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Amorim: Brasil quer um "novo olhar" sobre a paz no Oriente

18 mar 2010 05h56
| atualizado às 06h29
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Gabriel Toueg
Direto de Amã

Na conclusão da visita presidencial à Jordânia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim reiterou que o Brasil pretende ajudar a construir um "novo olhar" nas negociações de paz no Oriente Médio. Amorim relatou que nas reuniões com o premiê jordaniano e o rei, foram discutidos assuntos relativos à cooperação econômica e tecnológica e assuntos relativos às áreas do turismo e da agricultura. "Não se trata de esquecer o que já foi feito, mas principalmente de apresentar novas ideias, sem os interesses militares e político-estratégicos de muitos dos outros negociadores. Talvez o Brasil, por não ter essa bagagem, seja melhor ouvido", disse Amorim.

Lula usa o tradicional lenço palestino
Lula usa o tradicional lenço palestino
Foto: AFP

O ministro das Relações Exteriores também classificou como "excelente" a recepção à delegação brasileira em Israel, apesar do conflito com o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, que não compareceu às reuniões em represália à ausência de Lula em cerimônia no túmulo do fundador do sionismo Theodor Herzl. "Os israelenses tocaram música brasileira no jantar, os encontros ultrapassaram os horários. O premiê Netanyahu nos recebeu no gabinete, foram acordadas reuniões ministeriais conjuntas, um tratamento que é dado a muito poucos países. É muito importante que o país saiba que nós nos consideramos amigos de Israel", reiterou Amorim.

'Dá licença, mamãe'
Celso Amorim embarca para uma visita à Síria nesta quinta, a pedido do presidente Lula. "A Síria é importante para o processo de paz, especialmente porque é parte desse processo, como na questão das colinas de Golan. "Eu estou sempre na Síria, que é um ator fundamental no Oriente Médio. Nós vamos transmitir nossos pontos de vista sobre o tema", disse Amorim. Recentemente, a Síria foi incluída na lista de países que "patrocinam o terrorismo" pelo governo norte-americano, mas no dia 17 de fevereiro o presidente dos EUA Barack Obama indicou o primeiro embaixador no país em cinco anos.

Esse fato foi lembrado por Amorim quando questionado pelos jornalistas se EUA e Israel tinham conhecimento da visita brasileira à Síria. "Não falamos especificamente (com Israel) sobre a visita, mas não existe risco de dificultar relações por isso. Também não podemos pedir 'dá licença, mamãe' para fazer uma visita diplomática", afirmou.

O ministro também comentou as questões sobre a Palestina. "A Autoridade Palestina precisa obter resultados diante do povo palestino. E Israel precisa perceber que os principais aliados dos radicais palestinos são os radicais de Israel. A paz é importante para a segurança de Israel. A Autoridade Palestina não quer uma nova Intifada", disse o ministro. "Precisamos retomar o processo de paz de forma corajosa e fazer uma pressão em favor da paz", concluiu.

Ao comentar sobre as questões relativas ao poder nuclear do Irã, Amorim afirmou que a fiscalização ostensiva da AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica, sigla em inglês) é a principal medida contra as armas de destruição em massa. "Para evitar a bomba nuclear, os inspetores devem estar no terreno. No contexto internacional, é preciso fortalecer as ações de inspeção", disse o ministro.

Fonte: Redação Terra
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