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ONU pede para "reativar motor do desenvolvimento" durante conferência em Sevilha

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta segunda-feira (30) à comunidade internacional que "reative o motor do desenvolvimento" diante do "caos climático" e dos conflitos internacionais. A declaração foi feita durante a quarta conferência internacional sobre o financiamento do desenvolvimento, que termina quinta-feira (3) em Sevilha, na Espanha.

30 jun 2025 - 09h38
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta segunda-feira (30) à comunidade internacional que "reative o motor do desenvolvimento" diante do "caos climático" e dos conflitos internacionais. A declaração foi feita durante a quarta conferência internacional sobre o financiamento do desenvolvimento, que termina quinta-feira (3) em Sevilha, na Espanha.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez (à esquerda no centro) e o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres (à direita no centro) posam com os chefes de Estado e representantes que participam da 4ª Conferência Internacional da ONU sobre Financiamento e Desenvolvimento, em Sevilha, nesta segunda-feira (30).
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez (à esquerda no centro) e o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres (à direita no centro) posam com os chefes de Estado e representantes que participam da 4ª Conferência Internacional da ONU sobre Financiamento e Desenvolvimento, em Sevilha, nesta segunda-feira (30).
Foto: © AFP - Cristina Quicler / RFI

"Hoje, o desenvolvimento e seu grande catalisador, que é a cooperação internacional, enfrentam grandes obstáculos", alertou Guterres no primeiro dia do encontro. "Vivemos em um mundo onde a confiança está se desfazendo e o multilateralismo está sob forte pressão. Um mundo com uma economia estagnada, tensões comerciais crescentes e diminuição de orçamentos. Um mundo abalado por desigualdades, caos climático e conflitos desenfreados", continuou. 

Nesse contexto, é necessário "acelerar os investimentos" e "reparar e reativar o motor do desenvolvimento", insistiu o chefe da ONU, convidando a comunidade internacional a "assumir a liderança", investindo em áreas de maior impacto, como educação e energias renováveis. 

Cerca de 50 chefes de Estado e de governo participam da conferência, a quarta desde 2002, ao lado de líderes de instituições financeiras internacionais e 4.000 representantes da sociedade civil. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, participa do encontro. Os Estados Unidos não enviaram representantes, após abandonarem as negociações em meados de junho, alegando que o texto proposto comprometia sua "soberania". 

O objetivo do documento de 38 páginas, chamado "Compromisso de Sevilha", é encontrar soluções para os países do Sul, que enfrentam, segundo a ONU, um déficit de financiamento de US$ 4 trilhões por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. 

A ajuda ao desenvolvimento foi afetada pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de cortar 83% dos financiamentos da agência norte-americana de desenvolvimento internacional (USAID na sigla em inglês) para programas no exterior. 

Com US$ 63 bilhões em ajuda pública em 2024, os EUA eram até então o principal doador para muitas agências e ONGs, que agora enfrentam sérias dificuldades. Outras capitais, como Paris, Londres e Berlim, também reduziram suas contribuições. 

Críticas das ONGs 

"Num mundo onde a comunidade de doadores está se reduzindo de forma drástica e dramática, é hora de avançar e não apenas reafirmar nosso compromisso, mas redobrá-lo", declarou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, pedindo que a conferência de Sevilha seja uma oportunidade para "corrigir essa trajetória". 

"Isso exigirá recursos em uma escala e ritmo sem precedentes", alertou o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, pedindo a mobilização de todos os atores do desenvolvimento diante do aumento da dívida e dos desafios climáticos. 

"Sabemos que não há dinheiro suficiente nos governos, nas organizações filantrópicas ou nas instituições de desenvolvimento para cumprir todas as promessas. Por isso, precisamos do setor privado", destacou. 

O "Compromisso de Sevilha", que será formalmente adotado na quinta-feira (3) último dia da conferência, propõe revisar a arquitetura financeira internacional, dando mais voz aos países do Sul nas grandes instituições e exigindo maior cooperação contra a evasão fiscal. 

O documento, no entanto, não terá caráter jurídico vinculativo e será complementado por anúncios unilaterais dentro da chamada "Plataforma de Ação de Sevilha", que inclui propostas como a taxação de passagens aéreas. 

Diversas ONGs já criticam o texto, alegando falta de ambição e solidariedade por parte dos países mais ricos. A pedido delas, centenas de pessoas protestaram no domingo à noite em Sevilha, exigindo anulação da dívida e taxação dos super-ricos. 

Conferência em Paris destaca papel do setor privado

Antes da cúpula em Sevilha, outra conferência de alto nível foi realizada na sexta-feira (27) em Paris, no Collège de France, O encontro foi organizado pelo J-PAL, centro fundado pela Prêmio Nobel de Economia Esther Duflo. O J-PAL é uma rede de pesquisadores em economia e especialistas em desenvolvimento que atua na redução da pobreza. 

"A redução da pobreza passará em parte pelo setor privado, pois ele é um grande criador de riqueza", explica Dean Karlan, professor de economia na Northwestern University e ex-economista-chefe da USAID.

"Há muitos setores nos quais a iniciativa privada é, de fato, um excelente vetor de mudança social. Quando uma empresa do setor privado tem um impacto social significativo, isso é ótimo, é a melhor solução. E, na minha visão de mundo, quando isso não acontece, então é papel do governo agir para contribuir com o bem público", afirmou.

Ele também criticou as medidas tomadas pelo presidente norte-americano que reduzem o orçamento da agência. "O que Donald Trump fez foi desmontar a USAID, cortando pessoal e também reduzindo severamente os orçamentos. Mas não há realmente um plano claro sobre como isso vai funcionar. O que está claro é que será um tipo de ajuda mais transacional, focada no que os Estados Unidos ganham com a transação.

"Não era necessário interromper a ajuda de emergência e o fornecimento de medicamentos para crianças no meio de um programa para implementar uma reforma. O que aconteceu foi um verdadeiro desastre, com crianças morrendo por causa disso", criticou.

RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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