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Nvidia abre investigação após relatos de que CEO teve caso com suposta espiã chinesa

Jensen Huang admitiu ter sido "infiel" à esposa e disse que vai cooperar com as investigações. A China já havia rejeitado alegações de que teria conduzido uma operação de espionagem tendo como alvo o chefe da Nvidia e classificado as acusações como 'especulação sem fundamento'.

8 nov 2026 - 19h30
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Resumo
A Nvidia abriu uma investigação independente após revelações de que seu CEO, Jensen Huang, manteve um caso com Alice Huang, empresária apontada pela inteligência dos EUA como espiã chinesa. Huang admitiu a infidelidade e pediu desculpas, enquanto a diretoria da empresa afirma não haver indícios de vazamento de dados confidenciais ou riscos à segurança nacional. O caso gerou preocupação no Congresso americano sobre espionagem e proteção a tecnologias cruciais de inteligência artificial.
Jensen Huang admitiu ter tido um relacionamento extraconjugal e afirmou que vai colaborar com investigação
Jensen Huang admitiu ter tido um relacionamento extraconjugal e afirmou que vai colaborar com investigação
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A multinacional americana de tecnologia Nvidia informou neste domingo (8/11) que abriu uma investigação independente após relatos de que seu CEO, Jensen Huang, manteve um relacionamento com uma suposta espiã chinesa.

A empresa é hoje a principal desenvolvedora de chips para inteligência artificial, fornecendo os processadores gráficos que se tornaram a base dos data centers que treinam e operam os grandes modelos de IA.

A companhia informou que seu conselho de administração não vê motivos para acreditar que informações confidenciais da companhia ou dados relacionados à segurança nacional dos EUA tenham sido comprometidos, acrescentando que o CEO permanece empenhado em continuar à frente da empresa.

Em um comunicado à parte, Jensen Huang admitiu ter sido "infiel" à esposa e pediu desculpas por tê-la magoado, bem como a seus filhos.

Segundo uma reportagem do New York Times, autoridades de inteligência dos EUA acreditam que a empresária chinesa Alice Huang, que mantinha um relacionamento próximo com Jensen Huang, atuava como espiã para o Ministério da Segurança do Estado da China.

Huang disse assumir "total responsabilidade" pelo que fez, reconhecendo que falhou em suas obrigações para com os funcionários, o conselho de administração e os acionistas da Nvidia.

"Fui infiel à minha esposa. Minhas ações a magoaram, assim como aos nossos filhos. Não há desculpa para o que fiz. Sinto muito, profundamente", declarou em comunicado.

"Em relação às preocupações com a segurança nacional mencionadas em reportagens, o conselho de administração da Nvidia iniciou uma investigação independente. Apoio a investigação e colaborarei plenamente", prosseguiu o texto.

"Amo nosso país e nossa empresa. Estou comprometido em proteger a Nvidia e em apoiar a segurança nacional dos EUA. Tenho orgulho e sou grato por ser americano."

Em um comunicado separado, o conselho de administração da empresa informou que iniciará uma investigação "à luz de reportagens recentes indicando que o fundador e CEO, Jensen Huang, teria sido alvo de uma operação de inteligência estrangeira".

O texto acrescenta: "O Conselho prioriza a segurança nacional e econômica dos EUA, o que é fundamental para os interesses da Nvidia e de seus acionistas. Embora o Conselho não tenha motivos para acreditar que a segurança nacional ou dados confidenciais da Nvidia tenham sido comprometidos, a investigação analisará todas as informações disponíveis."

Alice Huang tem vínculos com a Megaspeed, empresa de data centers sediada em Singapura.

A companhia declarou ao New York Times no mês passado que seus dirigentes levaram as alegações de espionagem a sério e nomearam consultores jurídicos externos para conduzir uma investigação interna.

A China já havia rejeitado alegações de que teria conduzido uma operação de espionagem tendo como alvo o chefe da Nvidia e classificado as acusações como "especulação sem fundamento".

Agências de inteligência dos EUA monitoravam Alice Huang e concluíram que ela agia em nome do governo chinês, segundo fontes não identificadas citadas pelo jornal The New York Times.

O monitoramento teria revelado comunicações entre Alice Huang e um cidadão americano, que foi posteriormente identificado como Jensen Huang por meio de um processo conhecido como "revelação de identidade" ("unmasking").

Não está claro quais informações Alice Huang — também conhecida como Huang Le — teria repassado a Pequim, qual a importância dessas informações ou quando ela teria começado a coletar dados de inteligência.

Alice Huang não respondeu ao pedido de comentário feito pelo jornal.

Na semana passada, depois que o relacionamento foi noticiado, membros do Congresso americano escreveram a Jensen Huang solicitando que ele prestasse esclarecimentos sobre o assunto.

Três líderes de comitês republicanos na Câmara dos Representantes pediram ao CEO que comparecesse ainda este mês para tratar dos "protocolos de segurança da Nvidia contra a espionagem por parte de adversários estrangeiros", considerando o seu suposto relacionamento com Alice Huang.

"Relatos recentes levantam preocupações significativas de segurança nacional quanto ao acesso da RPC [República Popular da China] a tecnologias e informações sensíveis dos EUA.

"A questão da infiltração da RPC e do seu acesso a tecnologias de ponta dos EUA é central para o trabalho investigativo de nossos três comitês neste Congresso", diz a carta.

Avaliada em cerca de US$ 4,5 trilhões, a Nvidia é uma das empresas mais valiosas de todos os tempos e desempenha um papel central na infraestrutura de IA, fornecendo chips para as principais desenvolvedoras de modelos de IA, incluindo a OpenAI e a Meta.

Seus chips para IA têm sido um ponto central da rivalidade entre EUA e China, e o governo americano já chegou a restringir a venda de algumas categorias de produtos para o mercado chinês.

Um deles foi o H200, o segundo semicondutor mais avançado da Nvidia, que teve a venda restringida até janeiro devido a preocupações de que pudesse conferir à indústria tecnológica da China uma vantagem sobre os EUA. Depois desse período, o fornecimento a clientes chineses foi permitido sob determinadas condições.

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