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Casos de violência doméstica voltam a crescer em 2025 na França, mostra relatório

Um total de 284.681 casos de violência doméstica foi registrado pelas forças de segurança francesas em 2025, segundo o estudo anual do Serviço Estatístico Ministerial da Segurança Interna (SSMSI). A maioria das vítimas é composta por mulheres (84%), enquanto os suspeitos são majoritariamente homens (85%) e de nacionalidade francesa (84%). Ao todo, quase 218 mil pessoas foram alvo de investigação ou responsabilização em 2025, alta de 2%.

5 nov 2026 - 11h03
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Resumo
Em 2025, as queixas de violência doméstica na França subiram 5%, acumulando alta de 129% desde 2016, avanço atribuído à melhora no acolhimento e a mais denúncias. Agressões físicas somam 63% dos registros, enquanto a violência sexual teve a maior alta (12%). Houve 124 mortes no ano, mas a subnotificação persiste: apenas 13% das vítimas recorrem à polícia. O cenário impulsiona a tramitação de uma nova lei integral de combate à violência sexual e de gênero no país.

Esse número mais que dobrou desde 2016 e representa um aumento de 129% - 5% em relação ao ano anterior. O órgão francês atribui parte dessa evolução à maior disposição das vítimas para denunciar, à melhora do acolhimento e aos mecanismos de proteção e punição criados nos últimos anos, e não necessariamente a um aumento da violência. Quase três quartos das vítimas (73%) têm entre 20 e 45 anos. A faixa etária de 30 a 34 anos é a mais representada, com 16% dos casos. 

Manifestantes participam de ato contra a violência de gênero em Paris, em 22 de novembro de 2025. A mobilização reuniu milhares de pessoas para denunciar agressões contra mulheres e cobrar políticas de proteção às vítimas.
Manifestantes participam de ato contra a violência de gênero em Paris, em 22 de novembro de 2025. A mobilização reuniu milhares de pessoas para denunciar agressões contra mulheres e cobrar políticas de proteção às vítimas.
Foto: © Bertrand Guay / AFP / RFI

Segundo o Ministério do Interior, quase dois terços dos casos de violência doméstica (63%) envolvem agressões físicas, na maioria das vezes sem incapacidade total para o trabalho. Em 2025, 124 pessoas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, contra 134 em 2024. Já as tentativas de homicídio somaram 433 casos, aumento de 8%, de acordo com o SSMSI. 

As violências verbais ou psicológicas representam 31% das vítimas registradas. Desse total, 17% correspondem a assédio, 12% a ameaças e 2% a violações da intimidade ou da vida privada. As violências sexuais, que representam 5% das vítimas, foram as que mais cresceram em um ano, com alta de 12%. Cerca de 15,1 mil vítimas foram registradas. Em 82% dos casos, tratava-se de estupro ou tentativa de estupro. As mulheres representam 97% das vítimas dessa categoria. 

Assim como em 2024, os departamentos de Pas-de-Calais, Reunião, Nord, Somme e Seine-Saint-Denis figuram entre as áreas com as maiores taxas de vítimas registradas por mil mulheres de 15 a 64 anos. 

Ocorrências

Os números, porém, retratam apenas parte do fenômeno da violência doméstica, ressalta o SSMSI. As vítimas registradas pela polícia e pela Gendarmeria (força policial militarizada) representam uma pequena parcela das pessoas que sofreram esse tipo de violência, já que muitos casos nunca são comunicados às autoridades ou são denunciados apenas anos depois. 

Segundo a pesquisa "Vécu et ressenti en matière de sécurité" ("Vivência e percepção em matéria de segurança"), apenas 13% das vítimas de violência doméstica registram ocorrência junto às forças de segurança. 

A proporção varia de acordo com o tipo de violência sofrida. Ela chega a 27% entre mulheres vítimas de agressão física, contra 13% entre vítimas de violência verbal ou psicológica e apenas 9% entre vítimas de violência sexual, segundo dados referentes a 2023 e 2024. 

Em sinal de que mais vítimas passaram a denunciar episódios ocorridos no passado, quase um terço das vítimas registradas em 2025 (31%) relatou fatos ocorridos em anos anteriores. Em 2016, essa parcela era de 19%. 

Os dados foram divulgados enquanto a proposta da chamada lei integral de combate às violências sexistas e sexuais, aprovada em 13 de outubro pela Assembleia Nacional, se prepara para ser analisada pelo Senado em janeiro. O governo espera a aprovação definitiva da medida até o fim de fevereiro, antes da suspensão dos trabalhos parlamentares em razão da campanha presidencial. 

Com agências

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