Paraguai analisa hoje abertura de processo de impeachment contra Peña após quebra de banco digital
Oposição acusa presidente paraguaio de 'conflito de interesses'; Peña já teve ações de grupo controlador do Ueno Bank, alvo de intervenção do Banco Central
A Câmara dos Deputados do Paraguai analisa a abertura de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice após a intervenção no banco digital Ueno Bank, que congelou os depósitos de 3 milhões de pessoas. Em meio a protestos reprimidos em Assunção, a oposição acusa Peña de mau desempenho e conflito de interesses por favorecer a instituição, da qual foi acionista. Oito dirigentes do banco foram presos, e o governo sancionou uma lei emergencial para liberar parte dos fundos aos clientes.
A Câmara dos Deputados do Paraguai realiza na manhã desta quinta-feira, 5, uma sessão extraordinária para analisar a solicitação de abertura de um processo de impeachment contra o presidente paraguaio, Santiago Peña.
Na quarta-feira, 4, deputados da oposição apresentaram ao Congresso um pedido de abertura de processo de impeachment contra Peña e o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, em razão da crise envolvendo o banco digital Ueno Bank, que levou ao congelamento dos depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas.
A sessão extraordinária está marcada para às 10h. Na agenda da Câmara para esta quinta-feira, as únicas pautas citadas são os pedidos de abertura de processos de impeachment contra Peña e Alliana.
Segundo o jornal ABC, a Polícia Nacional organizou uma operação de segurança nas proximidades do Congresso, com a mobilização de até 600 agentes. O chefe da 3ª Delegacia de Polícia de Assunção, comissário Alberto Morínigo, disse ao jornal que o efetivo foi mobilizado para garantir a segurança tanto dos parlamentares quanto das pessoas que decidirem se manifestar nas imediações.
Na noite de quarta-feira, centenas de manifestantes protestaram pelo segundo dia em Assunção, aos gritos de "devolvam nosso dinheiro" e "impeachment de Santi Peña". Algumas horas antes, clientes formaram longas filas em frente às agências do Ueno em busca de seus depósitos.
Durante a manifestação, foram registrados confrontos com a polícia, que tentou dispersar os manifestantes com caminhões-pipa e gás lacrimogêneo, embora muitos tenham continuado protestando.
Nesta quinta-feira, como parte da operação de segurança, diversas ruas consideradas estratégicas para o trânsito na área do Congresso foram bloqueadas. Os manifestantes anunciaram que devem realizar um novo protesto na região, às 18h, a depender da decisão dos parlamentares.
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu, na terça-feira, 3, intervir no Ueno por insuficiência de capital. Em seguida, os serviços da instituição foram suspensos. Quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios tem conta no Ueno. O escândalo levou à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo.
Peña tinha ações de um grupo que controlava o Ueno, mas se desvinculou delas em 2025. O texto da acusação apresentado à Câmara dos Deputados pede a abertura de um processo de impeachment contra ele por "mau desempenho de suas funções no exercício do cargo".
O presidente é acusado, entre outras irregularidades, de "conflito de interesses" e enfrenta questionamentos pelo aumento de seu patrimônio. A oposição afirmou que Peña tomou "decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno" e concentrou recursos previdenciários na instituição, em um possível conflito de interesses relacionado a seus antigos vínculos com o banco.
Os deputados da oposição precisam obter o apoio de integrantes do Partido Colorado, ao qual Peña é filiado, para conseguir a aprovação do pedido. Se aprovado, o Senado conduzirá o julgamento político, que pode destituir os dois mandatários caso sejam obtidos 30 votos entre os 45 senadores. Essa possibilidade, porém, é incerta.
O Partido Colorado tem maioria própria nas duas Casas do Congresso. No entanto, seu presidente, o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes, está afastado do governo.
Na quarta-feira, Peña sancionou uma lei, aprovada rapidamente pelo Congresso, que "permitirá aos poupadores receber, no menor prazo possível, parte dos recursos do fundo de garantia, para que o dinheiro volte às mãos de seus legítimos proprietários". A norma estabelece que os pagamentos sejam realizados nos próximos cinco dias.
Na terça-feira, o BCP apresentou uma denúncia contra o Ueno à Justiça, que levou à prisão, no mesmo dia, de oito dirigentes da instituição, entre eles seu presidente, Miguel Vázquez./Com informações da AFP

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