Plano de ocupação total de Gaza isola 'mais do que nunca' Israel na Europa
As reações negativas ao plano israelense de ocupar integralmente Gaza crescem como bola de neve. Os jornais franceses desta segunda-feira (11) continuam analisando as repercussões da decisão do governo de Benjamin Netanyahu, anunciada na quinta-feira (7) da semana passada, que isola Israel na Europa.
As reações negativas ao plano israelense de ocupar integralmente Gaza crescem como bola de neve. Os jornais franceses desta segunda-feira (11) continuam analisando as repercussões da decisão do governo de Benjamin Netanyahu, anunciada na quinta-feira (7) da semana passada, que isola Israel na Europa.
O Le Monde destaca "uma espécie de consenso para condenar a escalada militar" no enclave palestino. Citando França, Alemanha, Holanda, Portugal entre outros países, o diário avalia que, com essa decisão, "o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perde completamente o apoio dos europeus ". Segundo o texto, isso "deve ter consequências na relação entre a União Europeia e Israel", uma vez que o bloco não renunciará a defender "os princípios fundamentais do direito internacional".
Para o Libération, Israel "está mais isolado do que nunca". O jornal questiona o plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de "acabar com o Hamas" e depois "liberar o enclave palestino", mas sem evocar quem governaria Gaza após a ofensiva militar. De acordo com o diário, a ocupação da Cidade de Gaza só deve acontecer dentro de algumas semanas, o que daria tempo ao governo israelense de "chegar a um acordo que lhe favoreçeria".
A reportagem destaca que as ameaças de Netanyahu são uma forma de pressionar o adversário. Porém, antes de tudo, Netanyahu precisará "acalmar a ira da sociedade israelense, que pede o fim da guerra e o a volta dos reféns".
Aposta arriscada
O jornal Les Echos descreve "a aposta arriscada" de Benjamin Netanyahu de "ocupar Gaza e esvaziar uma cidade de um milhão de habitantes". De acordo com a matéria, o governo israelense pretende atingir os seus objetivos até o dia 7 de outubro, data simbólica do massacre cometido pelo Hamas, em território israelense, em 2023.
No entanto, a estratégia não tem o apoio de todo o governo israelense, lembra o texto, citando a posição do chefe do Estado-Maior do Exército, o general Eyal Zamir, para quem esta ofensiva é considerada "uma armadilha estratégica". O militar se diz preocupado com os habitantes de Gaza que não aceitarão deixar o local antes da ofensiva e com a segurança dos reféns ainda nas mãos do grupo Hamas.