Opep+ deve manter pausa no aumento da produção de petróleo diante da alta de preços, dizem fontes
Por Ahmad Ghaddar e Olesya Astakhova e Alex Lawler
LONDRES, 30 Jan - A Opep+ provavelmente manterá sua pausa no aumento da produção de petróleo em março, quando o grupo se reunir no domingo, disseram cinco delegados à Reuters, mesmo que o petróleo tenha superado US$70 o barril devido a preocupações de que os EUA possam lançar um ataque militar contra o Irã, membro da Opep.
A reunião dos oito membros da Opep+, que bombeiam cerca de metade do petróleo mundial, ocorre em meio à alta recente do petróleo Brent, que subiu para quase US$72 por barril, seu maior valor desde agosto, apesar das especulações de que um excesso de oferta pressionaria os preços para baixo.
Os oito produtores -- Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã -- aumentaram as cotas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia de abril a dezembro de 2025, aproximadamente 3% da demanda global. Em seguida, congelaram novos aumentos planejados para janeiro a março de 2026 devido ao consumo sazonalmente mais fraco.
Três dos cinco delegados da Opep+, que pediram para não serem identificados por não estarem autorizados a falar com a imprensa, disseram que na reunião de domingo provavelmente não seria tomada nenhuma decisão além de março.
A Opep e as autoridades da Arábia Saudita e da Rússia não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Também no domingo, um painel separado da Opep+, chamado Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento (JMMC), deve se reunir, disseram os delegados. O JMMC não tem autoridade para tomar decisões sobre a política de produção.
O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o Irã para que reduza seu programa nuclear, ameaçando com ação militar e enviando um grupo naval dos EUA para a região. Washington impôs sanções extensas a Teerã para sufocar sua receita de petróleo, uma fonte crucial de financiamento do governo local.
Trump está avaliando ataques direcionados a autoridades de segurança e figuras importantes para provocar agitação e potencialmente enfraquecer o sistema governamental, informou a Reuters na quinta-feira, citando fontes norte-americanas.
Os preços do petróleo também foram sustentados pelas perdas de oferta no Cazaquistão, onde o setor petrolífero sofreu uma série de interrupções nos últimos meses. O Cazaquistão anunciou na quarta-feira que estava reiniciando em etapas a produção do enorme campo petrolífero de Tengiz.