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Peru prorroga votação com a conservadora Keiko Fujimori à frente na corrida presidencial

13 abr 2026 - 07h47
(atualizado às 16h07)
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Quase metade da contagem oficial de votos do ‌Peru permanecia pendente nesta segunda-feira, enquanto crescia a frustração com os problemas generalizados nas eleições gerais de domingo, com a conservadora Keiko Fujimori na liderança e a probabilidade crescente de um segundo turno em junho.

Em Lima, longas filas se formaram do lado de fora das seções eleitorais enquanto os eleitores voltavam para votar para presidente e para um novo Congresso bicameral depois que suas cédulas não chegaram no dia anterior.

A contagem oficial da autoridade eleitoral ONPE mostrava que a ex-congressista Keiko Fujimori -- ⁠filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que foi preso por violações dos direitos humanos -- estava liderando com cerca de 17% dos votos, ‌seguida pelo ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, de direita, com cerca de 15%, e pelo candidato de centro-esquerda Jorge Nieto, em terceiro lugar, com cerca de 14%. Pouco mais de 54% dos votos foram apurados.

Sem um líder claro e ‌sem nenhum dos principais candidatos perto dos 50% necessários para vencer com ‌folga, um segundo turno em 7 de junho parece altamente provável, prolongando a incerteza política no terceiro maior produtor ⁠de cobre do mundo em meio ao aumento dos níveis de criminalidade e à intensificação da concorrência geopolítica entre os Estados Unidos e a China.

O horário de votação foi prorrogado por mais um dia, até as 18h no horário local (20h no horário de Brasília) desta segunda-feira, para mais de 50.000 pessoas que não puderam votar no domingo. A abertura de algumas seções eleitorais foi adiada em algumas áreas da capital Lima devido a problemas logísticos que as autoridades atribuíram à distribuição dos ‌materiais de votação.

José Samame, diretor administrativo da ONPE, aceitou a responsabilidade pelos atrasos, pediu demissão e foi posteriormente detido pela polícia ‌em meio a uma investigação sobre as ⁠falhas.

Em uma seção eleitoral no ⁠distrito de San Juan de Miraflores, em Lima, Angela Rios voltou para outro dia de longas filas.

"Isso é uma injustiça", disse ela enquanto ⁠esperava para votar. "Ontem esperamos na fila e hoje todos nós temos que ‌trabalhar. Ninguém vai nos compensar pelo nosso ‌dia."

A autoridade eleitoral esperava ter 60% dos resultados até a meia-noite de domingo, um nível que ainda não foi alcançado, deixando em aberto a possibilidade de uma forte oscilação à medida que os votos do interior do país forem contados.

As cédulas de Lima, que normalmente chegam primeiro, representam cerca de um terço do eleitorado, onde tanto ⁠Fujimori quanto López Aliaga têm fortes bases de apoio.

Com margens tão apertadas e qualquer um de quatro candidatos com chance de chegar ao segundo turno, as falhas logísticas correm o risco de alimentar as alegações de fraude, disse Nicholas Watson, da consultoria Teneo.

"Qualquer candidato que perder por pouco o segundo lugar poderá argumentar que perdeu a vaga no segundo turno por causa da incompetência da ONPE", disse Watson.

Keiko Fujimori disse que ainda ‌há "muito caminho a percorrer" e um grande sentimento de desilusão à medida que o país se aproxima do segundo turno, falando aos jornalistas de seu carro nesta segunda-feira, a caminho de um encontro com suas filhas.

López Aliaga, o rosto ⁠do partido Renovação Popular, conhecido pelo apelido de "Porky", em homenagem ao personagem de desenho animado Porky Pig, disse que não permitiria uma "fraude brutal", argumentando que a maioria das seções eleitorais que não funcionaram estava em Lima, onde seu apoio é tradicionalmente mais forte.

Nieto, que estava em terceiro lugar nas contagens parciais, é um ex-ministro de centro-esquerda cujo apoio vinha crescendo nas pesquisas pré-eleitorais.

INSTABILIDADE POLÍTICA

As pesquisas de boca de urna no domingo colocaram Keiko na liderança, embora López Aliaga tenha passado brevemente à frente no início da contagem oficial, ressaltando o quanto a disputa continua acirrada e fluida.

Anos de turbulência política na nação andina corroeram a confiança nas instituições e deixaram muitos eleitores profundamente desiludidos.

Desde 2018, o Peru teve oito presidentes, o que alimenta o ceticismo de que qualquer nova administração durará um mandato completo de cinco anos em meio a repetidos impeachments, escândalos de corrupção e frágeis coalizões de governo.

Várias associações empresariais expressaram preocupação com a incerteza eleitoral.

"Esses incidentes afetam não apenas a eleição presidencial, mas também a corrida ao Senado e as eleições para outras autoridades", disse a principal associação empresarial que representa o setor privado do Peru, a Confiep, em um comunicado nesta segunda-feira.

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