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Brasil

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Por que Lula acusa Trump de tentar interferir na eleição a favor de Flávio Bolsonaro

Como os EUA passaram de primeiros a reconhecer a vitória de Lula, em 2022, a serem acusados pelo governo brasileiro de tentar interferir na eleição atual, e o que o Planalto tem feito nos bastidores para esfriar a crise.

28 set 2026 - 04h38
(atualizado às 04h42)
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Resumo
A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral e o STF para investigar uma suposta ingerência dos EUA na eleição a favor de Flávio Bolsonaro, pedindo a cassação de sua chapa. A acusação ocorre após alertas da Abin e medidas de Washington vistas como pressão política, incluindo relatórios críticos ao governo Lula, sanções a autoridades brasileiras e conexões de aliados de Flávio com grupos conservadores americanos. A crise reflete a pior fase diplomática entre os dois países em décadas.
Manifestação na av. Paulista em favor de Flávio Bolsonaro, em 7 de setembro.
Manifestação na av. Paulista em favor de Flávio Bolsonaro, em 7 de setembro.
Foto: Getty / BBC News Brasil

Quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a eleição presidencial de 2022, os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer o resultado, levando 30 minutos para se pronunciar após a Justiça Eleitoral decretar a vitória.

Na época, a Casa Branca era comandada por Joe Biden, e o então presidente Jair Bolsonaro (PL) dava sinais de que poderia não acatar uma derrota.

O rápido posicionamento do governo americano foi apontado por analistas como crucial para esfriar uma possível contestação mais organizada do resultado eleitoral, inclusive entre setores das Forças Armadas.

Quatro anos depois, quem hoje comanda os EUA é Donald Trump, e as relações entre Washington e Brasília atravessam seu pior momento em décadas.

A crise é agravada pela avaliação do governo brasileiro de que Washington vem adotando uma série de medidas para interferir na eleição em favor candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

Nas últimas semanas, a BBC News Brasil ouviu analistas, diplomatas brasileiros e estrangeiros e assessores do governo sobre o aumento das tensões às vésperas da eleição.

Os relatos descritos a seguir apontam diferentes frentes de atuação dos EUA encaradas como tentativas de interferência no pleito e revelam como o Planalto tem reagido nos bastidores para evitar uma escalada da crise.

Trump reeditou a Doutrina Monroe, pela qual os EUA defendem o direito de intervir na América Latina para impor a hegemonia americana.
Trump reeditou a Doutrina Monroe, pela qual os EUA defendem o direito de intervir na América Latina para impor a hegemonia americana.
Foto: Getty / BBC News Brasil

Pedido de cassação da chapa

Na quarta-feira (23/9), a campanha de Lula pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma investigação sobre uma possível ingerência dos EUA na eleição brasileira.

A campanha de Lula também pediu a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro afirmando que o senador se articulou com o governo Trump para impactar o resultado das eleições, violando a soberania nacional. Flávio não se posicionou sobre o pedido até a publicação deste texto.

O pedido ocorreu dias após a divulgação, pela Folha de São Paulo, de um documento em que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a possibilidade de interferência dos EUA na eleição ao "nível de criticidade".

Segundo a Abin, Washington busca fragilizar o governo Lula por enxergá-lo como resistente à ambição dos EUA de exercer uma hegemonia na América Latina. Hoje o Brasil tem como principal parceira comercial a China, uma grande rival dos EUA.

Flávio Bolsonaro tem dito que pretende se aproximar dos EUA se for eleito e visitou Trump em maio. Dois dias depois da visita, os EUA anunciaram que as facções PCC e Comando Vermelho seriam classificadas como organizações terroristas pelo governo americano.

A medida foi festejada por Flávio e criticada por Lula, para quem a classificação abria as portas para uma intervenção americana no país.

Em conversas reservadas com a BBC, assessores do governo citaram outro exemplo do que consideram uma tentativa de interferência dos EUA na eleição: a divulgação, em 15 de setembro, de um relatório do Departamento de Estado americano com críticas ao desempenho do governo brasileiro no combate a facções criminosas.

As críticas se alinham com o discurso de Flávio Bolsonaro e miram um setor considerado pelo próprio governo como um calcanhar de Aquiles.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (22/9), Lula reagiu. Ele criticou a "ingerência externa em processos eleitorais" e disse que o "Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado", mas que o país não vai "terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras".

Afirmou ainda que o "Brasil não cabe no quintal de ninguém".

