Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Partido pró-Europa vence eleições na Moldávia, que aposta em adesão à União Europeia

O partido pró-europeu PAS, da presidente Maia Sandu, venceu com pouco mais de 50% dos votos as eleições legislativas realizadas no domingo (28) na Moldávia, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (29) pela Comissão Eleitoral. O pleito foi marcado por acusações de ingerência da Rússia.

29 set 2025 - 07h31
(atualizado às 09h13)
Compartilhar

O partido pró-europeu PAS, da presidente Maia Sandu, venceu com pouco mais de 50% dos votos as eleições legislativas realizadas no domingo (28) na Moldávia, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (29) pela Comissão Eleitoral. O pleito foi marcado por acusações de ingerência da Rússia.  

Igor Grosu, presidente do Parlamento moldavo e líder do Partido da Ação e Solidariedade pró-europeu, fala à imprensa após vencer as eleições legislativas, em Chisinau, Moldávia, em 29 de setembro de 2025.
Igor Grosu, presidente do Parlamento moldavo e líder do Partido da Ação e Solidariedade pró-europeu, fala à imprensa após vencer as eleições legislativas, em Chisinau, Moldávia, em 29 de setembro de 2025.
Foto: © AP - Vadim Ghirda / RFI

O Partido Ação e Solidariedade, no poder desde 2021, obteve 50,16% dos votos, após a apuração de 99,91% das urnas. Segundo projeções, o PAS deve manter a maioria absoluta no Parlamento, com 55 das 101 cadeiras, contra 63 atualmente. A participação foi de 52,17%, próxima dos 52,3% registrados nas legislativas de 2021. 

Uma maioria na Câmara é crucial para evitar negociações e a formação de uma coalizão que poderia desestabilizar ainda mais o pequeno país de 2,6 milhões de habitantes, um dos mais pobres do continente, abalado pela guerra na Ucrânia.

O controle do Parlamento é essencial para concretizar os projetos europeus da presidente Maia Sandu e de seu partido, que aspiram integrar o bloco comunitário, um processo que leva vários anos.

O partido superou o Bloco Patriótico, pró-Rússia, que ficou em segundo lugar e teve 24,16% dos votos. Um dos líderes da sigla, o ex-presidente Igor Dodon (2016-2020), convocou um protesto nesta segunda-feira em Chisinau, capital do país. 

Em terceiro lugar ficou o Movimento Alternativo Nacional, do prefeito de Chisinau, Ion Ceban, com 7,97%, que havia pedido votos contra o PAS. 

"É um alívio. Após uma longa campanha, podemos respirar. Acredito que, com o apoio do atual governo, a Moldávia vai entrar na União Europeia com todos os seus direitos", disse Natalia Tagirta, dona de casa de 42 anos, em Chisinau. 

Maia Sandu conseguiu iniciar negociações para a adesão do país à UE e obteve ajuda financeira de países ocidentais. 

"Mostramos ao mundo inteiro que somos corajosos e dignos, que não nos deixamos intimidar", declarou Sandu durante uma coletiva de imprensa, em referência às acusações de interferência russa nessa eleição.

Há décadas, o poder na ex-república soviética oscila entre forças pró-Europa e pró-Rússia. Cerca de um terço do país, a Transnístria, a leste do rio Dniestre, é controlado por uma administração separatista pró-Moscou.

Interferência russa 

O analista Andrei Curararu, do think tank moldavo WatchDog, afirmou que o Kremlin pode usar táticas para impedir a formação de um governo pró-europeu estável, recorrendo à corrupção de parlamentares do PAS e à organização de protestos. 

A votação foi marcada por suspeitas de compra de votos, ameaças a eleitores e uma "campanha de desinformação sem precedentes" atribuída à Rússia, segundo a União Europeia. 

Moscou negou as acusações. A oposição, majoritariamente pró-Rússia acusou o PAS de fraude. O serviço de cibersegurança da Moldávia informou ter detectado e bloqueado em tempo real tentativas de ataque à infraestrutura eleitoral. 

Na semana passada, Sandu denunciou o uso de "centenas de milhões de euros" por Moscou para comprar votos, espalhar desinformação online e incitar violência. 

Segundo Igor Botan, diretor do centro de estudos Adept, a Moldávia nunca havia registrado um nível tão alto de interferência externa desde sua independência, em 1991.  

A participação da diáspora, que ajudou na reeleição de Sandu em 2024, e da região separatista da Transnístria, alinhada à Rússia, foi observada com atenção. 

As autoridades da Transnístria acusaram o governo moldavo de tentar limitar o voto dos moradores da região. Vinte partidos e candidatos independentes disputaram o pleito. 

Reações internacionais 

A vitória do campo pró-Europa envia uma "mensagem forte e clara", afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa. 

"O povo moldavo se expressou com clareza. Escolheu democracia, reformas e um futuro europeu, apesar da pressão e da ingerência russa", escreveu Costa na rede X. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou o resultado uma escolha pela "Europa, pela democracia e pela liberdade". "Nossa porta está aberta. Vamos acompanhá-los em cada etapa."

O presidente francês, Emmanuel Macron, também comemorou o resultado. "Apesar das tentativas de ingerência e das pressões, a escolha dos cidadãos moldavos se afirmou com força", publicou. "A França está ao lado da Moldávia em seu projeto europeu e em seu impulso por liberdade e soberania", acrescentou. 

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia "falhou em desestabilizar a Moldávia", mesmo após gastar "recursos enormes". Em discurso por vídeo durante um fórum sobre segurança em Varsóvia, ele declarou: "A influência subversiva da Rússia não vai se expandir mais na Europa".

(Com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra