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O poder do aiatolá: religião e política no Irã

Em países de maioria xiita, como o Irã, a figura do aiatolá ocupa um lugar central na vida religiosa, política e social. Saiba o papel desse líder no Irã.

4 mar 2026 - 11h00
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Em países de maioria xiita, como o Irã, a figura do aiatolá ocupa um lugar central na vida religiosa, política e social. Trata-se de um título concedido a estudiosos de alto nível dentro do islamismo xiita, reconhecidos pela profundidade de seu conhecimento teológico e jurídico. No contexto iraniano, essa autoridade ultrapassa o campo espiritual e alcança a estrutura do Estado. Afinal, ele influencia decisões de governo, normas de convivência e até comportamentos cotidianos de milhões de pessoas.

No Irã, a importância de um aiatolá não se limita à mesquita ou às escolas religiosas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o sistema político deu a esses líderes um papel institucional, especialmente ao Líder Supremo, que tradicionalmente é um aiatolá. Essa função concentra poderes que vão da nomeação de cargos estratégicos à orientação da política externa e de segurança. Portanto, isso transforma a autoridade religiosa em um elemento-chave do funcionamento do Estado.

o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de Líder Supremo desde 1989, morreu durante bombardeios de forças americanas e israelenses ao território iraniano – khamenei.ir/Wikimedia Commons
o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de Líder Supremo desde 1989, morreu durante bombardeios de forças americanas e israelenses ao território iraniano – khamenei.ir/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Qual é o papel religioso de um aiatolá no Irã?

No campo religioso, o aiatolá é uma referência máxima de interpretação da lei islâmica, a sharia, dentro da tradição xiita. Muitos deles tem o reconhecimento de marja' taqlid, ou seja, fontes de emulação, o que significa que os fiéis podem seguir seus ensinamentos em questões de fé, moral e conduta. A palavra-chave nesse processo é confiança: a comunidade deposita nesses líderes a responsabilidade de explicar como os princípios religiosos se aplicam a situações contemporâneas.

Uma das principais ferramentas de atuação de um aiatolá é a emissão de fatwas, pareceres jurídicos e religiosos que orientam os crentes em temas específicos. Essas decisões podem tratar de assuntos variados, como finanças, bioética, tecnologia, relações familiares ou práticas de culto. Embora uma fatwa não tenha, em si, o peso de uma lei estatal, ela exerce grande influência sobre o comportamento dos seguidores e, em alguns casos, pode ser incorporada às normas oficiais quando encontra eco nas estruturas de poder.

Além disso, o ensino religioso é um campo em que a presença do aiatolá é constante. Em cidades como Qom e Mashhad, centros de estudos xiitas, esses líderes coordenam seminários, formam novos clérigos e ajudam a definir o currículo teológico. Esse processo contribui para moldar a próxima geração de religiosos, mantendo uma continuidade na interpretação doutrinária e nas práticas de culto, o que reforça sua posição no tecido social iraniano.

Autoridade política: como um aiatolá influencia o Estado iraniano?

No sistema da República Islâmica do Irã, a autoridade de um aiatolá, especialmente quando ocupa o posto de Líder Supremo, tem impacto direto na política. A Constituição iraniana prevê que essa figura detenha a palavra final em áreas sensíveis, como defesa, programas militares, diretrizes econômicas estratégicas e política externa. Na prática, isso significa que decisões de governo passam, em grande medida, por sua aprovação explícita ou tácita.

Esse poder se expressa de diferentes formas. O Líder Supremo indica chefes das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária, da rádio e televisão estatal e de parte do Judiciário. Também exerce influência sobre o Conselho dos Guardiães, órgão que avalia leis aprovadas pelo Parlamento e filtra candidaturas para eleições. Dessa maneira, a visão religiosa e política de um aiatolá pode orientar o rumo de reformas internas, o grau de abertura econômica, o relacionamento com outros países e a resposta a crises internas.

Vale lembrar que o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de Líder Supremo desde 1989, morreu durante bombardeios de forças americanas e israelenses ao território iraniano. O país persa confirmou a notícia da morte em 28 de fevereiro de 2026.

O impacto de um aiatolá na sociedade iraniana se manifesta também no dia a dia de cidadãos comuns – depositphotos.com / rochu_2008
O impacto de um aiatolá na sociedade iraniana se manifesta também no dia a dia de cidadãos comuns – depositphotos.com / rochu_2008
Foto: Giro 10

De que forma o aiatolá influencia a vida cotidiana e a cultura no Irã?

O impacto de um aiatolá na sociedade iraniana se manifesta também no dia a dia de cidadãos comuns. Normas sobre vestimenta, separação de espaços de lazer para homens e mulheres, consumo de bebidas alcoólicas e regras de comportamento em locais públicos são influenciadas por interpretações religiosas defendidas por esses líderes. Mesmo quem não é particularmente religioso acaba convivendo com leis e costumes que se originam, em parte, dessas orientações.

As fatwas podem tratar, por exemplo, do uso de novas tecnologias, como redes sociais, criptomoedas ou ferramentas de inteligência artificial. Um parecer favorável, restritivo ou intermediário pode influenciar a forma como empresas atuam, como órgãos do governo regulam determinados setores e como famílias adotam ou rejeitam certos recursos digitais. Assim, decisões que parecem abstratas nos seminários teológicos ganham efeitos concretos em rotinas domésticas, no trabalho e na educação.

No campo cultural, a figura do aiatolá também permeia produções artísticas, debates acadêmicos e o sistema educacional. Programas de televisão, filmes e livros frequentemente dialogam, direta ou indiretamente, com diretrizes religiosas definidas por esses líderes. Em períodos de maior tensão política, discursos de um aiatolá podem estimular mobilizações populares, reforçar campanhas oficiais ou tentar apaziguar manifestações nas ruas. A relação entre Estado, religião e sociedade, no caso iraniano, passa obrigatoriamente pelo papel desempenhado por esses clérigos de alta hierarquia.

Para observadores externos, entender a importância de um aiatolá no Irã é fundamental para interpretar decisões do governo, reações da população e a dinâmica de crises regionais. Mais do que um representante espiritual, o aiatolá atua como um eixo em torno do qual se organizam normas legais, práticas sociais e estratégias políticas. Sua autoridade, resultado de formação religiosa extensa e de um sistema institucional que lhe confere poder formal, segue sendo um dos elementos centrais na compreensão do cenário iraniano contemporâneo.

Giro 10
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