Campanha de Lula pediu investigação ao STF sobre possível interferência dos EUA na eleição.
Campanha de Lula pediu investigação ao STF sobre possível interferência dos EUA na eleição.
Foto: Getty / BBC News Brasil

'Dissidentes políticos'

Outro documento, divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo em 17 de setembro, detalha uma série de exigências que os EUA teriam apresentado ao Brasil como condição para reduzir as tarifas comerciais impostas ao país no ano passado.

Entre os pontos listados estaria a participação de "dissidentes políticos" nas eleições brasileiras. A expressão é normalmente utilizada pelos EUA para se referir a opositores de regimes considerados ditatoriais.

O documento, segundo a reportagem, não cita nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado e hoje inelegível. Em outras ocasiões, porém, o governo Trump criticou a condenação de Bolsonaro e classificou o processo contra o ex-presidente como uma perseguição política.

De acordo com O Estado de São Paulo, o governo brasileiro se recusou a negociar esse ponto com os EUA.

As divergências entre os dois países não se deram só no âmbito de negociações comerciais. Nos últimos meses, os EUA também adotaram sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do STF Alexandre de Moraes e delegados da Polícia Federal envolvidos em investigações de bolsonaristas.

Em agosto, Washington também revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti, uma medida inédita na relação entre os dois países. Segundo o governo americano, a decisão ocorreu como retaliação à demora do Brasil em aprovar a indicação do novo embaixador dos EUA em Brasília.

O Brasil, por sua vez, se recusou a conceder vistos a dois diplomatas americanos após uma reportagem do jornal The Washington Post apontar que eles fariam questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. O governo dos EUA negou a intenção.

Em audiência no Congresso em agosto, o ex-chanceler Celso Amorim, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, afirmou que a recusa de vistos está entre as ações que o governo pode adotar para se proteger de tentativas de ingerência.

"Agora, o que eles fazem infiltradamente, aí já está fora da nossa capacidade", afirmou Amorim. O ex-chanceler não deu detalhes sobre possíveis ações "infiltradas".

Alguns veículos jornalísticos apontaram como um possível exemplo dessas ações uma reunião organizada em julho pelo consulado dos EUA em São Paulo com influenciadores de direita críticos do governo Lula. Entre os participantes da reunião estavam o escritor Leandro Narloch, a apresentadora Penélope Nova e o investidor Rafael Ferri.

A BBC News Brasil questionou o consulado sobre o motivo do encontro, mas não recebeu resposta.

Uma das participantes, a advogada Maria Fernanda Schmidt disse à BBC News Brasil que se tratou de uma discussão sobre "liberdade de expressão no ambiente digital".

"Minha participação se deu como uma comunicadora indignada com censura prévia, com agências de checagem que restringem conteúdos, agências essas que são parciais e muitas são colaborativas com o governo", disse Schmidt.

Ela também diz ter protestado contra casos em que ativistas de direita são "processados apenas por ter as nossas opiniões".

Segundo Schmidt, a eleição foi abordada uma única vez, quando diplomatas dos EUA perguntaram aos influenciadores se eles acreditavam que "essa censura que vocês estão relatando pode interferir no resultado das eleições". Os participantes responderam que sim, segundo Schmidt.

Mas a influenciadora rejeitou a análise de que o encontro tivesse o objetivo de interferir na eleição e afirma que nem todos os presentes apoiavam Flávio Bolsonaro — ela própria diz nas redes sociais preferir a candidatura de Renan Santos, do Missão.

Encontro no consulado dos EUA em São Paulo reuniu influenciadores críticos do governo Lula.
Encontro no consulado dos EUA em São Paulo reuniu influenciadores críticos do governo Lula.
Foto: Maria Fernanda Schmdit/Acervo pessoal / BBC News Brasil

Guerra Fria e Doutrina Monroe

Em outros momentos da história, diplomatas americanos também acompanharam de perto a política brasileira e demonstraram preferência por grupos de direita.

Em 1964, o governo americano apoiou o golpe militar que depôs o presidente João Goulart e a ditadura que vigorou em seguida no país por 21 anos.

Mas, com a redemocratização do país, em 1985, e o fim da Guerra Fria, em 1991, analistas dizem que o Brasil e a América Latina deixaram de ser prioridade para os americanos.

Até que Donald Trump voltou ao poder em 2025 e passou a tratar a região como um dos focos de sua política externa, defendendo um retorno da Doutrina Monroe. Por essa política, que vigorou nos séculos 19 e 20, os EUA advogavam o direito de se impor militarmente na América Latina.

A operação de captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, foi apresentada por Washington como uma reedição da doutrina, assim como vários ataques recentes realizados pelos EUA no litoral de países latino-americanos.

