Procuradoria de Roma enviará investigadores para apurar incêndio na Suíça
Tragédia em Crans-Montana provocou a morte de 40 pessoas, incluindo italianos
A Procuradoria de Roma está pronta para enviar uma equipe de investigadores à Suíça para apoiar as autoridades locais na apuração do incêndio ocorrido em Crans-Montana, que provocou 40 mortes, incluindo seis italianos, no dia 1º de janeiro.
A ação está prevista na carta rogatória enviada recentemente aos magistrados de Sion, responsáveis pelas investigações.
A equipe romana será composta por agentes da Unidade Volante e deverá viajar à Suíça até fevereiro para reuniões com os colegas suíços.
Na carta rogatória, os investigadores solicitaram acesso a toda a documentação já coletada, incluindo licenças do bar Costellation, verificações realizadas pelas autoridades locais e o status das normas de prevenção de acidentes e segurança.
O inquérito em Roma, atualmente aberto contra pessoas desconhecidas, também inclui investigação sobre homicídio culposo e doloso. Com a chegada dos documentos suíços, os primeiros suspeitos a serem formalmente registrados serão os proprietários do bar, Jacques Moretti e sua esposa Jessica.
Em paralelo, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, recebeu o embaixador da Itália na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, para consultas sobre o caso, após a decisão do tribunal de libertar o proprietário do clube.
O chanceler italiano afirmou que é necessário garantir transparência e respeito à memória das vítimas. Em entrevista ao programa Ping Pong, da Rai Radio 1, Tajani classificou como "escandalosa" a libertação dos responsáveis, alertando para riscos de fuga e adulteração de provas, mas reforçando a importância do devido processo legal.
A tragédia no bar Le Constellation na madrugada de 1º de janeiro custou as vidas de 40 pessoas, incluindo os adolescentes italianos Achille Barosi, Chiara Costanzo, Emanuele Galeppini, Giovanni Tamburi e Riccardo Minghetti, de 16 anos, e Sofia Prosperi, de 15.
Além dos mortos, outros 14 cidadãos italianos ficaram feridos, muitos dos quais seguem em estado grave.
O incêndio foi deflagrado possivelmente por velas pirotécnicas que teriam lançado chamas no revestimento de espuma do teto do Constellation, que estava lotado para o Réveillon em meio à alta temporada de inverno na Suíça.
A prefeitura de Crans-Montana admitiu que o bar não era inspecionado pelas autoridades municipais desde 2020, e os gestores do local se tornaram alvos de uma investigação do Ministério Público da Suíça.