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Premiê da Itália ataca Orbán por lei contra homossexuais

Draghi alertou que Hungria precisa respeitar tratado da UE

24 jun 2021 - 18h56
(atualizado às 19h41)
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Durante debate sobre a lei aprovada na Hungria para proibir a "promoção" da homossexualidade para menores de idade em Bruxelas, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, alertou nesta quinta-feira (24) que o seu homólogo húngaro, Viktor Orbán, precisa respeitar um tratado da União Europeia (UE) sobre direitos humanos.

Mario Draghi ao chegar em Bruxelas para reunião
Mario Draghi ao chegar em Bruxelas para reunião
Foto: EPA / Ansa - Brasil

"O artigo 2 do Tratado da UE existe por uma razão: a Europa tem uma história antiga de opressão dos direitos humanos", afirmou o premiê italiano.

Draghi lembrou que o acordo, também assinado pela Hungria, é o mesmo que nomeia a comissão guardiã do próprio tratado". "Cabe a comissão determinar se a Hungria viola o tratado ou não", reforçou.

Nos termos do artigo 2, a União Europeia "funda-se nos valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de direito e do respeito pelos direitos humanos, incluindo os direitos das pessoas pertencentes a minorias".

O texto ainda inclui que "estes valores são comuns aos Estados-membros numa sociedade caracterizada pelo pluralismo, não discriminação, tolerância, justiça, solidariedade e paridade entre mulheres e homens".

A pedido da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, os comissários Didier Reynders e Thierry Breton escreveram "uma carta política" à ministra da Justiça húngara, Judith Varga, na qual identificam os detalhes das violações se a lei anti-LGBT realmente entrar em vigor. Budapeste tem até o final de junho para responder Bruxelas, segundo fontes da UE.

Durante a reunião entre os líderes europeus, o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, também subiu o tom contra Orbán. "Na minha opinião, não há mais espaço na UE para a Hungria depois dessa lei. Mas não sou o único a decidir, há outros 26 líderes", explicou.

Para Rutte, não há alternativas, ou "Orban revoga a lei ou sai da União Europeia". 

Em resposta ao holandês, Varga afirmou que "a Hungria não quer sair da UE", pelo contrário, quer "salvá-la dos hipócritas". "Nada mais é do que um novo episódio na série de chantagens políticos ".

Hoje, os líderes de 16 dos 27 Estados-membros da UE divulgaram uma carta conjunta na qual alertam para "ameaças contra os direitos fundamentais" de homossexuais no bloco.

O texto é uma clara mensagem à Hungria, integrante da UE e que aprovou recentemente o projeto de lei contra a comunidade LGBT, embora não cite o país.

Rússia -

De acordo com fontes europeias, Draghi apoia que a posição europeia deve permanecer unida e firma em relação à Rússia.

Para o líder italiano, é necessário cooperar sempre que possível, mas mantendo a franqueza extrema em questões como a violação dos direitos, as limitações das liberdades e a interferência no funcionamento das instituições democráticas. 

Ansa - Brasil
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