Segundo Washington, os ataques miravam embarcações que levavam drogas para os EUA e deixaram centenas mortos, mas nunca foram apresentadas provas da presença dessas substâncias nos barcos.

Além dessas operações, Trump tomou partido abertamente em eleições recentes em países latino-americanos. Na Argentina, em 2025, ele condicionou a manutenção da ajuda financeira ao país à vitória do grupo político do presidente Javier Milei.

O governo americano também apoiou ou festejou a vitória de candidatos de direita em eleições recentes na Colômbia, Peru, Equador e Chile.

Donald Trump condicionou manutenção de ajuda financeira americana à vitória de grupo político de Javier Milei, na Argentina.
Donald Trump condicionou manutenção de ajuda financeira americana à vitória de grupo político de Javier Milei, na Argentina.
Foto: Getty / BBC News Brasil

Já na eleição no Brasil, nem Trump nem o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declararam até agora preferência por um dos candidatos a presidente. Segundo analistas, é possível que a postura da dupla se deva à percepção de que um endosso teria efeito contrário ao pretendido.

Mas há também quem avalie que uma eventual influência dos EUA na eleição dispensaria posicionamentos oficiais de autoridades.

Para Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, as grandes empresas de redes sociais — entre as quais Meta e Google — estão alinhadas com o governo Trump e têm grande poder de influenciar o debate político no Brasil.

"Só por não coibirem fake news, elas já estão influenciando", diz Rudzit. "Para elas, governos que não discutem a regulamentação das big techs são o paraíso", afirma.

As grandes empresas americanas de tecnologia e redes sociais mantêm sérias divergências com o governo Lula quanto à regulamentação do setor.

O governo defende regras mais rígidas para as plataformas, incluindo a responsabilização das empresas pelo conteúdo publicado. Já as empresas argumentam que uma regulamentação muito rigorosa pode ameaçar a liberdade de expressão, posição semelhante à defendida por políticos bolsonaristas.

Em diferentes ocasiões, o governo dos EUA criticou posições do governo brasileiro nessa área e adotou posições próximas às defendidas pelas plataformas.

A BBC News Brasil enviou as declarações de Rudzit ao Google, proprietário do YouTube, e à Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Também perguntou às empresas se tinham preferência por algum candidato na eleição brasileira, mas não houve respostas.

Na última quarta-feira (23/9), houve questionamentos sobre o possível impacto eleitoral de uma decisão da Meta. A empresa derrubou o perfil da série de reportagens "Revelando", apresentada pelo humorista Fábio Porchat e que aborda relações entre o Banco Master, a Igreja Lagoinha e políticos de direita, entre os quais Flávio Bolsonaro.

Horas depois, o conteúdo voltou ao ar. A Meta pediu desculpas e atribuiu a suspensão do perfil a uma falha interna.

O investidor Chris Buskirk, um dos fundadores da Rockbridge Network, participou de evento com empresários brasileiros em Nova York e defendeu aliança com Brasil.
O investidor Chris Buskirk, um dos fundadores da Rockbridge Network, participou de evento com empresários brasileiros em Nova York e defendeu aliança com Brasil.
Foto: Getty / BBC News Brasil

Nas últimas semanas, outra possível frente de envolvimento americano na eleição brasileira veio à tona por meio de reportagens do site Amado Mundo.

As reportagens apontaram supostas conexões entre a campanha de Flávio Bolsonaro e o empresário brasileiro Tallis Gomes, ligado à rede Rockbridge Network, dos EUA.

Fundada pelo vice-presidente americano, J.D. Vance, e pelo investidor Chris Buskirk, a Rockbridge é uma rede de doadores e organizações políticas conservadoras. Seu objetivo é fortalecer o movimento Make America Great Again (Maga), a base política de Trump.

Após a publicação das reportagens, o PT pediu ao STF que investigue se recursos estrangeiros foram usados na campanha de Flávio Bolsonaro — algo proibido e que poderia levar até à cassação da candidatura, se comprovado.

'Aliança civilizacional'

O cofundador da Rockbridge Chris Buskirk esteve em maio com Tallis Gomes em um evento de empresários brasileiros em Nova York. No encontro, que teve trechos divulgados nas redes sociais, Gomes propõe a Buskirk uma "aliança civilizacional" entre Brasil e EUA.

No evento, o brasileiro diz a Buskirk que "o Brasil tem algo que os EUA estão perdendo rápido: profundidade religiosa, mais de 85% dos brasileiros são cristãos, famílias grandes, culturas intactas e juventude demográfica".

Buskirk responde que é favorável à aliança em nome de "um futuro melhor" para os dois países.

