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Pressão de Trump leva Otan a acelerar reforço militar e anunciar contratos bilionários

Os líderes da Otan anunciaram nesta terça‑feira (7), em Ancara, na Turquia, uma série de contratos de armamento que somam dezenas de bilhões de dólares, um esforço para aumentar as capacidades de defesa europeias diante do posicionamento dos EUA. O presidente americano, Donald Trump, presente no encontro, tem insistido para que os aliados europeus assumam maior responsabilidade por sua própria segurança.

7 jul 2026 - 14h07
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Os novos contratos de armamento, assinados pela Otan, são uma clara tentativa de convencer Trump de que os europeus estão levando a sério o reforço de suas capacidades de defesa, como exigem os Estados Unidos. No ano passado, o presidente americano conseguiu que europeus e Canadá se comprometessem a destinar ao menos 5% do PIB à segurança. Muitos ainda estão longe desse patamar, mas o secretário‑geral da Otan, Mark Rutte, acredita que pode convencer o republicano de que o movimento já começou.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (direita), recebe o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Ancara, onde participam da cúpula da Otan. Em 7 de julho de 2026.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (direita), recebe o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Ancara, onde participam da cúpula da Otan. Em 7 de julho de 2026.
Foto: © Dogukan Keskinkilic / via Reuters / RFI

Nesta terça-feira, Rutte apresentou uma série de iniciativas para ampliar a cooperação militar e industrial entre os aliados. Entre elas, um investimento de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 216 bilhões) nos próximos cinco anos em sistemas de combate a drones, além da criação de coalizões multinacionais para compras conjuntas de equipamentos. A Aliança também anunciou a aquisição de drones de vigilância MQ‑4C Triton, que complementarão a frota de RQ‑4D Phoenix baseada em Sigonella, na Itália, e a formação de uma nova frota estratégica de aviões A400M, além da expansão da de A330 MRTT, já existente.

O secretário-geral destacou que os países europeus da Otan e o Canadá aumentaram seus gastos militares em cerca de 20% em 2025, um acréscimo de US$ 90 bilhões (cerca de R$ 486 bilhões) em relação ao ano anterior, ultrapassando US$ 570 bilhões (aproximadamente R$ 3,08 trilhões). Os Estados Unidos também discutem com a Alemanha e outros países a criação de linhas de produção conjuntas de mísseis, diante da pressão sobre os estoques americanos causada pelos conflitos na Ucrânia e no Irã.

No fim de junho, o Comissário Europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, afirmou que a Europa precisava substituir rapidamente as capacidades militares que os Estados Unidos vão retirar do continente. Caso contrário, esta retirada representaria "um convite aberto" para o presidente russo, Vladimir Putin, "testar" a capacidade de dissuasão dos aliados europeus.

Fontes disseram à Reuters que Trump pode sinalizar ao presidente turco que está disposto a permitir o retorno da Turquia ao programa dos caças F‑35, do qual o país foi excluído em 2019 após adquirir o sistema russo S‑400.

"Química" com Erdogan e insistência na Groenlândia

Ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a quem chamou de "amigo", Trump voltou a criticar os aliados europeus por, segundo ele, não terem apoiado os Estados Unidos na ofensiva contra o Irã. "Fiquei muito decepcionado com a Otan", disse, afirmando que talvez nem tivesse comparecido ao encontro se ele não fosse realizado na Turquia.

Apesar das críticas, o presidente americano adotou um tom mais contido do que nas últimas semanas e até elogiou a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, após um recente atrito.

Perguntado sobre a Groenlândia, o republicano voltou a afirmar que os Estados Unidos deveriam controlar o território semiautônomo administrado pela Dinamarca.

"Esse território deveria estar sob controle dos Estados Unidos, e não da Dinamarca", declarou à imprensa durante uma conversa com o presidente Erdogan.

Trump novamente acusou a Dinamarca de não investir o suficiente para garantir a segurança da Groenlândia, repetindo sua alegação de que a ilha estaria "cercada por navios chineses e russos". Ele também afirmou que essa questão "prejudicou (suas) relações com a Otan".

Com agências

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