O Irã celebra nesta terça-feira, com desfiles e discursos oficiais, o 35º aniversário da Revolução Islâmica que depôs o último xá de Pérsia, Mohammed Reza Palevi, em 1979 e estabeleceu a República Islâmica.
Espera-se que milhões de iranianos saiam às ruas nas cidades mais importantes do país para comemorar o triunfo da revolução e o apoio aos valores islâmicos. As cidades estão decoradas com bandeiras e imagens do primeiro líder supremo e fundador da República Islâmica, o falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, desde o início do mês.
Neste período são realizados todos os anos eventos nacionalistas e religiosos, os chamados "Dez dias do amanhecer", que rememoram o tempo transcorrido entre a chegada de Khomeini ao Irã, no dia 1º de fevereiro de 1979, depois de 15 anos no exílio, e o dia 11 de fevereiro, quando foi proclamado o triunfo da revolução.
Líderes religiosos e políticos pediram à população nos últimos dias que participassem das passeatas de hoje para demonstrar a união do povo iraniano.
O presidente Hassan Rohani, que pronunciará hoje um discurso no centro de Teerã por ocasião do aniversário, pediu na última segunda-feira uma "participação massiva" nos desfiles, informou a emissora de rádio "Voz da República Islâmica do Irã".
"Quero pedir à grande e querida nação iraniana que transforme este 22 de bahman (11 de fevereiro no calendário persa) em diferente de todos os anteriores, apesar de o nosso grande povo participar todos os anos do 22 de bahman de forma gloriosa e épica. Quero que todos os setores políticos, todos os partidos, sindicatos, grupos étnicos, jovens e idosos, homens e mulheres e, em particular, nossos queridos jovens, façam outro grande e épico 22 de bahman", declarou.
O ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, também encorajou o povo do país a participar das comemorações ao declarar à agência de notícias estatal "Irna" que as passeatas de hoje serão "uma demonstração de apoio" às negociações nucleares que Teerã mantém com a comunidade internacional.
O Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encerraram no domingo as negociações nucleares com um novo acordo de cooperação, que possui sete pontos.
Após um dia e meio de conversas, a AIEA e a Organização de Energia Atômica do Irã emitiram um comunicado conjunto no qual afirmam que Teerã cumpriu com os seis compromissos adquiridos em novembro e concordaram em cooperar em outros sete aspectos, informou a agência "Irna", que não detalhou o conteúdo do acordo.
Agosto de 1953: O Xá Reza Pahlavi depôs o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, iniciando um período quase ditatorial sem permitir oposição, até o final dos anos 1970. Na foto, o Xá e sua esposa chegam ao aeroporto de Roma
Foto: AFP
Outubro de 1967: após a cerimônia de coroação de Mohammed Reza Pahlavi como Xá do Irã, da família imperial do Irã. Da esquerda para a direita: Princesa Shahnaz Pahlavi, Princesa Farahnaz Pahlavi, Mohammed Reza Pahlavi, Príncipe Ali Reza Pahlavi e a Imperatriz Farah Diba
Foto: AFP
A Dinastia dos Pahlevi começou em 1905 com a derrubada da Dinastia Qajar. A foto, datada de 26 de outubro de 1967, mostra a cerimônia de coroação de Reza Pahlavi como Xá do Irã e sua esposa Princesa Farah Diba
Foto: AFP
Outubro de 1967: Durante a cerimônia de coroação de Reza Pahlavi como Xá do Irã, e sua esposa Princesa Farah Diba
Foto: AFP
Setembro de 1974: Estudantes refugiados no Irã. Meninos e meninas estudam na mesma turma, ao contrário do que acontece após a Revolução Islâmica
Foto: AFP
Setembro de 1978: mulheres choram em túmulo durante o enterro de apoiadores do Aiatolá Khomeini que morreram em violentos confrontos com o exército nas ruas de Teerã, durante um protesto contra o Xá. A "Black Friday" causou a morte de 200 pessoas, segundo o governo iraniano, e 2000 pessoas, de acordo com a oposição
Foto: AFP
Em 1979, o Xá iraniano é derrubado pela Revolução Islâmica e foge do país com sua família. O Aiatolá Khomeini, principal líder da oposição, havia retornado da França ao seu país, depois de 15 anos de exílio no Iraque e na França. Khomeini instaura um regime conservador e islâmico, implantando leis inspiradas no Alcorão. Estudantes que apoiavam o líder invadiram a embaixada americana, no mesmo ano, e inicia a relação conturbada entre os dois países. Na foto, em 1979, o arcebispo da Igreja Armênia no Irã, Ardak Manoukian, que morreu em outubro daquele ano. O encontro entre ele e Khomeini aconteceu pouco depois do Aiatolá ter chegado ao Irã para estabelecer a República Islâmica no país
Foto: AFP
Janeiro de 1979: Xá Reza Pahlavi com sua esposa durante seu exílio em Marrakech, Marrocos, poucos dias depois de deixar o Irã na Revolução Islâmica. Ele se foi, diziam os jornais iranianos na época. Era o fim do regime de Império e o início da chamada República Islâmica
Foto: AFP
Fevereiro em 1979, o Xá iraniano é derrubado pela Revolução Islâmica e foge do país com sua família. O Aiatolá Khomeini, principal líder da oposição, havia retornado da França ao seu país, depois de 15 anos de exílio no Iraque e na França. Khomeini instaura um regime conservador e islâmico, implantando leis inspiradas no Alcorão. Estudantes que apoiavam o líder invadiram a embaixada americana no mesmo ano e inicia a relação conturbada entre os dois países
