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Resolução inédita aprovada pelo Congresso dos EUA aumenta pressão sobre Trump no conflito com Irã; o que acontece agora

A resolução aprovada na terça-feira é simbólica, mas aumenta a pressão sobre a Casa Branca para acabar com o conflito.

24 jun 2026 - 05h58
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Donald Trump Presidente dos Estados Unidos da América EUA em sua chegada antes de um jantar com o Presidente da República Francesa e sua esposa organizado para comemorar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos no Chateau de Versailles em Versalhes, França, em 17 de junho de 2026.
Donald Trump Presidente dos Estados Unidos da América EUA em sua chegada antes de um jantar com o Presidente da República Francesa e sua esposa organizado para comemorar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos no Chateau de Versailles em Versalhes, França, em 17 de junho de 2026.
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O Senado dos EUA aprovou na terça-feira (23/06) uma medida exigindo que o presidente americano Donald Trump suspenda a guerra no Irã ou busque aprovação do Congresso antes de continuar a ação militar.

Mas a resolução é em grande parte simbólica porque, mesmo após ser aprovada por ambas as casas do Congresso, ela não será enviada a Trump para sua consideração e não tem força de lei.

Um grupo de republicanos juntou-se aos democratas na votação da medida, que foi aprovada no Senado por 50 votos a 48. A mesma medida havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes dos EUA no início deste mês.

A aprovação acontece em um momento em que alguns republicanos no Congresso expressam ceticismo sobre o plano de paz anunciado por Trump com o Irã, que deu início a negociações entre as partes.

Trump criticou a resolução na noite de terça-feira, chamando-a de "inoportuna e sem sentido".

"Então, eu tenho o Irã 'nas cordas', pronto para cair... e o Senado dos EUA decide realizar uma votação da Lei de Poderes de Guerra mal programada e sem sentido", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

"Esses senadores acabaram de tornar meu trabalho mais difícil, mas eu vou concluí-lo, de uma forma ou de outra, porque eu sempre concluo!"

A votação marca a primeira vez em que ambas as casas do Congresso aprovaram uma resolução conjunta instruindo um presidente a encerrar uma ação militar desde que a Lei de Poderes de Guerra de 1973 foi promulgada.

Uma resolução conjunta expressa o sentimento ou a vontade do Congresso, ao contrário de outras formas de legislação que são encaminhadas ao presidente para serem sancionadas como lei. Em 2019, Trump vetou uma resolução conjunta que pedia a retirada das Forças Armadas da guerra civil do Iêmen.

A analista do Oriente Médio Laura Blumenfeld disse que isso é "mais uma reprimenda simbólica do que uma sanção de fato, porque não tem força legal".

Mas ela disse à BBC que acredita que isso "reflete o sentimento do povo americano".

A aprovação da resolução conjunta é significativa porque aumenta a pressão sobre a Casa Branca para encontrar um fim para a guerra com o Irã, que é impopular entre os americanos após o aumento dos preços da gasolina.

A mesma medida foi aprovada no início deste mês pela Câmara dos Representantes dos EUA, onde quatro republicanos se juntaram a todos os democratas para aprová-la por 215 votos a 208.

Mas uma fonte da Casa Branca disse à BBC que, com o cessar-fogo acordado em 7 de abril, não há hostilidades das quais retirar as forças americanas.

Ela também disse que a medida só foi aprovada porque dois senadores republicanos estavam ausentes: Mitch McConnell e Dave McCormick.

Quatro senadores republicanos votaram com os democratas em apoio à resolução: Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Bill Cassidy.

O senador democrata John Fetterman foi o único membro de seu partido a votar contra.

Este foi o mais recente sinal de divisão entre os republicanos aliados de Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão se o partido conseguirá manter suas estreitas maiorias em ambas as casas do Congresso.

Alguns republicanos têm se manifestado contra o presidente recentemente — ao aprovarem ajuda para a Ucrânia e rejeitarem um fundo de US$ 1,8 bilhão que Trump quer criar para indenizar pessoas que alegam ter sido perseguidas politicamente pelo governo.

A votação de terça-feira foi a décima vez que os democratas no Senado provocaram uma votação sobre poderes de guerra desde o início do conflito.

Ela ocorreu no mesmo dia em que o Pentágono pediu ao Congresso cerca de US$ 80 bilhões em recursos, a maior parte para pagar pela guerra com o Irã.

A lei federal exige aprovação do Congresso para continuar ações militares por mais de 60 dias. Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã começaram em 28 de fevereiro, embora o governo Trump tenha argumentado que o cessar-fogo de abril reiniciou a contagem.

A Casa Branca também pode estender o prazo por mais 30 dias, citando segurança nacional.

Atualmente, os EUA e o Irã concordaram em manter um cessar-fogo e estão trabalhando para encerrar as hostilidades sob um memorando de entendimento que foi assinado pelos presidentes de ambos os países na semana passada.

De acordo com esse memorando, Washington e Teerã têm 60 dias para negociar um acordo mais amplo para encerrar o programa nuclear do Irã.

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