A BBC News Brasil questionou o empresário Tallis Gomes, a campanha de Flávio Bolsonaro e o investidor Chris Buskirk sobre o conteúdo das reportagens do Amado Mundo e o pedido de investigação encaminhado ao STF.

Só Gomes respondeu. Ele confirmou que faz parte da Rockbridge, mas afirmou que não integra a campanha de Flávio Bolsonaro e nunca doou nem intermediou recursos para fins eleitorais.

A presidente recém-eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebe o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Lima, em setembro.
A presidente recém-eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebe o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Lima, em setembro.
Foto: Getty / BBC News Brasil

Os interesses de Marco Rubio

Mas como explicar possíveis tentativas de interferência dos EUA no Brasil se Lula e Trump conversam com alguma frequência e parecem ter uma relação cordial?

Assessores do Palácio do Planalto ouvidos pela BBC News Brasil dizem que o governo brasileiro vê diferenças entre o comportamento de Trump e o do secretário de Estado, Marco Rubio.

Para eles, Rubio — que exerce cargo equivalente ao de ministro das Relações Exteriores no Brasil e é filho de cubanos — se esforça para mover a América Latina à direita como parte de um projeto pessoal. Seu objetivo, segundo os assessores brasileiros, é se cacifar para suceder Trump na Presidência, em 2029.

Para os assessores, Rubio vê o governo brasileiro como a "última grande peça que falta no tabuleiro", já que nos últimos anos a direita passou a comandar grande parte dos países sul-americanos.

Diante desse cenário, os assessores dizem que o governo brasileiro tenta esfriar as tensões driblando o Departamento de Estado e recorrendo à "diplomacia presidencial" — ou seja, aos contatos pessoais entre Lula e Trump, e à mediação de empresários brasileiros que têm acesso ao líder americano, como Joesley Batista, do grupo JBS, e André Esteves, do banco BTG.

O empresário Joesley Batista (com celular na mão) tem ajudado na interlocução entre Lula e Trump, segundo assessores do governo.
O empresário Joesley Batista (com celular na mão) tem ajudado na interlocução entre Lula e Trump, segundo assessores do governo.
Foto: Getty / BBC News Brasil

EUA reconheceriam vitória de Lula?

Nesta eleição, Flávio Bolsonaro também passou a questionar, sem apresentar provas, a confiabilidade do sistema de votação. Por isso, analistas avaliam que a posição de grandes potências pode voltar a ter peso no reconhecimento do resultado, especialmente em caso de uma vitória de Lula.

A BBC News Brasil apurou que embaixadores europeus no Brasil estão cientes desse cenário e devem se posicionar conjuntamente sobre o resultado.

Quanto ao governo dos EUA, há dúvidas sobre como o país reagiria diante de uma vitória de Lula. Assessores do governo brasileiro dizem acreditar que a Casa Branca não seria "o primeiro governo a reconhecer" uma eventual vitória do petista, mas tampouco a rejeitaria.

Em agosto, um funcionário do governo americano disse a jornalistas na Casa Branca que os EUA respeitariam qualquer governo escolhido pelo povo brasileiro em eleições "livres e justas".

Porém, para Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, a declaração deixa em aberto a possibilidade de Washington questionar o resultado.

"Será que o que o TSE considerar considerar justo e transparente vai ser aceito pelo Departamento de Estado e pela Casa Branca?", ele diz.

Segundo Rudzit, um não reconhecimento do resultado pelos EUA fariam a relação bilateral piorar ainda mais e poderiam levar até à expulsão da embaixadora brasileira no país.

Outros analistas avaliam, no entanto, que dificilmente a Casa Branca contestaria o resultado.

Para Leandro Piquet Carneiro, professor de Relações Internacionais da USP, Lula não pode ser comparado com outros líderes latino-americanos que Washington considerava hostis, como o venezuelano Hugo Chávez ou o colombiano Gustavo Petro.

"Lula está longe de representar uma ameaça aos interesses norte-americanos de qualquer tipo, de qualquer natureza, ele é um negociador", afirma.

E mesmo que os EUA se recusem a reconhecer uma vitória do petista, Carneiro afirma que "seriam desmoralizados por outros observadores internacionais que estarão aqui, principalmente da OEA [Organização dos Estados Americanos] e da União Europeia".

Para ele, mesmo em meio às tensões políticas atuais, o Brasil mantém cooperação próxima com os EUA em diversas áreas, como a militar e a de justiça criminal.

Segundo ele, a "burocracia permanente das instituições de Estado" tende a agir para "manter o jogo dentro do aceitável" e dissipar qualquer perspectiva de ruptura entre as nações.

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