Nuclear bloqueia acordo de paz com Irã que pode ser assinado hoje; Ormuz seria reaberto em 1 mês
Estados Unidos e Irã avançaram nas negociações para um acordo destinado a encerrar o conflito e reabrir o estreito de Ormuz, com prazo inicial de 30 dias para medidas na via marítima, mas Teerã ainda não aceitou qualquer compromisso sobre seu programa nuclear. O possível entendimento inclui etapas graduais, suspensão parcial de sanções e previsão de 60 dias para tratar da questão nuclear, enquanto divergências públicas indicam que pontos centrais seguem em aberto.
Estados Unidos e Irã negociam um protocolo de entendimento que pode levar ao encerramento das hostilidades e à retomada da navegação no estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do planeta. O avanço foi sinalizado por declarações públicas de autoridades norte-americanas e iranianas, ainda que persistam divergências relevantes, sobretudo no que diz respeito ao programa nuclear iraniano, mantido fora do escopo imediato do acordo em discussão.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que "novas informações" sobre a situação no Irã podem ser divulgadas neste domingo, acrescentando que há possibilidade de notícias positivas relacionadas ao estreito de Ormuz nas próximas horas. Ao mesmo tempo, reafirmou a linha tradicional de Washington: Teerã não pode, em hipótese alguma, obter uma arma nuclear.
Do lado iraniano, autoridades e veículos ligados ao governo têm sustentado que a questão nuclear não integra o protocolo atualmente em negociação. Segundo a agência iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, o entendimento em fase final não prevê, até agora, qualquer concessão por parte do Irã sobre seu programa atômico, o que reforça a natureza limitada do acordo preliminar.
Ainda conforme a Tasnim, o documento negociado estabelece a suspensão das hostilidades "em todas as frentes" e inclui um compromisso dos Estados Unidos de flexibilizar as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período de negociações. Esse ponto é considerado central para Teerã, cuja economia tem sido fortemente pressionada pelas restrições comerciais impostas por Washington.
A agência acrescenta que, apesar do avanço diplomático, o Irã não aceitou "a menor medida" relativa à limitação de seu programa nuclear. O texto preveria prazos distintos: 30 dias para medidas relacionadas ao estreito de Ormuz e 60 dias para negociações específicas sobre a questão nuclear.
Também está em discussão a normalização gradual do tráfego marítimo na região. O estreito de Ormuz, por onde circula uma parcela significativa do petróleo consumido no mundo, encontra-se de fato bloqueado desde o início do conflito, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços internacionais.
Proposta estabelece etapas e prazos para reabertura e negociação nuclear
De acordo com os termos relatados pela Tasnim, o número de navios autorizados a cruzar o estreito deve retornar ao patamar anterior à guerra dentro de um prazo de 30 dias. A retomada completa da circulação é vista como indicador-chave da eficácia inicial do acordo e como condição para a estabilização dos mercados de energia.
Outro ponto previsto é o fim do bloqueio naval imposto pela Marinha dos Estados Unidos a portos iranianos. A medida também teria prazo de até 30 dias para implementação completa, representando uma mudança sensível no posicionamento militar norte-americano na região.
Além disso, o acordo contempla o desbloqueio de parte dos ativos financeiros iranianos congelados no exterior. Essa liberação ocorreria já na primeira fase do processo e funcionaria como espécie de incentivo econômico para o avanço das negociações.
Apesar dessas indicações, há divergências públicas sobre o conteúdo e o alcance do acordo. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no sábado que um protocolo para encerrar o conflito no Irã estava "essencialmente negociado" e que incluiria a reabertura do estreito de Ormuz.
Trump afirmou, em sua rede Truth Social, que os "últimos detalhes" estavam sendo discutidos e que o anúncio formal ocorreria em breve. Ele não detalhou os termos completos do entendimento, o que contribuiu para incertezas sobre seu conteúdo real.
A interpretação apresentada por fontes iranianas, no entanto, diverge em pontos importantes. A agência Fars informou no domingo que o eventual acordo manteria sob controle iraniano a gestão do estreito de Ormuz e classificou as declarações de Trump como "em desacordo com a realidade".
Divergências revelam disputa de narrativas entre Washington e Teerã
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o plano em negociação seria estruturado em três fases. A primeira envolveria o encerramento formal do conflito; a segunda, a resolução da crise no estreito de Ormuz; e a terceira, a abertura de um período de 30 dias para discussões mais amplas, possivelmente prorrogáveis.
Esse cronograma indicaria uma estratégia gradual, na qual medidas de segurança e econômicas precedem um debate mais complexo sobre o programa nuclear iraniano. A separação dos temas reflete a dificuldade histórica de alcançar consenso nessa área sensível.
Uma fonte iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que o país não aceitou transferir seus estoques de urânio altamente enriquecido para fora do território nacional. Segundo ela, esse tema será tratado apenas em eventuais negociações de longo prazo e não integra o acordo preliminar.
"A questão nuclear será abordada durante negociações para um acordo definitivo e, portanto, não faz parte do entendimento atual. Nenhum acordo foi alcançado sobre a exportação dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã", disse a fonte.
A posição europeia tem sido de apoio cauteloso ao avanço diplomático. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que vê com satisfação os sinais de progresso nas negociações entre Washington e Teerã.
Em mensagem publicada na rede X, ela declarou: "Precisamos de um acordo que realmente permita reduzir o conflito, reabrir o estreito de Ormuz e garantir uma navegação livre e sem entraves. Não se deve permitir que o Irã se torne uma potência nuclear."
Com AFP
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