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Por que governo Trump abriu investigação contra o presidente da Colômbia

Promotores em Nova York investigam suposto envolvimento do presidente com pessoas ligadas ao narcotráfico e uso de fundos ilícitos em sua campanha presidencial de 2022. Petro afirma que nunca conversou com um narcotraficante.

20 mar 2026 - 21h31
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Gustavo Petro olhando de lado
Gustavo Petro olhando de lado
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Promotores federais em Nova York, nos Estados Unidos, investigam o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no no âmbito de inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e ao narcoterrorismo.

As investigações, que são conduzidas por procuradorias em Manhattan e no Brooklyn, não têm Petro como alvo principal, mas seu nome foi incluído em decorrência de outros inquéritos mais amplos.

A informação foi publicada pelo jornal americano The New York Times e confirmada pela Reuters com base em fontes próximas ao caso.

De acordo com a Reuters, equipes de promotores especializados e agentes federais investigam o suposto envolvimento do presidente colombiano com indivíduos ligados ao narcotráfico, além de suspeitas sobre a entrada de recursos ilícitos em sua campanha presidencial de 2022.

As investigações ainda estão em estágio inicial e, até o momento, não há definição sobre a eventual apresentação de acusações formais.

As reportagens também indicam que não há evidências de interferência da Casa Branca na abertura dos procedimentos.

O caso surge em um momento de distensão nas relações entre Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltaram a dialogar após um encontro recente, em fevereiro, encerrando meses de trocas públicas de críticas.

Petro e Trump se encontraram na Casa Branca em fevereiro após meses de tensão
Petro e Trump se encontraram na Casa Branca em fevereiro após meses de tensão
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O que disse Petro

O presidente colombiano reagiu à notícia com uma publicação na rede social X, afirmando:

"Na Colômbia não existe uma única investigação sobre qualquer relação minha com narcotraficantes. Por uma única razão: nunca, na minha vida, falei com um narcotraficante", escreveu.

Petro disse ter dedicado dez anos de sua vida "a denunciar os vínculos entre alguns dos narcotraficantes mais poderosos e políticos no Congresso e dos governos locais e nacionais", o que, segundo ele, colocou sua "vida em risco" e levou ao exílio de sua família.

"Em relação às minhas campanhas, sempre disse aos coordenadores que doações de banqueiros ou narcotraficantes não são aceitáveis", acrescentou, enfatizando que não recebeu "um único peso" dos cartéis.

A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, procurou a presidência da Colômbia e as procuradorias do Brooklyn e de Manhattan, mas até o momento não obteve resposta.

O presidente colombiano sob escrutínio dos EUA

Antes do seu encontro com Gustavo Petro, em 3 de fevereiro, Trump havia chamado o presidente colombiano de narcotraficante, dito que ele "deveria tomar cuidado" e que considerava "uma boa ideia" uma eventual ação militar na Colômbia, semelhante ao que aconteceu na Venezuela.

No fim de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA também impôs sanções contra Petro, seus familiares e um membro de seu governo, sob acusações de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Embora não tenha apresentado provas, na época, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o presidente colombiano teria permitido que "os cartéis de drogas prosperassem" e se recusado a conter essa atividade.

A administração de Trump chegou a impor sanções contra Petro e seus familiares
A administração de Trump chegou a impor sanções contra Petro e seus familiares
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Petro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de violar a soberania da Colômbia e de matar pessoas inocentes em operações de combate ao narcotráfico.

Antes disso, o governo americano já havia revogado o visto do colombiano depois dele pedir que militares americanos desobedecessem ordens de Trump, durante um ato pró-Palestina em Nova York.

O presidente colombiano nega qualquer tipo de ligação com cartéis e afirma que seu governo atua ativamente no combate ao tráfico de drogas.

Em relação às acusações do governo americano sobre o aumento do fluxo de cocaína vindo da Colômbia, Petro alega que, sob sua gestão, o tráfico de drogas cresceu em ritmo menor e que houve aumento nas apreensões em comparação com governos anteriores.

A abertura de investigações contra Petro acontece em meio à campanha para as eleições presidenciais na Colômbia.

O primeiro turno está marcado para 31 de maio, com eventual segundo turno previsto para 21 de junho. O vencedor tomará posse em 8 de agosto.

As investigações tendem a aumentar a pressão em um cenário político já polarizado, em que diferentes setores veem as tensões com os Estados Unidos como um elemento central do debate eleitoral.

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