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Premiê do Canadá diz que intensificará negociações comerciais com Trump

21 jul 2026 - 14h49
(atualizado às 15h42)
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O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, ‌afirmou que ele e o presidente dos EUA, Donald Trump, concordaram em intensificar as negociações comerciais após uma conversa nesta terça-feira, mas alertou que considerará todas as opções caso as tarifas que Trump ameaçou impor sejam efetivamente aplicadas.

Trump revelou na segunda-feira planos para aplicar tarifas de 50% sobre uma ampla gama de importações do Canadá, em retaliação ao que descreveu como tratamento discriminatório contra carros, bebidas alcoólicas ⁠e laticínios fabricados nos Estados Unidos.

As relações entre o Canadá e seu maior parceiro comercial têm sido ‌postas à prova por repetidas provocações de Trump de transformar o Canadá no 51º estado, por divergências sobre uma nova ponte e por comentários contundentes sobre a fumaça dos incêndios florestais.

As tarifas foram ‌anunciadas pouco antes de os negociadores comerciais dos EUA e ‌do México se reunirem para uma terceira rodada de discussões bilaterais, sem a participação do ⁠Canadá.

"Conversei com o presidente, concordamos em intensificar as discussões. Começaremos isso imediatamente, e isso faz parte da negociação. Portanto, o primeiro objetivo é chegar a um acordo abrangente", disse Carney a repórteres.

Trump, quando questionado se as tarifas contra o Canadá eram uma resposta aos incêndios florestais, disse: "Não, isso é outra questão. Estamos analisando isso separadamente."

Carney disse que as províncias canadenses só deveriam suspender suas proibições à importação ‌de bebidas alcoólicas dos EUA como parte de um acordo comercial mais amplo com os EUA.

Quase todas as ‌províncias canadenses, com exceção de ⁠Alberta e Saskatchewan, proibiram ou ⁠restringiram severamente a venda de cerveja, vinho e destilados norte-americanos em resposta às tarifas impostas anteriormente pelos EUA.

Os ⁠líderes das províncias canadenses, reunidos esta semana na Ilha do ‌Príncipe Eduardo, criticaram duramente as ‌novas tarifas.

O primeiro-ministro de Ontario, Doug Ford, líder da província mais populosa do Canadá, disse que o Canadá deveria responder "dólar por dólar" às novas tarifas, enquanto a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, afirmou que as novas tarifas prejudicariam tanto os trabalhadores canadenses quanto os norte-americanos.

O primeiro-ministro de ⁠Saskatchewan, Scott Moe, pediu que o governo intensifique as negociações com os EUA, afirmando que a relação com o maior parceiro comercial do Canadá "é mais importante do que qualquer presidente ou primeiro-ministro".

O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, transmitiu a mensagem mais contundente: "Não há a menor chance de que bebidas alcoólicas dos EUA voltem às prateleiras na Colúmbia ‌Britânica."

SACO DE PANCADAS

Até mesmo os conservadores da oposição pediram ao primeiro-ministro que se mantenha firme contra Trump.

"As últimas tarifas do presidente Trump são mais um ataque inaceitável e injustificado aos trabalhadores canadenses e ⁠às nossas empresas", afirmou o partido em comunicado. "Os canadenses não são um saco de pancadas", acrescentou, insistindo que as tarifas devem ser retiradas imediatamente.

Ao impor impostos de importação sobre produtos simbólicos que vão de vinho a cimento e a equipamentos de hóquei no gelo, Trump invocou a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que permite ao presidente impor tarifas punitivas de até 50% contra parceiros comerciais considerados responsáveis por discriminação contra produtos norte-americanos. Isso marcou a primeira aplicação conhecida da lei em quase um século de existência.

As novas tarifas, que devem entrar em vigor em 30 dias, também se aplicariam a laticínios, piscinas, móveis, varas de pesca, sementes, roupas e perucas, entre outros itens.

O gabinete do Representante Comercial dos EUA informou que as tarifas se aplicariam a quase US$20 bilhões em importações do Canadá. Isso representa cerca de 5,2% dos US$382 bilhões em mercadorias que os EUA importaram do Canadá em 2025, de acordo com dados do governo norte-americano.

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