O que se sabe sobre os falsos alertas de bomba que perturbam o tráfego aéreo na Europa
Pelo menos 12 voos europeus foram alvo de alertas de bomba nesta quinta-feira (5), e aeronaves receberam escolta de caças, enquanto dois voos foram desviados, anunciaram autoridades e companhias aéreas. Esta é a terceira onda de alertas de bomba registrada nesta semana, tendo como principais alvos companhias aéreas de baixo custo e voos com destino ou origem na Bulgária, na República Tcheca e na Itália.
Uma onda de falsos alertas de bomba tem provocado desvios de rotas, pousos de emergência e escoltas militares em diversos voos comerciais pela Europa, afetando companhias como Aer Lingus, Wizz Air e Ryanair. Embora nenhuma ameaça tenha sido confirmada após as inspeções de segurança, autoridades de países como França e Polônia associam a multiplicação desses incidentes a ações coordenadas de guerra híbrida, que envolvem sabotagem e espionagem para desestabilizar a infraestrutura do continente.
Após realizar várias voltas sobre o departamento de Essonne, perto de Paris, uma das aeronaves, um A320 que fazia a rota entre Dublin e Roma, da companhia irlandesa Aer Lingus, pousou em segurança às 10h05 na Base Aérea Militar 105 de Évreux-Fauville, na Normandia, no noroeste do país. "A nossa equipe operacional decolou para interceptar a aeronave após uma suspeita de alerta de bomba", informou a Força Aérea e Espacial francesa. "O avião foi desviado e escoltado até a base de Évreux."
Em comunicado, a Aer Lingus afirmou que o voo EI402 "pousou em segurança" e que a companhia trabalha para encaminhar os passageiros ao destino final "o mais rapidamente possível".
Os 151 passageiros e os seis membros da tripulação foram retirados da aeronave e colocados em segurança para permitir a atuação das equipes de desativação de explosivos, segundo os serviços do primeiro-ministro francês. Após o alerta de bomba emitido a bordo do A320, o aeroporto de Roma-Fiumicino, onde o avião deveria pousar inicialmente, interrompeu as decolagens por cerca de 30 minutos, de acordo com dados do Flightradar24.
Outros voos foram alvo de alertas de bomba nesta quinta-feira: um da Finnair, que ligava Helsinque a Roma, e outro da Wizz Air, que fazia a rota entre Milão e Varsóvia e foi desviado para Viena, informou a agência italiana Ansa. O voo da Finnair foi escoltado por caças militares até o aeroporto romano de Fiumicino, confirmou um porta-voz dos Aeroportos de Roma.
Outros incidentes
Já na segunda-feira (2), um voo da companhia Wizz Air que fazia a rota entre o aeroporto de Luton, em Londres, e Sófia foi desviado após uma ameaça de bomba e obrigado a realizar um pouso de emergência em Budapeste.
Na terça-feira (3), pelo menos quatro alertas envolveram voos da companhia irlandesa Ryanair: Manchester-Múrcia, Lisboa-Roma, Dublin-Roma e Dublin-Sófia. Também foram alvo de ameaças dois voos com destino a Varsóvia: um da companhia escandinava SAS, proveniente de Copenhague, e outro da companhia polonesa LOT, com origem em Londres-Heathrow, além de um voo da Wizz Air entre Bergamo, na Itália, e Sófia.
Todas as aeronaves foram inspecionadas após o pouso, sem que qualquer artefato suspeito fosse encontrado. Já na segunda-feira, um voo da Wizz Air entre Luton, no Reino Unido, e Sófia precisou fazer um pouso de emergência em Budapeste, escoltado por dois caças da Força Aérea húngara. No domingo (1º), um voo da Austrian Airlines que seguia de Tel Aviv para Viena também foi desviado para a Bulgária, mas nenhum explosivo foi localizado durante as inspeções.
Guerra híbrida
No setor de segurança francês, o secretário-geral de Defesa e Segurança Nacional, Nicolas Roche, mencionou "a concretização e a multiplicação do volume de ataques híbridos em toda a sua diversidade, como sabotagem, ataques cibernéticos, drones e espionagem, que estamos vendo se materializar na Europa".
"Hoje não vejo nenhuma razão para que esse tipo de ataque pare na fronteira do nosso país e deixe de nos atingir nos próximos meses", acrescentou.
Também nesta semana, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou para a intensificação das chamadas operações de "guerra híbrida" atribuídas à Rússia e anunciou o reforço da segurança na fronteira com Kaliningrado, enclave russo situado entre a Polônia e a Lituânia.
Com AFP
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