Papa 'recolhe lágrimas' de população da 'Terra dos Fogos', na Itália
Leão XIV visitou Acerra, área de tragédia ambiental ligada à máfia
O papa Leão XIV deixou o Vaticano neste sábado (23) para "recolher as lágrimas" dos familiares das vítimas da "Terra dos Fogos", apelido dado à área entre Nápoles e Caserta, no sul da Itália, devido à queima de resíduos tóxicos ligados à máfia.
"Vim, antes de mais nada, para recolher as lágrimas daqueles que perderam entes queridos, mortos pela poluição ambiental causada por indivíduos e organizações inescrupulosos, que por muito tempo puderam agir com impunidade", afirmou o pontífice na Catedral de Acerra, cidade que está entre os principais epicentros da tragédia ambiental.
"Estou aqui também para agradecer àqueles que responderam ao mal com o bem, especialmente através da Igreja", acrescentou Robert Prevost, que recordou que seu antecessor, Francisco, gostaria de ter visitado a "Terra dos Fogos", mas que "infelizmente, não foi possível".
"Hoje queremos realizar o seu [de Jorge Bergoglio] desejo, reconhecendo o grande dom que a 'Encíclica Laudato Sì' [livro do papa Francisco sobre o consumismo] representou para a missão da Igreja nesta terra", disse Prevost, segundo o qual, o clamor dos fiéis em Acerra tem sido mais forte "devido a uma concentração mortal de interesses obscuros e à indiferença ao bem comum, que envenenou o ambiente natural e social" da região afetada pela criminalidade.
Ainda na catedral, o pontífice trouxe palavras de esperança aos habitantes de Acerra, onde, de acordo com o bispo de Ace, Antonio Di Donna, morreram cerca de 150 jovens nos últimos 30 anos, "sem contar os adultos e outras zonas" da "Terra dos Fogos".
"A vida existe e combate a morte; a justiça existe e se afirmará. Por isso, gostaria de dizer a todos vocês: assumamos, cada um de nós, as nossas próprias responsabilidades, escolhamos a justiça, sirvamos à vida", exortou Leão XIV. "O bem comum vem antes dos negócios de poucos, dos interesses de grupos, por menores ou maiores que sejam", destacou o pontífice.
Antes de retornar ao Vaticano, Leão XIV se reuniu com os familiares das vítimas e com jovens que enfrentam o câncer.
"O Papa apertou nossas mãos, ouviu alguns breves relatos históricos das famílias presentes e nos emocionou, pois foi muito gentil com cada um de nós", afirmou Angelo Venturato, pai de Maria, que faleceu em 2016, aos 25 anos, vítima de câncer.
Após deixar a Catedral de Acerra, o líder católico foi de papamóvel até a praça Calipari para saudar os cerca de 12 mil fiéis que o aguardavam.
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