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Oposição pede impeachment de presidente chileno por offshore

Sebastián Piñera foi um dos atingidos pelas revelações do Pandora Papers, que também inclui Paulo Guedes e Roberto Campos Neto

13 out 2021 10h46
| atualizado às 11h11
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Piñera é alvo de pedido de afastamento da oposição
Piñera é alvo de pedido de afastamento da oposição
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A oposição do Chile apresentou nesta quarta-feira, 13, um pedido de impeachment contra o presidente, Sebastián Piñera, por conta das revelações da investigação jornalística Pandora Papers.

Nos documentos, o mandatário aparece como dono de duas empresas offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. O deputado Tomás Hirsch afirmou que o chefe de Estado usou "o cargo para negócios pessoais".

A decisão de apresentar o pedido político ocorre após o Ministério Público do país abrir uma "investigação criminal" contra Piñera na última sexta-feira, 8.

Segundo os procuradores anticorrupção, há possíveis irregularidades no uso das empresas na venda de ações de um grande projeto de mineração em 2010, em crimes que envolvem suborno e infrações fiscais.

Apesar de ocorridas há 11 anos, as movimentações suspeitas atingem, exatamente, o período em que Piñera foi presidente do país pela primeira vez, entre 2010 e 2014. Os documentos apontam que a venda da mineradora estava condicionada ao compromisso do governo chileno de não criar uma área de preservação ambiental no local.

O político negou irregularidades e disse que os detalhes do então contrato já foram revisados pela Justiça do país. Além disso, diz que não está mais no comando das empresas desde 2009.

Para passar, o impeachment precisará ter apoio de 78 deputados para então seguir para o Senado.

Piñera é considerado um dos homens mais ricos do Chile, com cerca de US$ 4,9 bilhões em bens, dinheiro e patrimônio.

Pandora Papers

Revelado em 3 de outubro, a investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou inúmeras empresas offshore de políticos e celebridades.

A operação, chamada de Pandora Papers, teve acesso a 11,9 milhões de documentos de empresas instaladas em paraísos fiscais.

No Brasil, a investigação foi feita pela Revista Piauí, pela Agência Pública e pelos sites Poder360 e Metrópoles e atingiu o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Ansa - Brasil   
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