Promotores suíços intimam proprietários de bar onde 40 morreram em incêndio
Promotores suíços convocaram nesta sexta-feira os proprietários de um bar em uma estação de esqui onde um incêndio no dia de Ano Novo matou 40 pessoas, em meio a críticas crescentes de que o casal dono do estabelecimento ainda está foragido.
Os promotores estão investigando os proprietários franceses por suspeita de crimes, incluindo homicídio por negligência, enquanto as famílias das vítimas apresentaram queixas legais sobre o incêndio no bar "Le Constellation", na cidade de Crans-Montana.
Com seis italianos entre os mortos, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu punição severa para todos os responsáveis pela tragédia.
Os proprietários, Jacques e Jessica Moretti, não responderam às perguntas dos repórteres ao entrarem no escritório do promotor público na cidade vizinha de Sion nesta sexta-feira, que as autoridades suíças designaram como um dia de luto nacional.
O casal expressou sua tristeza pelo incêndio e disse que cooperaria totalmente com a investigação. Mais da metade das 40 pessoas mortas no incêndio eram adolescentes e outras 116 pessoas ficaram feridas, muitas delas gravemente.
"Estamos devastados e tomados pela tristeza, nossos pensamentos estão constantemente com as vítimas, seus entes queridos que sofreram um luto tão brutal e prematuro, e todos aqueles que estão lutando por suas vidas", disseram eles em uma declaração no dia 6 de janeiro.
Os promotores disseram no último fim de semana que os critérios legais para a detenção do casal não haviam sido cumpridos até o momento.
Testemunhas e promotores disseram que o incêndio parece ter sido iniciado pelo uso de artefatos pirotécnicos que incendiaram a espuma de isolamento acústico no teto do porão do bar.
Ainda há dúvidas sobre a fiscalização sobre o bar, que o prefeito local admitiu esta semana ter deixado de passar por várias verificações de segurança.
Vinte e um dos mortos eram da Suíça, sete da França e seis da Itália. Havia também um suíço-francês com dupla nacionalidade e um francês-britânico-israelense.
Espera-se que os presidentes da França e da Itália participem da cerimônia de sexta-feira na cidade vizinha de Martigny para marcar a tragédia e lembrar as vítimas.
Em discurso em Roma na sexta-feira, Meloni prometeu ajudar as famílias das vítimas italianas em sua busca por justiça e disse que estava considerando a possibilidade de introduzir na Itália uma proibição do uso de fogos de artifício em espaços fechados.
"O que aconteceu em Crans-Montana é o resultado de muitas pessoas que não fizeram seu trabalho ou pensaram que estavam ganhando dinheiro fácil. Os responsáveis devem ser identificados e processados", disse ela em sua coletiva de imprensa anual.
Em Crans-Montana, as autoridades colocaram centenas de cartas, ursos de pelúcia e buquês de flores para as vítimas do incêndio embaixo de um iglu para proteger os itens da queda de neve. Algumas lojas fecharam e colocaram pôsteres alusivos à tragédia em suas vitrines.
"Ainda há raiva por trás de tudo isso. Isso não deveria ter acontecido. Minhas filhas frequentavam aquele bar; era jovem, animado e barato. Mas, claramente, houve algumas falhas graves", disse o francês Emmanuel Guian, de 65 anos, que esquia em Crans-Montana há décadas.