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Fevereiro de 1979: Milhares de pessoas foram às ruas para cumprimentar o líder de oposição do império, Aiatolá Khomeini, que desfilou em carro aberto depois de voltar de seu exílio
Foto: AFP
Desde 1979, foi estabelecido um dia para demonstrar solidariedade com os palestinos contra Israel, apoiado pelos Estados Unidos. Manifestações contra o país americano são bastante comuns desde a Revolução
Foto: AFP
Fevereiro de 1979: Milhares de pessoas foram às ruas para cumprimentar o líder de oposição do império, Aiatolá Khomeini, que desfilou em carro aberto depois de voltar de seu exílio
Foto: AFP
1979: muçulmanas vestidas conforme as leis islâmicas. Uma delas usa óculos que refletem os cartazes com o retrato do líder da Revolução Islâmica. Seguidores fanáticos do Aiatolá invadiram a embaixada americana em 4 de novembro de 1979 em Teerã, ocupando o prédio e fazendo mais de cem oficiais como reféns
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Final anos 1980: imagem não datada dos arquivos da autoridade palestina mostra líder palestino Yasser Arafat durante visita ao fundador da República Islâmica do Irã no final dos anos 1980. Aiatolá Khomeini morreu em 4 de junho de 1989 após uma cirurgia para conter hemorragia interna
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Em 1997, o candidato reformista Hojjat ol-Eslam Mohammad Khatami foi eleito presidente do Irã e seu governo era mais moderado. Na foto, iranianos fazem fila para eleição
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11 de fevereiro de 2000: no aniversário de 21 anos da Revolução Islâmica, mulher segura um cartaz com a caricatura do então presidente americano, Bill Clinton
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Fevereiro de 2002: mulheres xiitas iranianas fazem orações do meio-dia, na sexta-feira, no mausoléu do Aiatolá Khomeini, fundador da Revolução Islâmica
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Outubro de 2003: primeiro grupo de mulheres da academia de polícia do Irã a se formar após a revolução de 1979. As mulheres foram excluídas do serviço público depois de ter sido instaurado o regime islâmico no país
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11 de fevereiro de 2006: O presidente Mahmoud Ahmadinejad saúda a multidão durante as comemorações do 27º aniversário da Revolução Islâmica. Ahmadinejad alertou que o país poderia deixar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, caso fosse forçado pelo ocidente a colocar limites ao programa nuclear. Ele foi eleito em 2005 e seguia regime conservador. Ahmadinejad foi reeleito em 2009, sob protestos e confrontos nas ruas da capital
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Maio de 2006: mulher iraniana usa telefone celular durante jogo de futebol do time nacional
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Setembro de 2006: o livro sagrado do Islã é lido por crianças em evento organizado pelo partido da Revolução Iraniana
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Junho de 2007: muçulmana relembra a data da morte de Aiatolá Khomeini, em 1989
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Dezembro de 2007: a atriz Marjane Satrapi, autora de Persépolis. Marjane tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979, ela assistiu ao início da Revolução que lançou o Irã ao regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que, só na França, vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o Irã parece muito mais próximo do que se imagina
Foto: AP
11 de fevereiro de 2008: Cidadãos iranianos seguram cartazes anti-Bush, comparando-o ao líder do nazismo, Adolph Hitler, durante as comemorações do 29º aniversário da Revolução Islâmica. Milhares de iranianos gritaram morte à América e reafirmaram sua lealdade ao governo de seu país. O presidente da época, Mahmoud Ahmadinejad, disse em seu discurso que o ocidente está jogando com pedaços de papel depois de pressionar o Programa
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Junho de 2009: estudantes do ensino médio prestam exame para entrar na universidade, em Teerã. Na época, o governo de Ahamadinejad havia prendido mais de 140 ativistas, jornalistas e universitários
Foto: AFP
Em 2013, Hassan Rouhani, clérigo, político, diplomata e académico iraniano, é eleito presidente do país em 3 de agosto. Na foto, Rouhani sorri durante encontro anual do Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2014, em Davos, Suíça
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1º de Fevereiro de 2014: na foto, publicada por um site oficial do Irã, o Aiatolá Ali Khameneichega para rezar no túmulo de Aiatolá Khomeini, adornado com seu retrato. A Revolução Islâmica completa 35 anos e comemora o retorno do Aiatolá ao país, em 1979, depois de 15 anos exilado
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