteger a reputação da Igreja. A maioria dos casos ocorreu antes de 2002 e já prescreveu, levando a procuradora Andrea Campbell a pedir reformas nas dioceses e novas leis estaduais, como o fim do prazo de prescrição para processos civis de abuso infantil.

Mais de 270 clérigos católicos abusaram sexualmente ‌de quase 1.000 crianças em três dioceses de Massachusetts ao longo de décadas, de acordo com um relatório investigativo divulgado nesta quarta-feira pela procuradora-geral do Estado.

O relatório apresentou o que a procuradora-geral de Massachusetts, Andrea Joy Campbell, chamou de primeiro relato público completo dos abusos e das falhas institucionais que permitiram que eles se proliferassem por mais de meio século nas dioceses católicas ⁠de Fall River, Springfield e Worcester.

A maioria dos abusos detalhados no relatório ocorreu antes de 2002, ano ‌em que o escândalo de abuso sexual por clérigos ganhou destaque internacional devido a uma reportagem do Boston Globe — vencedora do Prêmio Pulitzer — sobre como autoridades da Arquidiocese Católica Romana ‌de Boston encobriam rotineiramente os abusos sexuais cometidos por padres.

A ‌investigação da procuradora-geral do Estado documentou anos de problemas semelhantes nas três dioceses em ⁠outras partes de Massachusetts, que, segundo Campbell, sabiam que crianças estavam sendo abusadas por padres e outros clérigos.

"Com muita frequência, elas protegeram a reputação da Igreja em vez de proteger as crianças", disse Campbell.

O relatório contabilizou pelo menos 275 membros do clero acusados de abusar de 944 crianças.

"Por trás de cada um desses números está uma criança cuja segurança foi violada, uma família que mudou ‌para sempre e um sobrevivente que carregou o trauma desse abuso por anos e, em muitos ‌casos, décadas", disse Campbell aos repórteres.

A ⁠Diocese de Worcester, em ⁠comunicado, afirmou que analisaria o relatório "para identificar quaisquer melhorias adicionais que possam ser feitas para atender às vítimas ⁠de abusos passados e para continuar a fortalecer ‌os esforços para garantir a segurança ‌das crianças".

O bispo de Fall River, Edgar da Cunha, emitiu um pedido de desculpas aos sobreviventes de abuso sexual infantil, dizendo que estava "cheio de tristeza diante do relato histórico de incidentes e práticas que refletem as trágicas falhas na proteção dos mais vulneráveis".

O bispo ⁠de Springfield, William Byrne, em comunicado, classificou o relatório como "humilhante". Ele disse que, antes de sua divulgação, sua diocese já estava "ocupada corrigindo nossas falhas passadas, implementando muitas políticas e procedimentos novos e baseados na abordagem do trauma".

A reportagem de 2002 do Boston Globe, que mais tarde foi retratada no filme "Spotlight", vencedor do Oscar em 2015, ‌desencadeou uma onda global de investigações que revelaram padrões semelhantes em dioceses em todo o mundo e levou a Assembleia Legislativa de Massachusetts a aprovar uma série de reformas.

Em 2019, a ⁠então procuradora-geral Maura Healey, hoje governadora de Massachusetts, iniciou uma investigação criminal nas dioceses católicas romanas de Fall River, Springfield e Worcester para determinar se elas ou suas lideranças tinham responsabilidade em relação à supervisão de clérigos que abusaram de crianças.

Campbell, que afirmou ter sido ela própria vítima de abuso infantil nas mãos de um parente, disse que seu gabinete encaminhou três casos aos promotores públicos locais durante a investigação, o que resultou em acusações em um caso em Worcester.

Seu gabinete não deu andamento a nenhum processo judicial porque algumas condutas não eram ilegais na época em que ocorreram ou porque o prazo de prescrição já havia expirado, disse ela.

Campbell afirmou que o relatório demonstrou a necessidade de as dioceses instituírem reformas e de novas leis estaduais que apoiem sobreviventes de abuso, incluindo a eliminação do prazo de prescrição para ações civis envolvendo abuso sexual infantil.

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